Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Silvaney Paes
Náufrago
Trago desde
o berço o fado,
de com foice fazendo talhos
ou mesmo que me seja a nado,
cumprir o caminho inverso do parto.
reencontrar-me com o passado,
para reatar seculares laços
que para traz foram deixados.
Sendo um dos teus filhos bastardos,
que ficaram por aí largados,
carrego desde aquele parto
algo que jamais poderás nega-lo.
pois dos teus filhos mais legítimos,
que por cá foram nascidos,
trago todos os traços
e também naquilo que falo
encontrará teu registro.
Se os de cá a sal foram provados,
em azeite viram-se banhados
como o mais raro ungüento,
mais que não me torças o rosto
reparando nas marcas que trago
pois te chego como naufrago
em tuas águas banhado,
e não serei jamais abortado,
antes que possa abraça-lo.
E se me abrires os teus braços,
acolhendo-me como filho
não serei só lamento ou gemido
chegado de forma ondular marinho,
em tuas praias cuspido.
Te guardarei tamanho apreço,
que no dia em que me veres partindo,
retornando ao meu antigo ninho
serei um dos tantos gritos,
dos teus filhos mais queridos
saídos de Portugal.
o berço o fado,
de com foice fazendo talhos
ou mesmo que me seja a nado,
cumprir o caminho inverso do parto.
reencontrar-me com o passado,
para reatar seculares laços
que para traz foram deixados.
Sendo um dos teus filhos bastardos,
que ficaram por aí largados,
carrego desde aquele parto
algo que jamais poderás nega-lo.
pois dos teus filhos mais legítimos,
que por cá foram nascidos,
trago todos os traços
e também naquilo que falo
encontrará teu registro.
Se os de cá a sal foram provados,
em azeite viram-se banhados
como o mais raro ungüento,
mais que não me torças o rosto
reparando nas marcas que trago
pois te chego como naufrago
em tuas águas banhado,
e não serei jamais abortado,
antes que possa abraça-lo.
E se me abrires os teus braços,
acolhendo-me como filho
não serei só lamento ou gemido
chegado de forma ondular marinho,
em tuas praias cuspido.
Te guardarei tamanho apreço,
que no dia em que me veres partindo,
retornando ao meu antigo ninho
serei um dos tantos gritos,
dos teus filhos mais queridos
saídos de Portugal.
1 038
1
Silvio Cruz
Pingos de Chuva
Os pingos
da chuva caem calmamente na cidade,
trazendo uma grande nostalgia.
Meu pensamento voa até uma mulher...
Ao compasso dos pingos
e de uma música da Ênya,
meu coração se põe acelerado...
?O que faz ela agora? O que pensa?
Não me importo com isso...me asseguro!
Mas, então, por que estou inquieto?
Não sei, o tempo é o melhor remédio...
E ele me dirá!
da chuva caem calmamente na cidade,
trazendo uma grande nostalgia.
Meu pensamento voa até uma mulher...
Ao compasso dos pingos
e de uma música da Ênya,
meu coração se põe acelerado...
?O que faz ela agora? O que pensa?
Não me importo com isso...me asseguro!
Mas, então, por que estou inquieto?
Não sei, o tempo é o melhor remédio...
E ele me dirá!
987
1
Susana Pestana
Fascinação
Entre os becos da tua vida
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
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1
Susana Pestana
Fascinação
Entre os becos da tua vida
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
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1
Soares Bulcão
Parêmias
Quem muito quer do futuro
vê tudo através do verde;
Mais vale o pouco seguro:
— Quem muito quer, tudo perde.
A desgraça no mais forte
Mais robustece a esperança;
Nunca descreias da sorte;
—Quem espera sempre alcança.
Nunca motejes do pobre
Nem dos defeitos que vês;
Por igual o céu nos cobre:
— Cada qual como Deus fez.
Como a boca, a pena explica
Reservas do pensamento;
A letra da pena fica,
—Palavras, leva-as o vento.
Quem o bem fez bem espere,
E o mal também, se é devido:
Porque — Quem com ferro fere
Com o ferro será ferido.
Vai com jeito e paciência,
Se do melhor queres tu;
Bem nos mostra a experiência:
— Quem se vexa come cru.
Muita coisa que vidrilha
Parece ser um tesouro...
Não te iludas com o que brilha:
—Nem tudo que brilha é ouro...
vê tudo através do verde;
Mais vale o pouco seguro:
— Quem muito quer, tudo perde.
A desgraça no mais forte
Mais robustece a esperança;
Nunca descreias da sorte;
—Quem espera sempre alcança.
Nunca motejes do pobre
Nem dos defeitos que vês;
Por igual o céu nos cobre:
— Cada qual como Deus fez.
Como a boca, a pena explica
Reservas do pensamento;
A letra da pena fica,
—Palavras, leva-as o vento.
Quem o bem fez bem espere,
E o mal também, se é devido:
Porque — Quem com ferro fere
Com o ferro será ferido.
Vai com jeito e paciência,
Se do melhor queres tu;
Bem nos mostra a experiência:
— Quem se vexa come cru.
Muita coisa que vidrilha
Parece ser um tesouro...
Não te iludas com o que brilha:
—Nem tudo que brilha é ouro...
1 303
1
Silvaney Paes
Enchente
Quisera
Deus Chovesse...
Para não ser solitário riacho
Ser rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Capaz de apenas com um trago
Arrasta-la em meus braços
Buscando o antigo regaço
Quisera Deus Chovesse...
E já sendo o rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Ao contrario do triste riacho
Abrir caminho, espaço.
Para encontrar nesse corpo
O deleite do abraço
Quisera Deus Chovesse...
E sendo rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Ao contrário do tímido Riacho
Fugir contigo nos braços
Para num longínquo destino
Perder-me em teu lácio.
Quisera Deus só chovesse...
Para fingir ser rio turvo
Incauto
Revolto e Bravo.
Até conquistar os teus beijos,
Para num remanso tranqüilo
Deleitando-me no abraço
Ser de novo teu manso Riacho.
Chorarei por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por vós meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por vós meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorei por vós meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por vós meninas,
Mais só chorarei.
Diante de vós sou Fraca,
Sociedade parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
Deus Chovesse...
Para não ser solitário riacho
Ser rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Capaz de apenas com um trago
Arrasta-la em meus braços
Buscando o antigo regaço
Quisera Deus Chovesse...
E já sendo o rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Ao contrario do triste riacho
Abrir caminho, espaço.
Para encontrar nesse corpo
O deleite do abraço
Quisera Deus Chovesse...
E sendo rio turvo
Incauto
Revolto e bravo
Ao contrário do tímido Riacho
Fugir contigo nos braços
Para num longínquo destino
Perder-me em teu lácio.
Quisera Deus só chovesse...
Para fingir ser rio turvo
Incauto
Revolto e Bravo.
Até conquistar os teus beijos,
Para num remanso tranqüilo
Deleitando-me no abraço
Ser de novo teu manso Riacho.
Chorarei por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por vós meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por vós meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorei por vós meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por vós meninas,
Mais só chorarei.
Diante de vós sou Fraca,
Sociedade parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
1 365
1
Honório Armond
Palavras a Um Crente
— "Que vem a ser o Bem?" — perguntas. Digo
que nunca, até hoje, francamente, eu pude
entre o joio do mal achar o trigo.
O pecado é irmão-gêmeo da virtude...
Chamas a todos - Meu fraterno amigo!
A tua alma ingênua, meu irmão, se ilude...
Faze como eu que, há muito, já não sigo
fogos-fátuos brilhando na palude...
Leva este mundo tal como é... Mascara
as tuas emoções, o ódio, a alegria,
cerra o teu coração, aguça o olhar,
que hás de ver entre a turba ingrata e ignara
o Mal, que de virtude se fazia,
rir-se de gozo ao ver alguém chorar...
que nunca, até hoje, francamente, eu pude
entre o joio do mal achar o trigo.
O pecado é irmão-gêmeo da virtude...
Chamas a todos - Meu fraterno amigo!
A tua alma ingênua, meu irmão, se ilude...
Faze como eu que, há muito, já não sigo
fogos-fátuos brilhando na palude...
Leva este mundo tal como é... Mascara
as tuas emoções, o ódio, a alegria,
cerra o teu coração, aguça o olhar,
que hás de ver entre a turba ingrata e ignara
o Mal, que de virtude se fazia,
rir-se de gozo ao ver alguém chorar...
892
1
Honório Armond
Palavras a Um Crente
— "Que vem a ser o Bem?" — perguntas. Digo
que nunca, até hoje, francamente, eu pude
entre o joio do mal achar o trigo.
O pecado é irmão-gêmeo da virtude...
Chamas a todos - Meu fraterno amigo!
A tua alma ingênua, meu irmão, se ilude...
Faze como eu que, há muito, já não sigo
fogos-fátuos brilhando na palude...
Leva este mundo tal como é... Mascara
as tuas emoções, o ódio, a alegria,
cerra o teu coração, aguça o olhar,
que hás de ver entre a turba ingrata e ignara
o Mal, que de virtude se fazia,
rir-se de gozo ao ver alguém chorar...
que nunca, até hoje, francamente, eu pude
entre o joio do mal achar o trigo.
O pecado é irmão-gêmeo da virtude...
Chamas a todos - Meu fraterno amigo!
A tua alma ingênua, meu irmão, se ilude...
Faze como eu que, há muito, já não sigo
fogos-fátuos brilhando na palude...
Leva este mundo tal como é... Mascara
as tuas emoções, o ódio, a alegria,
cerra o teu coração, aguça o olhar,
que hás de ver entre a turba ingrata e ignara
o Mal, que de virtude se fazia,
rir-se de gozo ao ver alguém chorar...
892
1
Ednólia Fontenele
Busca
Procuro um poema novo
derramando sangue
cheirando mal
falando de paixões eróticas
de crimes violentos.
Procuro um poema
com a cor do sol,
o brilho da tua pele,
com sabor de língua.
Procuro um poema
perverso como eu,
triste, mas contestador.
Quero mais sal na comida,
mais prudência na vida,
evitar o espelho na saída,
sorrir na despedida
e sem dor nenhuma
negar essa paixão.
derramando sangue
cheirando mal
falando de paixões eróticas
de crimes violentos.
Procuro um poema
com a cor do sol,
o brilho da tua pele,
com sabor de língua.
Procuro um poema
perverso como eu,
triste, mas contestador.
Quero mais sal na comida,
mais prudência na vida,
evitar o espelho na saída,
sorrir na despedida
e sem dor nenhuma
negar essa paixão.
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1
Alcenor Candeira Filho
Carga
Carrego uma carteira de identidade
e mais outra de motorista
um titulo de eleitor
um certificado de reservista
um cartão de C.P.F.
uma certidão de nascimento
e outra de casamento
um diploma de bacharel
um seguro de vida
(em todos eles ALCENOR RODRIGUES CANDEIRA FILHO)
carrego uma calça
(uns trocados no bolso)
uma camisa
uma cueca
um sapato
muitas chaves
um automóvel
e um relógio
— e mais o peso abstrato da existência.
e mais outra de motorista
um titulo de eleitor
um certificado de reservista
um cartão de C.P.F.
uma certidão de nascimento
e outra de casamento
um diploma de bacharel
um seguro de vida
(em todos eles ALCENOR RODRIGUES CANDEIRA FILHO)
carrego uma calça
(uns trocados no bolso)
uma camisa
uma cueca
um sapato
muitas chaves
um automóvel
e um relógio
— e mais o peso abstrato da existência.
1 117
1
Pedro Xisto
Haicai
ao lado da lua
neste pinheiro vetusto
uma ave noturna
abro após as sombras
de par em par as vidraças:
alçam vôo as pombas
neste pinheiro vetusto
uma ave noturna
abro após as sombras
de par em par as vidraças:
alçam vôo as pombas
3 025
1
R. Petit
Papagaios de Papel
Quando eu era pequeno, venturoso,
Meus lindos papagaios empinando,
Dizia: — Não há nada mais pomposo
Que um papagaio de papel voando.
Cresci!...
Hoje, tristonho, pesaroso
Esses brinquedos de papel, olhando,
Logo descubro o vulto carunchoso
Dos que sobem a tudo se apegando.
Tipos que sobem de alma feita em trapos,
Mostrando ao mundo, despreocupados,
Uma cauda nojenta de farrapos...
Tipos de nulidade tão cruel!
Que só sabem subir encabrestados
Como esses papagaios de papel.
Meus lindos papagaios empinando,
Dizia: — Não há nada mais pomposo
Que um papagaio de papel voando.
Cresci!...
Hoje, tristonho, pesaroso
Esses brinquedos de papel, olhando,
Logo descubro o vulto carunchoso
Dos que sobem a tudo se apegando.
Tipos que sobem de alma feita em trapos,
Mostrando ao mundo, despreocupados,
Uma cauda nojenta de farrapos...
Tipos de nulidade tão cruel!
Que só sabem subir encabrestados
Como esses papagaios de papel.
1 211
1
Ednólia Fontenele
Espaço Livre
Na poesia
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
833
1
Ednólia Fontenele
Espaço Livre
Na poesia
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
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Ednólia Fontenele
Espaço Livre
Na poesia
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
não há espaço
para coisas
pequenas, fugazes.
Falemos pois
da fome do povo,
da miséria do trabalhador,
das injustiças,
das dificuldades dos menos
favorecidos.
Falemos da lama verde
que enche os olhos e bolsos
daquela gente de lá.
Na poesia
não há espaço
para coisas pequenas,
amores mesquinhos.
Falemos pois
dos homens que
cultivam espinhos,
escondem loucuras,
roubam sonhos,
colhem sangue
de toda gente!
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1
Everaldo Moreira Verás
Estranhas Formas
O zumbido me atormenta
já cresceu tanto que me engravidou.
De onde vem?
Por que me persegue?
Sei que não sei
mas sei
que é regular
singular
como a máquina fabricando o demônio de três pernas.
Esta ressonância equilibrada
me confunde:
a espada de fogo me aponta
direções opostas e complicadas.
Se corro — a repetição me busca.
Se paro — a desigualdade me ofusca.
Tenho dois ouvidos incompletos.
Por um entra a disciplina
da razão calma e delicada.
Por outro o desconexo, triste grito,
em ritmo de
eu-tu-ele-nós-vós-eles.
já cresceu tanto que me engravidou.
De onde vem?
Por que me persegue?
Sei que não sei
mas sei
que é regular
singular
como a máquina fabricando o demônio de três pernas.
Esta ressonância equilibrada
me confunde:
a espada de fogo me aponta
direções opostas e complicadas.
Se corro — a repetição me busca.
Se paro — a desigualdade me ofusca.
Tenho dois ouvidos incompletos.
Por um entra a disciplina
da razão calma e delicada.
Por outro o desconexo, triste grito,
em ritmo de
eu-tu-ele-nós-vós-eles.
753
1
Ascânio Lopes
Cataguazes
Para Carlos Drummond de Andrade
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
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Ascânio Lopes
Cataguazes
Para Carlos Drummond de Andrade
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
1 145
1
Rogaciano Leite Filho
Relógio
No tic-tac do tempo
o mundo passa.
Presa entre cordas
e correntes,
a mente se cala.
E a vida passa.
Sofrendo e morrendo
entre canhões e balas
o sangue se coalha.
E o tempo vai.
Correndo com fome
entre muros altos e duros
o homem se perde.
Mas, a vida passa.
o mundo passa.
Presa entre cordas
e correntes,
a mente se cala.
E a vida passa.
Sofrendo e morrendo
entre canhões e balas
o sangue se coalha.
E o tempo vai.
Correndo com fome
entre muros altos e duros
o homem se perde.
Mas, a vida passa.
1 207
1
Almir Fonseca
Soneto
Olhando a vastidão do céu, eu, desde jovem,
Admiro do Universo os mistérios profundos,
E desejo saber por que milhões de mundos
Sustentam-se no espaço e em órbitas se movem...
Com a Ciência examino os teoremas rotundos
Que os sábios, através dos séculos, promovem,
E não vejo quaisquer resoluções que provem
Os Planetas e o Sol de onde são oriundos...
Procuro e não encontro em toda a Astronomia,
Nas leis fundamentais dos grandes Galileus,
Onde acaba o Universo e o Cosmo principia...
E creio, concluindo os pensamentos meus,
Que, embora contrariando a vã Cosmogonia,
— Não há fim nem começo — em tudo existe Deus...
Admiro do Universo os mistérios profundos,
E desejo saber por que milhões de mundos
Sustentam-se no espaço e em órbitas se movem...
Com a Ciência examino os teoremas rotundos
Que os sábios, através dos séculos, promovem,
E não vejo quaisquer resoluções que provem
Os Planetas e o Sol de onde são oriundos...
Procuro e não encontro em toda a Astronomia,
Nas leis fundamentais dos grandes Galileus,
Onde acaba o Universo e o Cosmo principia...
E creio, concluindo os pensamentos meus,
Que, embora contrariando a vã Cosmogonia,
— Não há fim nem começo — em tudo existe Deus...
977
1
Ednólia Fontenele
O Rio Deságua em Mim
O rio deságua em mim!
algum braço do Parnaíba
prende minha intenção de viver longe.
Estou aqui
mas permaneço lá,
suando com o calor
de suas tardes quentes
que se afogam nas águas do mar.
O RIO PARNAÍBA DESÁGUA EM MIM
algum braço do Parnaíba
prende minha intenção de viver longe.
Estou aqui
mas permaneço lá,
suando com o calor
de suas tardes quentes
que se afogam nas águas do mar.
O RIO PARNAÍBA DESÁGUA EM MIM
935
1
Caetano Ximenes Aragão
Poema
João vivia no precisado
de pertences só os penduricalhos
Maria vivia no acontecido
de emprenhar todos os anos
Seus filhos viviam de morrer
sem saber, antes do tempo.
de pertences só os penduricalhos
Maria vivia no acontecido
de emprenhar todos os anos
Seus filhos viviam de morrer
sem saber, antes do tempo.
931
1
Renato Russo
A Fonte
O que há de errado comigo ?
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você que finge que vê, mas não vê
Lave suas mãos que é à sua porta que irão bater
Mas antes você verá seus pequenos filhos
Trazendo novidades
Quantas crianças foram mortas dessa vez ?
Não faça com os outros o que você não quer
Que seja feito com você
Você finge não ver
E isso dá câncer
Não sei mais do que sou capaz
Esperança, teus lençóis têm cheiro de doença
E veja que da fonte
Sou os quil"metros adiante
Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo
Você acha que sabe
Mas você não vê que a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo ?
Eu não sei de nada e continuo limpo
Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
- Sou filho da Terra e do Céu
Dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você que finge que vê, mas não vê
Lave suas mãos que é à sua porta que irão bater
Mas antes você verá seus pequenos filhos
Trazendo novidades
Quantas crianças foram mortas dessa vez ?
Não faça com os outros o que você não quer
Que seja feito com você
Você finge não ver
E isso dá câncer
Não sei mais do que sou capaz
Esperança, teus lençóis têm cheiro de doença
E veja que da fonte
Sou os quil"metros adiante
Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo
Você acha que sabe
Mas você não vê que a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo ?
Eu não sei de nada e continuo limpo
Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
- Sou filho da Terra e do Céu
Dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
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1
Renato Russo
A Fonte
O que há de errado comigo ?
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você que finge que vê, mas não vê
Lave suas mãos que é à sua porta que irão bater
Mas antes você verá seus pequenos filhos
Trazendo novidades
Quantas crianças foram mortas dessa vez ?
Não faça com os outros o que você não quer
Que seja feito com você
Você finge não ver
E isso dá câncer
Não sei mais do que sou capaz
Esperança, teus lençóis têm cheiro de doença
E veja que da fonte
Sou os quil"metros adiante
Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo
Você acha que sabe
Mas você não vê que a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo ?
Eu não sei de nada e continuo limpo
Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
- Sou filho da Terra e do Céu
Dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você que finge que vê, mas não vê
Lave suas mãos que é à sua porta que irão bater
Mas antes você verá seus pequenos filhos
Trazendo novidades
Quantas crianças foram mortas dessa vez ?
Não faça com os outros o que você não quer
Que seja feito com você
Você finge não ver
E isso dá câncer
Não sei mais do que sou capaz
Esperança, teus lençóis têm cheiro de doença
E veja que da fonte
Sou os quil"metros adiante
Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo
Você acha que sabe
Mas você não vê que a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo ?
Eu não sei de nada e continuo limpo
Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
- Sou filho da Terra e do Céu
Dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo
Olhe nos meus olhos, sou o Homem-Tocha
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
E esta é uma canção de amor
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