Citações neste tema
Desejo
Eça de Queirós
Aos vinte anos, aos trinta, todos os homens têm amantes: é tão necessário como tomar banho
55
Franz Kafka
O meio de sedução deste mundo, bem como o signo de garantia de que ele é apenas uma transição, é um e o mesmo. Com razão, pois só assim este mundo nos pode seduzir de uma forma que corresponda à verdade. O pior, no entanto, é que, depois da sedução bem-sucedida, esquecemo-nos da garantia; foi dessa maneira, na realidade, que o bem nos atraiu para o mal, e o olhar da mulher, para a sua cama.
44
Karl Kraus
Ao são basta a mulher. Ao erotista basta a meia para chegar à mulher. Ao doente basta a meia.
50
Fernando Pessoa
Saber pôr no saborear duma chávena de chá a volúpia extrema que o homem normal só pode encontrar nas grandes alegrias que vêm da ambição subitamente toda satisfeita ou das saudades de repente desaparecidas, ou então nos actos finais e carnais do amor.
45
Fernando Pessoa
Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar.
49
Fernando Pessoa
Nunca realizamos o que queremos, salvo se o que queremos não vale a pena realizar-se.
53
Fernando Pessoa
POSSUIR é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.
51
Fernando Pessoa
Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.
62
Fernando Pessoa
O amor foi começado, O ideal não acabou, E quem tenha alcançado Não sabe o que alcançou.
39
Fernando Pessoa
O que me dói não é O que há no coração Mas essas coisas lindas Que nunca existirão… São as formas sem forma Que passam sem que a dor As possa conhecer Ou as sonhar o amor. São como se a tristeza Fosse árvore e, uma a uma, Caíssem suas folhas Entre o vestígio e a bruma.
47
Fernando Pessoa
O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: querer a lua como se houvesse meio de a obter.
36
Fernando Pessoa
O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.
44
Fernando Pessoa
O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia – os amores todos que são os absurdiandos do amor.
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