Citações neste tema
Outros
Karl Kraus
Há escritores que já conseguem dizer em vinte páginas aquilo para o que às vezes preciso de até duas linhas.
75
Karl Kraus
Empregar palavras incomuns é um vício literário. Devemos colocar apenas dificuldades de pensamento no caminho do público.
61
Karl Kraus
Antes os cenários eram de cartão e os atores eram de verdade. Agora os cenários são completamente convincentes, e os atores, de cartão.
63
Karl Kraus
O esteta não vive tão longe do político quanto se pensa. Para aquele, a vida reduz-se a uma linha; para este, a uma superfície. O jogo frívolo que ambos praticam deixa-os igualmente distantes do espírito, num lugar em que absolutamente não entram mais em consideração. É trágico ser reclamado por aquele partido quando não se quer saber nada deste, e ter de pertencer a este porque se detesta aquele. Porém, da altura da verdadeira intelectualidade, vê-se a política apenas como uma futilidade estética e a orquídea como uma flor partidária. É a mesma falta de personalidade que leva uns a buscar a vida no conteúdo e outros a buscá-la na forma. Eles nada querem saber um do outro; ambos, contudo, fazem parte do mesmo esfoladouro.
57
Karl Kraus
O propósito do jovem Jean Paul era “escrever livros para poder comprar livros”. O propósito dos nossos jovens escritores é ganhar livros de presente para poder escrever livros.
80
Karl Kraus
Devemos ler todos os escritores duas vezes, os bons e os maus. Uns serão reconhecidos, e os outros, desmascarados.
76
Karl Kraus
O facto de um tema ser artístico não o deve prejudicar necessariamente junto do público. Superestima-se o público ao acreditar que ele leva a mal a excelência da representação. Ele de forma alguma lhe dá atenção, e também tolera com tranquilidade coisas valiosas desde que o objecto casualmente corresponda a um interesse vulgar.
64
Karl Kraus
O facto de um tema ser artístico não o deve prejudicar necessariamente junto do público. Superestima-se o público ao acreditar que ele leva a mal a excelência da representação. Ele de forma alguma lhe dá atenção, e também tolera com tranquilidade coisas valiosas desde que o objecto casualmente corresponda a um interesse vulgar.
64
Karl Kraus
Os meus trabalhos devem ser lidos duas vezes para serem bem compreendidos. Mas tampouco me oponho a que sejam lidos três vezes. Prefiro, porém, que não sejam lidos do que o sejam apenas uma vez. Não pretendo responsabilizar-me pelas congestões de um imbecil que não tem tempo.
58
Karl Kraus
Ele domina a língua alemã — isso vale para o caixeiro. O artista é um criado da palavra.
68
Karl Kraus
É provável que o riacho de Grinzing tenha estimulado Beethoven a compor a Sinfonia Pastoral. Mas isso não prova nada a favor do riacho de Grinzing e tudo a favor de Beethoven. Quanto menor a paisagem, tanto maior pode ser a obra de arte, e vice-versa. É tolice, porém, dizer que a atmosfera que o riacho transmite a um caminhante qualquer é a mesma recebida pelo ouvinte da sinfonia. Caso contrário, também poderíamos dizer que o cheiro de maçãs podres nos dá o Wallenstein de Schiller.
90
Karl Kraus
Quando lemos um dos seus ensaios mitológico-políticos aprendemos a odiar a cultura mais do que o absolutamente necessário.
66
Karl Kraus
Um escritor que eterniza um facto quotidiano compromete apenas a atualidade. Porém, quem jornaliza a eternidade tem perspetiva de ser reconhecido nas altas rodas.
84
Karl Kraus
Para que um artista deveria compreender o outro? O Vesúvio aprecia o Etna? No máximo, poderia estabelecer-se uma relação feminina de comparação invejosa: quem cospe melhor?
78
Karl Kraus
Não falemos publicamente sobre os problemas da vida sexual. Que a vivamos e lhe demos forma, mas nos calemos a respeito. Para resguardar a verdade é lícito ser hipócrita.
80
Karl Kraus
O que entra no ouvido com facilidade também sai com facilidade. O que entra com dificuldade também sai com dificuldade. Isto vale muito mais para a escrita do que para a música.
70
Karl Kraus
Há dois tipos de apreciadores da arte. Uns elogiam o que é bom porque é bom e criticam o que é mau porque é mau. Outros criticam o que é bom porque é bom e elogiam o que é mau porque é mau. A distinção entre esses tipos é simples pelo facto de o primeiro deles não existir. As coisas seriam fáceis de entender se não houvesse ainda uma terceira categoria. Ela é formada por aqueles que elogiam o que é bom apesar de ser bom e criticam o que é mau embora seja mau. É a essa espécie perigosa que se deve toda a confusão nos assuntos artísticos. O seu instinto diz-lhes que devem alvejar o que é errado, mas por precaução alvejam o que é certo. Possuem razões que se encontram fora da sensibilidade artística. O artista poderia viver sem o esnobismo que o exalta. Dificilmente, sem a estupidez que o degrada.
59
Karl Kraus
Tal como sempre surgem rostos novos, embora o conteúdo das pessoas pouco se distinga, assim deve haver sempre frases novas para o mesmo material intelectual. Isso dependerá do criador que tiver a capacidade de exprimir a mais ligeira nuance.
71
Karl Kraus
Tal como sempre surgem rostos novos, embora o conteúdo das pessoas pouco se distinga, assim deve haver sempre frases novas para o mesmo material intelectual. Isso dependerá do criador que tiver a capacidade de exprimir a mais ligeira nuance.
71
Karl Kraus
Lichtenberg cava mais fundo do que qualquer outro, mas não volta à superfície. Fala sob a terra. Só o escuta quem também cava fundo.
80
Karl Kraus
Rir da vaidade dos atores, da sua necessidade de aplausos e afins é ridículo. As pessoas de teatro precisam do aplauso para representar melhor; e para isso, também basta o aplauso fingido. O sentimento de felicidade que alguns atores mostram quando são aplaudidos por aqueles que pagaram para o fazer é uma prova do seu génio artístico. Dificilmente alguém teria-se tornado um grande ator se o público tivesse vindo ao mundo sem mãos.
71