Citações neste tema
Outros
Mário Quintana
O estilo muito ornado lembra aqueles antigos altares barrocos, tão cheios de anjinhos que a gente mal conseguia enxergar o santo.
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Mário Quintana
Mas esses letreiros luminosos não seriam muito mais belos se fossem escritos em chinês?
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Mário Quintana
Sempre achei que a semente de onde germina todo verdadeiro poema é uma interjeição. Isto é, um sentimento muito elementar, instintivo. Mas um sentimento, sempre. O eterno romantismo! E depois disto, minha filha, hás de sair dizendo por aí que o nome feio é a forma mais espontânea da poesia.
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Mário Quintana
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.
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Mário Quintana
— What is a name? — já indagava o Poeta. Um nome serve, em última instância, para uma lápide. Ou para uma estátua, geralmente equestre. E a melhor fase da vida — a mais natural — é quando os pais ainda não escolheram um nome para a gente.
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Mário Quintana
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: “A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância.”
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Mário Quintana
As dentaduras expostas nas montras de artigos protéticos parecem dentaduras de antropófagos.
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Mário Quintana
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.
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Mário Quintana
Assim devia ser a relação de autor para leitor: uma face nua num espelho límpido. Mas é tão difícil... Ou a face está mascarada ou o espelho embaciado.
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Mário Quintana
Assim devia ser a relação de autor para leitor: uma face nua num espelho límpido. Mas é tão difícil... Ou a face está mascarada ou o espelho embaciado.
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Mário Quintana
Há leitores que acham bom tudo o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
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Mário Quintana
A dor de ver esses pobres Cristos tão maltratados. Principalmente pelos escultores!
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Mário Quintana
O verdadeiro inventor da leitura dinâmica é esse numeroso público acostumado a ler os letreiros nas telas cinematográficas. Eis um dos motivos por que sou contra a dublagem dos filmes. Tirar aos aficionados do cinema a sua costumeira leitura relâmpago é fazer sabotagem à campanha do Mobral — pois abriríamos as salas de projeção exatamente a esses a quem se deveria convencer, antes de tudo, de que o analfabetismo é uma porta fechada.
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Mário Quintana
Numa destas minhas tábuas, falei há tempos de como nos assemelhávamos, os robôs e nós. Eles, com as suas inevitáveis conexões de sinais; nós com as nossas (inevitáveis) associações de ideias. Exemplo: sempre tive horror a lentilhas. Pelo seu gosto? Qual! Só por causa daquele malfadado texto bíblico...
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Mário Quintana
Essa mania de ler sobre autores fez com que, no último centenário de Shakespeare, se travasse entre uma professorinha do interior e este escriba o seguinte diálogo: Que devo ler para conhecer Shakespeare? — Shakespeare.
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Mário Quintana
Repara como o poeta humaniza as coisas: dá hesitações às folhas, anseios ao vento. Talvez seja assim que Deus dá alma aos homens.
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Mário Quintana
Li apenas duas vezes a obra de Cesário Verde. Dele me ficaram dois versos, duas suaves assombrações que, de longe em longe, atravessam, por um momento, minha memória distraída: “os querubins do lar flutuam nas varandas...” “enleva-me a quimera azul de transmigrar...” Dois versos, direis que é pouco para uma obra inteira, de toda uma vida! Há poetas que se contentam com um busto em praça pública.
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