Citações neste tema
Outros
Karl Kraus
Não domino a língua, mas a língua me domina completamente. Ela não é a criada dos meus pensamentos. Vivo numa relação com ela em que concebo pensamentos, e ela pode fazer de mim o que bem quiser. Eu obedeço-lhe à letra. Pois das letras salta o jovem pensamento ao meu encontro e dá forma retroativa à língua que o criou. Semelhante graça de gestar pensamentos obriga-me a ficar de joelhos e transforma todo dispêndio de cuidado trémulo em dever. A língua é uma senhora dos pensamentos; ela pode ser útil na casa de quem consegue inverter essa relação, mas fecha-lhe o útero.
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Karl Kraus
Devemos escrever sempre como se escrevêssemos pela primeira e pela última vez. Dizer tanto como se fosse uma despedida, e tão bem como se estivéssemos a estrear.
72
Karl Kraus
Devemos escrever sempre como se escrevêssemos pela primeira e pela última vez. Dizer tanto como se fosse uma despedida, e tão bem como se estivéssemos a estrear.
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Karl Kraus
Pensamentos próprios não precisam ser sempre novos. Mas quem tem um pensamento novo, pode facilmente tomá-lo de outro.
66
Karl Kraus
Pensamentos próprios não precisam ser sempre novos. Mas quem tem um pensamento novo, pode facilmente tomá-lo de outro.
66
Karl Kraus
Às vezes lemos que uma cidade tem tantas centenas de milhares de “almas”, mas isso soa exagerado. Pela mesma razão, também se deveria romper finalmente com o sistema de recenseamento por “cabeças”. Mas não alimentaríamos mais desconfiança em relação à estatística das cifras gigantescas se uma outra parte do corpo fosse empregada como unidade de contagem. Ninguém mais poderia dizer que semelhante estimativa — no caso de uma metrópole como Viena, por exemplo — é exagerada. A assimilação e a eliminação do alimento são indiscutivelmente os interesses mais importantes que podem determinar a vida intelectual de uma população. Triste é apenas o facto de ela própria dominar tão mal aquilo que lhe é mais importante. A cultura dessa atividade vital não avança de forma alguma, e ainda que seja uma vantagem ser um bom garfo, não é vantagem alguma ser um garfo barulhento e se comportar de tal maneira que se ouçam os ruídos de bem-estar até no exterior.
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Karl Kraus
A beleza imerecida dessa cidade! Mas aqueles que a animam à chamada seriedade do trabalho são tão tolos quanto seus bajuladores e folhetinistas. Não é lamentável que seus habitantes não trabalhem, mas que não pensem. Chega a ser meritório contar com o facto de que o céu é azul e o prado é verde. Quem diz que não se pode viver disso é um filisteu. Mas quem diz que é triste viver disso quando não se é um artista, diz a verdade.
73
Karl Kraus
A beleza imerecida dessa cidade! Mas aqueles que a animam à chamada seriedade do trabalho são tão tolos quanto seus bajuladores e folhetinistas. Não é lamentável que seus habitantes não trabalhem, mas que não pensem. Chega a ser meritório contar com o facto de que o céu é azul e o prado é verde. Quem diz que não se pode viver disso é um filisteu. Mas quem diz que é triste viver disso quando não se é um artista, diz a verdade.
73
Karl Kraus
Oh deleite das experiências da língua, devorador da medula! O perigo da palavra é o prazer do pensamento. O que foi que dobrou a esquina ali adiante? Ainda não divisada e já amada! Lança-me nessa aventura.
73
Karl Kraus
Oh deleite das experiências da língua, devorador da medula! O perigo da palavra é o prazer do pensamento. O que foi que dobrou a esquina ali adiante? Ainda não divisada e já amada! Lança-me nessa aventura.
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Karl Kraus
Uma fábrica de guarda-chuvas expõe ao gosto público um cartaz que mostra Rómulo e Remo com guarda-chuvas abertos. Refleti muitas vezes sobre esse simbolismo. Sempre cheguei a essa mesma e triste explicação: em razão do mau tempo, a fundação de Roma foi suspensa.
72
Karl Kraus
Contar a piada inventada por uma pessoa engenhosa é o mesmo que apanhar uma seta do chão. A citação não diz como foi disparada.
77
Karl Kraus
Nem de longe um bom escritor recebe tantas cartas anónimas ofensivas quanto normalmente se supõe. De cem asnos, nem dez admitem sê-lo, e no máximo um coloca isso por escrito.
50
Karl Kraus
O público não tolera qualquer coisa. Ele repele com indignação uma obra imoral quando percebe as suas intenções culturais.
64
Karl Kraus
O naturalismo do cenário faz relógios de verdade baterem as horas. É por isso que temos a impressão de que o tempo passa tão devagar.
78
Karl Kraus
São raros os livros antigos que, entre coisas incompreensíveis e óbvias, conservaram um conteúdo vivo.
76
Karl Kraus
Desde que maçãs podres serviram certa vez de estímulo no drama alemão, o público receia usá-las como meio de intimidação.
79
Karl Kraus
Será a literatura nada mais do que a habilidade de apresentar ao público uma opinião com palavras? Então a pintura seria a arte de expressar uma opinião em cores. No entanto, os jornalistas da pintura são os pintores de paredes. E eu acredito que um escritor é aquele que diz ao público uma obra de arte. A maior honra que já recebi foi-me prestada quando um leitor me confessou embaraçado que só conseguia entender os meus textos na segunda leitura. Hesitou em me dizer isso, teve dificuldades em falar a minha língua. Esse era um entendido e não sabia. O elogio ao meu estilo deixa-me indiferente, mas as críticas que lhe fazem logo me deixarão orgulhoso. Durante muito tempo tive receio de que as pessoas tivessem prazer com os meus textos já na primeira leitura. Como? Uma frase deveria servir para o público enxaguar a boca com ela? Os folhetinistas que escrevem em alemão possuem uma considerável vantagem em relação aos escritores que escrevem a partir do alemão. Ganham à primeira vista e desiludem à segunda: é como se de repente estivéssemos nos bastidores e víssemos que tudo é de cartão. No caso dos outros, porém, é como se um véu cobrisse a cena. Quem já deveria aplaudir? Vão-se embora antes que a cena se torne visível. Assim se comporta a maioria; não têm tempo. E não têm tempo apenas para as obras da linguagem. No caso das pinturas, admitem que não devam representar apenas um processo apreendido pelo primeiro olhar: obrigam-se a dar um segundo olhar para chegar a perceber alguma coisa da arte das cores. Mas uma arte da construção de frases? Se lhes dissermos que isso existe, pensam na obediência às leis da gramática.
64
Karl Kraus
Será a literatura nada mais do que a habilidade de apresentar ao público uma opinião com palavras? Então a pintura seria a arte de expressar uma opinião em cores. No entanto, os jornalistas da pintura são os pintores de paredes. E eu acredito que um escritor é aquele que diz ao público uma obra de arte. A maior honra que já recebi foi-me prestada quando um leitor me confessou embaraçado que só conseguia entender os meus textos na segunda leitura. Hesitou em me dizer isso, teve dificuldades em falar a minha língua. Esse era um entendido e não sabia. O elogio ao meu estilo deixa-me indiferente, mas as críticas que lhe fazem logo me deixarão orgulhoso. Durante muito tempo tive receio de que as pessoas tivessem prazer com os meus textos já na primeira leitura. Como? Uma frase deveria servir para o público enxaguar a boca com ela? Os folhetinistas que escrevem em alemão possuem uma considerável vantagem em relação aos escritores que escrevem a partir do alemão. Ganham à primeira vista e desiludem à segunda: é como se de repente estivéssemos nos bastidores e víssemos que tudo é de cartão. No caso dos outros, porém, é como se um véu cobrisse a cena. Quem já deveria aplaudir? Vão-se embora antes que a cena se torne visível. Assim se comporta a maioria; não têm tempo. E não têm tempo apenas para as obras da linguagem. No caso das pinturas, admitem que não devam representar apenas um processo apreendido pelo primeiro olhar: obrigam-se a dar um segundo olhar para chegar a perceber alguma coisa da arte das cores. Mas uma arte da construção de frases? Se lhes dissermos que isso existe, pensam na obediência às leis da gramática.
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Karl Kraus
Há duas espécies de escritores. Aqueles que são e aqueles que não são. Nos primeiros, a forma e o conteúdo se harmonizam como corpo e alma; nos segundos, a forma e o conteúdo se ajustam como a roupa sobre o corpo.
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Karl Kraus
Há duas espécies de escritores. Aqueles que são e aqueles que não são. Nos primeiros, a forma e o conteúdo se harmonizam como corpo e alma; nos segundos, a forma e o conteúdo se ajustam como a roupa sobre o corpo.
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Karl Kraus
Literatos alemães: os louros com que um sonha não deixam o outro dormir. Outro, por sua vez, sonha que os seus louros não deixam um outro dormir, e este não dorme porque o outro sonha com louros.
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Karl Kraus
O leitor admite de bom grado que o autor o deixe confuso com a sua cultura geral. Qualquer pessoa fica impressionada porque não sabia como a ilha de Corfu se chama em albanês. Pois a partir de então ela sabe, e pode brilhar diante dos outros que ainda não sabem. A cultura geral é a única premissa que o público não leva a mal, e um autor que humilha o leitor nesse ponto tem a sua fama presente garantida. Mas ai daquele que pressupõe faculdades que não possam ser recuperadas ou cuja aplicação esteja ligada a incomodidades! Tudo bem que o autor saiba mais que o leitor; mas que ele tenha pensado mais não lhe será perdoado tão facilmente. O público não pode ser mais tolo. Ele é inclusive mais inteligente do que o autor culto, pois fica sabendo através da sua revista como a ilha de Corfu se chama em albanês, enquanto aquele teve de consultar uma enciclopédia primeiro.
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