Citações neste tema
Humor e Ironia
Friedrich Nietzsche
As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.
35
Confúcio
O maior prazer de um homem inteligente é fazer-se de idiota diante do idiota que quer fazer-se de inteligente.
45
William Shakespeare
Se um homem fosse o porteiro do inferno, ficaria velho de tanto girar a chave.
20
William Shakespeare
Se eu não posso caluniar alguém, o que será de mim? Calúnias têm o seu valor, como tudo na vida.
40
William Shakespeare
Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes.
45
Karl Kraus
A quantidade diminui o lucro sob todos os aspectos. A atração que os trajes exercem sobre as mulheres diminuiu, e o que sobrou foi a desilusão erótica. Visto que às mulheres agrada apenas aquilo que chama a atenção, o homem que usa uma roupa civil voltou a ter hoje as melhores perspetivas, o que também vale para o trapalhão de quem se diz ter se destacado por uma covardia especial diante do inimigo; pois qualquer um pode ser herói. Ocorre exatamente o mesmo que nos bailes de máscaras, em que cada pessoa promete para si mesma causar a maior sensação; quando ele termina, porém, ela reconhece que se quisesse ter chamado a atenção deveria ter usado um fraque, pois o nariz postiço era comum a todos.
45
Karl Kraus
Posso provar que os alemães são mesmo o povo dos poetas e dos pensadores. Tenho um volume de papel higiénico, publicado em Berlim, que em cada folha traz uma citação de um clássico apropriada à situação.
54
Karl Kraus
Conheci alguém que levava a sua formação no bolso do colete porque ali havia mais espaço do que na cabeça.
71
Karl Kraus
O ser humano objeta ao cão o facto de buscar a sujeira. O que o desacredita ainda mais é o facto de buscar o ser humano. Em todo o caso, o cão dá provas da sua superioridade por não correr à Dreimäderlhaus.
73
Karl Kraus
O chiste abraça a realidade e a loucura salta sobre o mundo. Como ainda podemos inventar se atrás de cada carantonha surge um rosto que lhe é igual inclusive na fala? Como podemos exagerar se os factos se transformam em caricatura do exagero? A e B estão em conflito. Diz-se que A praticou um ato ilegal. Porém, visto que por alguma razão não se pode dizer isso em voz alta, o que se diz em voz alta é o seguinte: “O senhor já sabe do ato ilegal que B cometeu mais uma vez?”. Quando se diz isso, não se pensa no facto de B realmente poder tê-lo cometido. Também não se acredita que A, consciente do seu próprio delito, alguma vez pudesse censurá-lo a B, caso este também o tivesse cometido. Não se acredita nisso, pelo menos nesse caso especialmente crítico. Apenas a experiência geral de que algo semelhante por certo já aconteceu, de que se imputou a B aquilo que somente A cometeu, justifica a jocosa confusão: “Imagine só o senhor do que B não é capaz!”. No dia seguinte, publica-se um protesto de A contra o procedimento de B. Este teria cometido exatamente aquele ato ilegal, o pior numa série de crimes semelhantes. Desse modo, o próprio A assume o método parodístico com o qual se atribui a B os pecados de A porque não se tem outra saída. Resta assim apenas a explicação de que ele sentiu remorsos e, na esperança de ser corretamente compreendido, confessou a sua falta sob a forma de uma imputação a B. Caso B realmente tivesse cometido essa falta, A pelo menos deveria perceber a justa compensação e silenciar. O que constitui a comicidade do caso não é a indignação contra aquilo que também se fez, ou que se fez apenas sozinho, mas a exatidão com que A aproveita a distorção intencional empregada pela pessoa cautelosa que precisa dizer B quando se refere à A. Por conseguinte, não se evita apenas dizer a verdade; também se é cauteloso com a mentira, pois ela também é vã e serve no máximo para motivo de farsa.
48
Karl Kraus
Por meio dos seus fiascos políticos, a Áustria conseguiu chamar a atenção do grande mundo e, finalmente, deixar de ser confundida com a Austrália.
72
Karl Kraus
Um professor de literatura afirmou que os meus aforismos são apenas a inversão mecânica de frases feitas. Isto é inteiramente correto. Só que ele não apreendeu o pensamento que impele a mecânica: o facto de que da inversão mecânica de frases feitas resulta mais do que da repetição mecânica. Este é o segredo da época atual, e é preciso tê-lo experimentado. Ao mesmo tempo, a frase feita ainda se distingue, para sua vantagem, de um professor de literatura, de quem não sai nada se eu o deixar no seu lugar e menos ainda se o inverter mecanicamente.
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