Citações neste tema
Outros
Mário Quintana
Palavra! Não sei qual a vantagem daquele guri que descobriu que o rei estava nu. Faltava-lhe imaginação — dom exclusivo da criatura humana e signo da sua realeza. Os animais não progridem por falta de imaginação. E eu só perdi minha indiferença congênita às ciências exatas no dia em que ouvi falar nas geometrias não euclidianas.
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Mário Quintana
A vida era muito mais intensa quando não passava, na média, de quarenta anos. Agora é um longo, um interminável arrastar de correntes: nós somos as almas penadas deste mundo.
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Mário Quintana
Descobri na Meditação contemplativa do Padre Júlio Maria esta frase, que daria uma bela epígrafe para um livro de poemas: “E a visão não aproveitou nem a Balaão nem à besta.” Aconselharam-me que desistisse, porque Balaão é meio desconfiado.
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Mário Quintana
Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópoles, existe — quem é que não viu? — aquele cartaz... De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio — até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos — estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra. E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!
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Mário Quintana
A presunção — tão desculpável e divertida nos moços — é o mais certo sinal de burrice nos velhos. O verdadeiro fruto da árvore do conhecimento é a simplicidade.
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Mário Quintana
Às vezes eu pesco um leitor. Outras vezes o leitor me pesca. Entre uma coisa e outra, as águas vão passando.
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Mário Quintana
Depois de ler, por cima de meu ombro, as linhas precedentes, observou-me o João Sabiá: — Mas tu já não falaste na incompreendida beleza dos sapos, na beleza transcendental de um matungo de inverno? Isso é a alma deles?! — Não, é a minha alma...
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Mário Quintana
Depois de ler, por cima de meu ombro, as linhas precedentes, observou-me o João Sabiá: — Mas tu já não falaste na incompreendida beleza dos sapos, na beleza transcendental de um matungo de inverno? Isso é a alma deles?! — Não, é a minha alma...
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Mário Quintana
Tão belo como um edifício em construção contra um céu azul, só mesmo um edifício em ruínas contra o mesmo céu. O que importa é o céu azul.
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Mário Quintana
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.
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Mário Quintana
O leão é um animal tão belo que ser devorado por ele é melhor do que ser devorado por um crocodilo... Diante da sua arremetida, bem sei que se pode morrer de puro medo... porém nunca de horror.
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Mário Quintana
Os versos de Casimiro são tão nossos que gostar deles é um sinal de autenticidade — ... e, mesmo, como beber água da fonte na concha das mãos... E como ele ainda está entre nós — tão vivo — nos melhores e nos piores momentos da poesia popular!
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Mário Quintana
Quando o homem desaparecer, que será das coisas? Morrerão da mesmice de ser. De serem apenas aquele poste ali na esquina, a fonte sorrateira, a bela tabuleta inutilmente colorida, os pacientes relógios sobreviventes. Morrerão da mesmice de serem e não mais parecerem. Quando o homem desaparecer, que será das coisas, que será de Deus?
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Mário Quintana
Certa vez escrevi uma história árabe. Só me lembro que terminava assim: “E Mohammed, entre aqueles dois conselhos, escolheu o que lhe soava melhor.”
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Mário Quintana
Os que se empenham em provar que as obras de Shakespeare só podem ter sido escritas por outro, estes, por sua vez, só podem ser uns invejosos póstumos. O caso desses críticos não é um caso apenas divertido, como se vê. E grave, e triste, e patológico... São os parentes ambiciosos desses, que vivem catando “influências” na obra de seus contemporâneos.
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Mário Quintana
Mas há uma beleza interior, de dentro para fora, a transluzir de certas avozinhas trêmulas, de certos velhos nodosos e graves como troncos. De que será ela feita, que nem notamos como a erosão dos anos os terá deformado. Deviam ser caricaturas mas não fazem rir, uns aleijões mas não causam pena. O mesmo não nos acontece ante o penoso espetáculo de um animal velho. Eu gostaria de acreditar que essa inexplicável beleza dos velhos talvez fosse uma prova da existência da alma.
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Mário Quintana
Mas há uma beleza interior, de dentro para fora, a transluzir de certas avozinhas trêmulas, de certos velhos nodosos e graves como troncos. De que será ela feita, que nem notamos como a erosão dos anos os terá deformado. Deviam ser caricaturas mas não fazem rir, uns aleijões mas não causam pena. O mesmo não nos acontece ante o penoso espetáculo de um animal velho. Eu gostaria de acreditar que essa inexplicável beleza dos velhos talvez fosse uma prova da existência da alma.
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Mário Quintana
O que nos atrai no 007 é que ele é o tipo do herói anti-shakespeariano. Nada de casos de consciência. Não é como esse pobre príncipe Hamlet que, para cometer meia dúzia de crimes, passa todo o tempo falando sozinho...
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