Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Charles Bukowski
Não Se Preocupe, Querida, Vou Dar Um Jeito
ele a viu em uma loja de bebidas
e isso mexeu com ele
mexeu mexeu mexeu
igual a came de tubarão ainda viva à luz do sol remexendo-se.
ele lançou seus olhos sobre ela,
um milagre, a ouviu falar com ele,
ela era divertida, ela o fazia dar risadas, ela o fazia sentir como se
todas as portas estivessem abertas para ele.
foi fácil. ela voltou com ele para sua casa.
eles conversaram. foi fácil. ela era uma foda gloriosa. eles
foderam 3 vezes. ela
ficou.
"Smaltz", telefonaram-lhe do serviço no dia seguinte,
"o que você está fazendo, por que você não veio?!
nós temos a encomenda da Granger-Wently para despachar:
45 rodos de seis pés e 90 galões de
tinta Day-Glo ultramarina! Db
"estou ocupado," ele disse, e eles responderam,
"podemos conseguir um despachante de cargas
em qualquer lugar!" ele desligou, a virou e
a fodeu
de novo.
não foi a mesma coisa que com as outras:
toda vez que acabava ele sentia que ainda queria mais.
quando ela se dirigia ao banheiro era como se ele
não a tivesse tido realmente, e qualquer coisa que ela vestisse,
um chapéu feito de jornais, um par das suas meias, ela parecia
gloriosa, divertida divertida, diabos, ela o fazia sentir-se bem,
tudo o que ela dizia, porra, era uma
piada, ela encostaria aquele seu corpo contra o seu toda manhã e
diria, "ah, não vá pro trabalho, Eddie querido, fique comigo!"
"Eu não posso ir trabalhar, meu bem, eu não tenho mais emprego", ele
diria,
e eles começariam tudo
de novo.
e assim chegou o dia: sem aluguel, sem café, sem vinho, sem
cigarros. o senhorio declarou: mais um dia;
resolva ou caia fora -!
"merda, eu achei que você sabia o que estava fazendo",
ela disse a Smaltz, pela primeira vez ela não estava
divertida.
"não se preocupe, querida, vou dar um jeito", ele lhe disse,
e partiram para uma última das boas.
sorte, ele tinha a .32. pensou, loja de bebidas, não, eu vou
meter a mão na massa, ela vai ter de
tudo, ela é minha, para mim, chapéu de papel, todo esse
rebolado, deus, não há nada
igual.
ele tentou o banco. aquele grande e cinzento lá perto.
ele entrou. estava pronto: a .32, o saco de papel, o bilhete:
"um assalto. quieto e você não morre. nada de apertar o botão, ponha
dinheiro no
saco. eu estou desesperado e vou matar. por favor, deixe nós dois
vivermos".
ela esvaziou a gaveta no saco. ele viu:
monte de notas de cem, de cinquenta, minha nossa. uma viagem a Paris.
a caixa do banco também parecia boa. ele gostaria de fodê-la,
quem não gostaria.
ele estava quase na porta
quando sentiu que ela havia disparado o botão
de alarme. eles até haviam afastado a
multidão. o guarda na porta foi fácil -
era tão gordo que Smaltz não teve como errar:
ele caiu como um boneco.
lá fora ele viu o carro da polícia:
a coisa estava indo na contramão da
rua - como podiam fazer aquilo? -
acompanhando-o enquanto ele corria
e disparando tiros em seu rabo,
chegando perto; ele subiu correndo por um beco sem saída,
mas alcançou um elevador de carga
parado. "sobe! SOBE!"
ele berrou para outro esquisitão
mas o esquisitão ficou parado
olhando para a sua .32, e ele atirou no esquisitão,
não havia mais nada a ser feito,
e ele estava mexendo nos controles, tentando
fechar as portas
quando eles o alcançaram ali, atiraram nele,
atiraram dentro daquele elevador vagabundo; ele não conseguia dar
um tiro de volta. eles o pegaram, pegaram o saco de papel da sua
mão.
na noite seguinte ela estava dormindo com o dono de uma
loja de ferragens, Harry, uma renda boa e sólida, 2 dedos
faltando em sua mão direita - acidente de caça em Indiana,
1938.
você consegue outro despachante de carga
em qualquer lugar.
e isso mexeu com ele
mexeu mexeu mexeu
igual a came de tubarão ainda viva à luz do sol remexendo-se.
ele lançou seus olhos sobre ela,
um milagre, a ouviu falar com ele,
ela era divertida, ela o fazia dar risadas, ela o fazia sentir como se
todas as portas estivessem abertas para ele.
foi fácil. ela voltou com ele para sua casa.
eles conversaram. foi fácil. ela era uma foda gloriosa. eles
foderam 3 vezes. ela
ficou.
"Smaltz", telefonaram-lhe do serviço no dia seguinte,
"o que você está fazendo, por que você não veio?!
nós temos a encomenda da Granger-Wently para despachar:
45 rodos de seis pés e 90 galões de
tinta Day-Glo ultramarina! Db
"estou ocupado," ele disse, e eles responderam,
"podemos conseguir um despachante de cargas
em qualquer lugar!" ele desligou, a virou e
a fodeu
de novo.
não foi a mesma coisa que com as outras:
toda vez que acabava ele sentia que ainda queria mais.
quando ela se dirigia ao banheiro era como se ele
não a tivesse tido realmente, e qualquer coisa que ela vestisse,
um chapéu feito de jornais, um par das suas meias, ela parecia
gloriosa, divertida divertida, diabos, ela o fazia sentir-se bem,
tudo o que ela dizia, porra, era uma
piada, ela encostaria aquele seu corpo contra o seu toda manhã e
diria, "ah, não vá pro trabalho, Eddie querido, fique comigo!"
"Eu não posso ir trabalhar, meu bem, eu não tenho mais emprego", ele
diria,
e eles começariam tudo
de novo.
e assim chegou o dia: sem aluguel, sem café, sem vinho, sem
cigarros. o senhorio declarou: mais um dia;
resolva ou caia fora -!
"merda, eu achei que você sabia o que estava fazendo",
ela disse a Smaltz, pela primeira vez ela não estava
divertida.
"não se preocupe, querida, vou dar um jeito", ele lhe disse,
e partiram para uma última das boas.
sorte, ele tinha a .32. pensou, loja de bebidas, não, eu vou
meter a mão na massa, ela vai ter de
tudo, ela é minha, para mim, chapéu de papel, todo esse
rebolado, deus, não há nada
igual.
ele tentou o banco. aquele grande e cinzento lá perto.
ele entrou. estava pronto: a .32, o saco de papel, o bilhete:
"um assalto. quieto e você não morre. nada de apertar o botão, ponha
dinheiro no
saco. eu estou desesperado e vou matar. por favor, deixe nós dois
vivermos".
ela esvaziou a gaveta no saco. ele viu:
monte de notas de cem, de cinquenta, minha nossa. uma viagem a Paris.
a caixa do banco também parecia boa. ele gostaria de fodê-la,
quem não gostaria.
ele estava quase na porta
quando sentiu que ela havia disparado o botão
de alarme. eles até haviam afastado a
multidão. o guarda na porta foi fácil -
era tão gordo que Smaltz não teve como errar:
ele caiu como um boneco.
lá fora ele viu o carro da polícia:
a coisa estava indo na contramão da
rua - como podiam fazer aquilo? -
acompanhando-o enquanto ele corria
e disparando tiros em seu rabo,
chegando perto; ele subiu correndo por um beco sem saída,
mas alcançou um elevador de carga
parado. "sobe! SOBE!"
ele berrou para outro esquisitão
mas o esquisitão ficou parado
olhando para a sua .32, e ele atirou no esquisitão,
não havia mais nada a ser feito,
e ele estava mexendo nos controles, tentando
fechar as portas
quando eles o alcançaram ali, atiraram nele,
atiraram dentro daquele elevador vagabundo; ele não conseguia dar
um tiro de volta. eles o pegaram, pegaram o saco de papel da sua
mão.
na noite seguinte ela estava dormindo com o dono de uma
loja de ferragens, Harry, uma renda boa e sólida, 2 dedos
faltando em sua mão direita - acidente de caça em Indiana,
1938.
você consegue outro despachante de carga
em qualquer lugar.
1 057
Charles Bukowski
Não Se Preocupe, Querida, Vou Dar Um Jeito
ele a viu em uma loja de bebidas
e isso mexeu com ele
mexeu mexeu mexeu
igual a came de tubarão ainda viva à luz do sol remexendo-se.
ele lançou seus olhos sobre ela,
um milagre, a ouviu falar com ele,
ela era divertida, ela o fazia dar risadas, ela o fazia sentir como se
todas as portas estivessem abertas para ele.
foi fácil. ela voltou com ele para sua casa.
eles conversaram. foi fácil. ela era uma foda gloriosa. eles
foderam 3 vezes. ela
ficou.
"Smaltz", telefonaram-lhe do serviço no dia seguinte,
"o que você está fazendo, por que você não veio?!
nós temos a encomenda da Granger-Wently para despachar:
45 rodos de seis pés e 90 galões de
tinta Day-Glo ultramarina! Db
"estou ocupado," ele disse, e eles responderam,
"podemos conseguir um despachante de cargas
em qualquer lugar!" ele desligou, a virou e
a fodeu
de novo.
não foi a mesma coisa que com as outras:
toda vez que acabava ele sentia que ainda queria mais.
quando ela se dirigia ao banheiro era como se ele
não a tivesse tido realmente, e qualquer coisa que ela vestisse,
um chapéu feito de jornais, um par das suas meias, ela parecia
gloriosa, divertida divertida, diabos, ela o fazia sentir-se bem,
tudo o que ela dizia, porra, era uma
piada, ela encostaria aquele seu corpo contra o seu toda manhã e
diria, "ah, não vá pro trabalho, Eddie querido, fique comigo!"
"Eu não posso ir trabalhar, meu bem, eu não tenho mais emprego", ele
diria,
e eles começariam tudo
de novo.
e assim chegou o dia: sem aluguel, sem café, sem vinho, sem
cigarros. o senhorio declarou: mais um dia;
resolva ou caia fora -!
"merda, eu achei que você sabia o que estava fazendo",
ela disse a Smaltz, pela primeira vez ela não estava
divertida.
"não se preocupe, querida, vou dar um jeito", ele lhe disse,
e partiram para uma última das boas.
sorte, ele tinha a .32. pensou, loja de bebidas, não, eu vou
meter a mão na massa, ela vai ter de
tudo, ela é minha, para mim, chapéu de papel, todo esse
rebolado, deus, não há nada
igual.
ele tentou o banco. aquele grande e cinzento lá perto.
ele entrou. estava pronto: a .32, o saco de papel, o bilhete:
"um assalto. quieto e você não morre. nada de apertar o botão, ponha
dinheiro no
saco. eu estou desesperado e vou matar. por favor, deixe nós dois
vivermos".
ela esvaziou a gaveta no saco. ele viu:
monte de notas de cem, de cinquenta, minha nossa. uma viagem a Paris.
a caixa do banco também parecia boa. ele gostaria de fodê-la,
quem não gostaria.
ele estava quase na porta
quando sentiu que ela havia disparado o botão
de alarme. eles até haviam afastado a
multidão. o guarda na porta foi fácil -
era tão gordo que Smaltz não teve como errar:
ele caiu como um boneco.
lá fora ele viu o carro da polícia:
a coisa estava indo na contramão da
rua - como podiam fazer aquilo? -
acompanhando-o enquanto ele corria
e disparando tiros em seu rabo,
chegando perto; ele subiu correndo por um beco sem saída,
mas alcançou um elevador de carga
parado. "sobe! SOBE!"
ele berrou para outro esquisitão
mas o esquisitão ficou parado
olhando para a sua .32, e ele atirou no esquisitão,
não havia mais nada a ser feito,
e ele estava mexendo nos controles, tentando
fechar as portas
quando eles o alcançaram ali, atiraram nele,
atiraram dentro daquele elevador vagabundo; ele não conseguia dar
um tiro de volta. eles o pegaram, pegaram o saco de papel da sua
mão.
na noite seguinte ela estava dormindo com o dono de uma
loja de ferragens, Harry, uma renda boa e sólida, 2 dedos
faltando em sua mão direita - acidente de caça em Indiana,
1938.
você consegue outro despachante de carga
em qualquer lugar.
e isso mexeu com ele
mexeu mexeu mexeu
igual a came de tubarão ainda viva à luz do sol remexendo-se.
ele lançou seus olhos sobre ela,
um milagre, a ouviu falar com ele,
ela era divertida, ela o fazia dar risadas, ela o fazia sentir como se
todas as portas estivessem abertas para ele.
foi fácil. ela voltou com ele para sua casa.
eles conversaram. foi fácil. ela era uma foda gloriosa. eles
foderam 3 vezes. ela
ficou.
"Smaltz", telefonaram-lhe do serviço no dia seguinte,
"o que você está fazendo, por que você não veio?!
nós temos a encomenda da Granger-Wently para despachar:
45 rodos de seis pés e 90 galões de
tinta Day-Glo ultramarina! Db
"estou ocupado," ele disse, e eles responderam,
"podemos conseguir um despachante de cargas
em qualquer lugar!" ele desligou, a virou e
a fodeu
de novo.
não foi a mesma coisa que com as outras:
toda vez que acabava ele sentia que ainda queria mais.
quando ela se dirigia ao banheiro era como se ele
não a tivesse tido realmente, e qualquer coisa que ela vestisse,
um chapéu feito de jornais, um par das suas meias, ela parecia
gloriosa, divertida divertida, diabos, ela o fazia sentir-se bem,
tudo o que ela dizia, porra, era uma
piada, ela encostaria aquele seu corpo contra o seu toda manhã e
diria, "ah, não vá pro trabalho, Eddie querido, fique comigo!"
"Eu não posso ir trabalhar, meu bem, eu não tenho mais emprego", ele
diria,
e eles começariam tudo
de novo.
e assim chegou o dia: sem aluguel, sem café, sem vinho, sem
cigarros. o senhorio declarou: mais um dia;
resolva ou caia fora -!
"merda, eu achei que você sabia o que estava fazendo",
ela disse a Smaltz, pela primeira vez ela não estava
divertida.
"não se preocupe, querida, vou dar um jeito", ele lhe disse,
e partiram para uma última das boas.
sorte, ele tinha a .32. pensou, loja de bebidas, não, eu vou
meter a mão na massa, ela vai ter de
tudo, ela é minha, para mim, chapéu de papel, todo esse
rebolado, deus, não há nada
igual.
ele tentou o banco. aquele grande e cinzento lá perto.
ele entrou. estava pronto: a .32, o saco de papel, o bilhete:
"um assalto. quieto e você não morre. nada de apertar o botão, ponha
dinheiro no
saco. eu estou desesperado e vou matar. por favor, deixe nós dois
vivermos".
ela esvaziou a gaveta no saco. ele viu:
monte de notas de cem, de cinquenta, minha nossa. uma viagem a Paris.
a caixa do banco também parecia boa. ele gostaria de fodê-la,
quem não gostaria.
ele estava quase na porta
quando sentiu que ela havia disparado o botão
de alarme. eles até haviam afastado a
multidão. o guarda na porta foi fácil -
era tão gordo que Smaltz não teve como errar:
ele caiu como um boneco.
lá fora ele viu o carro da polícia:
a coisa estava indo na contramão da
rua - como podiam fazer aquilo? -
acompanhando-o enquanto ele corria
e disparando tiros em seu rabo,
chegando perto; ele subiu correndo por um beco sem saída,
mas alcançou um elevador de carga
parado. "sobe! SOBE!"
ele berrou para outro esquisitão
mas o esquisitão ficou parado
olhando para a sua .32, e ele atirou no esquisitão,
não havia mais nada a ser feito,
e ele estava mexendo nos controles, tentando
fechar as portas
quando eles o alcançaram ali, atiraram nele,
atiraram dentro daquele elevador vagabundo; ele não conseguia dar
um tiro de volta. eles o pegaram, pegaram o saco de papel da sua
mão.
na noite seguinte ela estava dormindo com o dono de uma
loja de ferragens, Harry, uma renda boa e sólida, 2 dedos
faltando em sua mão direita - acidente de caça em Indiana,
1938.
você consegue outro despachante de carga
em qualquer lugar.
1 057
Charles Bukowski
A Velha
ela vivia na última casa velha
do quarteirão -
você conhece o tipo: coberta de trepadeiras, escura, quieta.
seus vizinhos haviam ido embora -
nada a não ser prédios de apartamentos de muitos andares por todo lugar.
era vista duas ou três vezes por semana
empurrando seu carrinho de compras sobre duas rodas;
depois ela voltava com coisas empacotadas,
entrava na casa, e era só
isso. nunca falou com ninguém.
foi na semana passada por volta das 3:30 da tarde
que a casa dela começou a deslizar sobre os alicerces.
era um deslizamento muito lento
passando a impressão de que a casa só estava dando um passo
à frente para dar um passeio rua abaixo -
exceto por algumas tábuas que começaram a estalar -
soava como tiros de espingarda, e a casa gemeu só um
pouco - um sombrio gemido verde.
alguém chamou o corpo de bombeiros
e homens corriam ao redor desligando o gás
e berrando uns com os outros
e dizendo à multidão para se afastar
e logo veio um desses caminhões da TV
e eles filmaram a casa
inclinando-se para a rua.
então a porta da frente se abriu e a velha
senhorinha saiu.
miraram a câmera nela e uma mulher veio correndo com um
microfone.
"há quanto tempo a senhora mora nesta casa?"
"5o anos."
"a senhora tem seguro?"
Nao 33
"o que a senhora vai fazer
agora?"
"voltar para a Irlanda", ela disse.
então ela saiu andando e deixou todos eles parados
lá.
do quarteirão -
você conhece o tipo: coberta de trepadeiras, escura, quieta.
seus vizinhos haviam ido embora -
nada a não ser prédios de apartamentos de muitos andares por todo lugar.
era vista duas ou três vezes por semana
empurrando seu carrinho de compras sobre duas rodas;
depois ela voltava com coisas empacotadas,
entrava na casa, e era só
isso. nunca falou com ninguém.
foi na semana passada por volta das 3:30 da tarde
que a casa dela começou a deslizar sobre os alicerces.
era um deslizamento muito lento
passando a impressão de que a casa só estava dando um passo
à frente para dar um passeio rua abaixo -
exceto por algumas tábuas que começaram a estalar -
soava como tiros de espingarda, e a casa gemeu só um
pouco - um sombrio gemido verde.
alguém chamou o corpo de bombeiros
e homens corriam ao redor desligando o gás
e berrando uns com os outros
e dizendo à multidão para se afastar
e logo veio um desses caminhões da TV
e eles filmaram a casa
inclinando-se para a rua.
então a porta da frente se abriu e a velha
senhorinha saiu.
miraram a câmera nela e uma mulher veio correndo com um
microfone.
"há quanto tempo a senhora mora nesta casa?"
"5o anos."
"a senhora tem seguro?"
Nao 33
"o que a senhora vai fazer
agora?"
"voltar para a Irlanda", ela disse.
então ela saiu andando e deixou todos eles parados
lá.
1 073
Charles Bukowski
Um Acordo Sobre Tchaikovsky
minhas duas pernas estão quebradas nos joelhos
e eu não posso mexer meu braço direito:
é primavera e os pássaros estão saltitando
para dentro e para fora dos arbustos
enlouquecendo os gatos.
meu bom amigo, Randy, frequenta os
sanitários para homens na pista de corridas
em busca de carteiras: garoto esperto:
se os pais dele fossem ricos
ele me diz que teria seguido
para Harvard.
ela fica tocando a 4a de Tchaikovsky,
aquela assim:
ka plunk plunk plunk plunk plunk;
não gosto
mas a velha senhora Rose
minha vizinha
na Casa de Repouso Sunset Park
acha que é
lindo.
todo mundo aqui é velho demais para usar
a quadra de tênis
há uma camada de pó em cima da coisa toda
e a rede é um emaranhado de fios rasgados.
a velha senhora Rose foi visitar seus filhos hoje -
isto é, eles vieram e a apanharam, o traste;
ela nem consegue andar
e suas pernas sequer estão quebradas -
ela não passa de um enfadonho
peido velho!
eu fui de cadeira de rodas há pouco até o quarto dela
e achei uma nota de 10 dólares dobrada bem
limpinha
e arrumadinha:
ela achava que ninguém a encontraria
dentro de um de seus velhos chinelos
mas eu estive rondando
e ela virá bater à minha porta esta noite
pedindo uma "pequena dose de scotch";
cara, toda essa besteira sobre as terras que ela COSTUMAVA
ter no Arizona e como seu marido COSTUMAVA
usar polainas e sair de bengala!
ele não precisa usar mais nada no lugar onde está agora;
e enquanto estive lá dentro
eu arrebentei a velha 4a de Tchaikovsky no braço de uma cadeira
quebrei-a para valer.
e a velha senhora Rose tinha razão:
soava maravilhosamente para mim:
qualquer coisa como
nozes quebrando.
e eu não posso mexer meu braço direito:
é primavera e os pássaros estão saltitando
para dentro e para fora dos arbustos
enlouquecendo os gatos.
meu bom amigo, Randy, frequenta os
sanitários para homens na pista de corridas
em busca de carteiras: garoto esperto:
se os pais dele fossem ricos
ele me diz que teria seguido
para Harvard.
ela fica tocando a 4a de Tchaikovsky,
aquela assim:
ka plunk plunk plunk plunk plunk;
não gosto
mas a velha senhora Rose
minha vizinha
na Casa de Repouso Sunset Park
acha que é
lindo.
todo mundo aqui é velho demais para usar
a quadra de tênis
há uma camada de pó em cima da coisa toda
e a rede é um emaranhado de fios rasgados.
a velha senhora Rose foi visitar seus filhos hoje -
isto é, eles vieram e a apanharam, o traste;
ela nem consegue andar
e suas pernas sequer estão quebradas -
ela não passa de um enfadonho
peido velho!
eu fui de cadeira de rodas há pouco até o quarto dela
e achei uma nota de 10 dólares dobrada bem
limpinha
e arrumadinha:
ela achava que ninguém a encontraria
dentro de um de seus velhos chinelos
mas eu estive rondando
e ela virá bater à minha porta esta noite
pedindo uma "pequena dose de scotch";
cara, toda essa besteira sobre as terras que ela COSTUMAVA
ter no Arizona e como seu marido COSTUMAVA
usar polainas e sair de bengala!
ele não precisa usar mais nada no lugar onde está agora;
e enquanto estive lá dentro
eu arrebentei a velha 4a de Tchaikovsky no braço de uma cadeira
quebrei-a para valer.
e a velha senhora Rose tinha razão:
soava maravilhosamente para mim:
qualquer coisa como
nozes quebrando.
1 107
Charles Bukowski
Pavão Ou Campainha
estou rindo com a boca fechada;
enquanto folheio meu jornal
é como uma sinfonia que desandou:
vendo demais para fazer-me duvidar
aí em clarões através da página.
é como um filme barato que endoidou;
minhas roupas repousam nas cadeiras
como os mortos que foram esvaziados,
cascas de coisas embaçando a vista;
está mais frio que no inferno (sim) mas
os cobertores são finos,
e as cortinas fechadas
estão cheias de buracos assim como o amor.
eu acho que você tem que ser um esportista;
sim, para o esportista tudo está certo:
basta você puxar a arma
e estourar a cabeça de alguém
talvez da donzela sentada na
cadeira na qual a vovó sentava,
mas não tendo uma arma
eu vou até o telefone
e ligo para uma mulher tão velha quanto a cadeira e a vovó,
e ela promete vir e me encantar;
ela tem uma escova de dentes mas não tem dentes
e provavelmente eu dançarei nu para ela
com a bola da minha barriga como um saco branco,
cada homem tem suas próprias escapatórias: a minha é duvidosa
mas tem dado certo ultimamente
e a música que ela faz às vezes me assusta,
mas então
eu acordo, compro um jornal,
chuto uma lata,
abro a cortina,
começo de novo.
enquanto folheio meu jornal
é como uma sinfonia que desandou:
vendo demais para fazer-me duvidar
aí em clarões através da página.
é como um filme barato que endoidou;
minhas roupas repousam nas cadeiras
como os mortos que foram esvaziados,
cascas de coisas embaçando a vista;
está mais frio que no inferno (sim) mas
os cobertores são finos,
e as cortinas fechadas
estão cheias de buracos assim como o amor.
eu acho que você tem que ser um esportista;
sim, para o esportista tudo está certo:
basta você puxar a arma
e estourar a cabeça de alguém
talvez da donzela sentada na
cadeira na qual a vovó sentava,
mas não tendo uma arma
eu vou até o telefone
e ligo para uma mulher tão velha quanto a cadeira e a vovó,
e ela promete vir e me encantar;
ela tem uma escova de dentes mas não tem dentes
e provavelmente eu dançarei nu para ela
com a bola da minha barriga como um saco branco,
cada homem tem suas próprias escapatórias: a minha é duvidosa
mas tem dado certo ultimamente
e a música que ela faz às vezes me assusta,
mas então
eu acordo, compro um jornal,
chuto uma lata,
abro a cortina,
começo de novo.
684
Charles Bukowski
Canção de Amor Invertida
eu poderia desmanchar 90 montanhas aos berros
até torná-las menos que pó
se apenas um ser humano tivesse olhos na cabeça
e coração no corpo,
mas não há chance,
meu deus,
nenhuma chance.
rato com rato cão com cão porco com porco,
ouça o piano bêbado,
perceba o mito da misericórdia
fique quieto
pois até a voz de uma criança rosna
e nós não fomos enganados,
foi só porque quisemos acreditar.
até torná-las menos que pó
se apenas um ser humano tivesse olhos na cabeça
e coração no corpo,
mas não há chance,
meu deus,
nenhuma chance.
rato com rato cão com cão porco com porco,
ouça o piano bêbado,
perceba o mito da misericórdia
fique quieto
pois até a voz de uma criança rosna
e nós não fomos enganados,
foi só porque quisemos acreditar.
948
Charles Bukowski
Lençóis
esses lençóis que você tem aqui,
disse a velha senhora
no departamento de artigos domésticos,
são para uma cama de casal.
o senhor tem uma cama de casal ou uma
cama de solteiro?
veja bem, eu respondi,
minha cama é uma cama incomum, é
assim meio que de solteiro e
meio.
descreva sua cama, ela disse
o quê?
descreva sua
cama.
eu prefiro não, eu disse.
bem, disse a velha senhora, eu quero que
saiba que os lençóis que o senhor tem aí são
para uma cama de casal, e se o senhor tem uma cama de
solteiro, então é contra a lei
estadual.
o quê? eu perguntei. diga isso
de novo.
eu disse, é contra a lei
estadual.
quer dizer que...? eu perguntei.
quero dizer que o senhor não pode devolver estes lençóis
depois de abrir o
pacote.
tudo bem, eu disse, dê-me um par de
solteiro.
ela então me tratou com um desprezo
confortável. eu acredito que a velha senhora tivesse estado nos
lençóis por toda a sua
vida. eu acho que deveriam colocar garotas
no departamento de lençóis.
afinal de contas, lençóis não me fazem pensar em dormir
de jeito nenhum
mas em outra coisa
inteiramente, especialmente lençóis novos bem
fresquinhos.
eles deviam colocar velhas senhoras como ela no
departamento de comida para cachorros. ou ferramentas para jardim. e
quando ela me deu os de solteiro eu soube que ela sabia que eu dormia
sozinho. assim como
ela.
disse a velha senhora
no departamento de artigos domésticos,
são para uma cama de casal.
o senhor tem uma cama de casal ou uma
cama de solteiro?
veja bem, eu respondi,
minha cama é uma cama incomum, é
assim meio que de solteiro e
meio.
descreva sua cama, ela disse
o quê?
descreva sua
cama.
eu prefiro não, eu disse.
bem, disse a velha senhora, eu quero que
saiba que os lençóis que o senhor tem aí são
para uma cama de casal, e se o senhor tem uma cama de
solteiro, então é contra a lei
estadual.
o quê? eu perguntei. diga isso
de novo.
eu disse, é contra a lei
estadual.
quer dizer que...? eu perguntei.
quero dizer que o senhor não pode devolver estes lençóis
depois de abrir o
pacote.
tudo bem, eu disse, dê-me um par de
solteiro.
ela então me tratou com um desprezo
confortável. eu acredito que a velha senhora tivesse estado nos
lençóis por toda a sua
vida. eu acho que deveriam colocar garotas
no departamento de lençóis.
afinal de contas, lençóis não me fazem pensar em dormir
de jeito nenhum
mas em outra coisa
inteiramente, especialmente lençóis novos bem
fresquinhos.
eles deviam colocar velhas senhoras como ela no
departamento de comida para cachorros. ou ferramentas para jardim. e
quando ela me deu os de solteiro eu soube que ela sabia que eu dormia
sozinho. assim como
ela.
982
Charles Bukowski
Tudo Certo, Camus
encontrei esse cara em algum lugar, inferno, seus olhos pareciam aqueles
de um louco
ou talvez fosse apenas meu reflexo neles.
bem, de qualquer modo, ele me disse, você leu Camus?
estamos ambos no bar sem mulheres procurando
um pedaço de rabo ou alguma saída através do teto do céu e
não estava funcionando - só havia o balconista do bar perguntando-se
por que
havia se metido nesse negócio
e eu, muito desanimado com o fato de até agora só ter sido traduzido
em 6 ou 7 línguas.
o cara continuava a falar -
O estrangeiro, você sabe, o livro que retrata nossa sociedade moderna -
sobre o homem amortecido que não
conseguia chorar no funeral da mãe dele, que
matou um árabe ou dois sem nem mesmo saber por quê -
ele prosseguia e prosseguia
e prosseguia e prosseguia
contando-me que filho de uma puta era O estrangeiro,
e fiquei pensando que talvez ele tivesse razão -
você sabe, esses discursos horrorosos diante da Academia Francesa -
você não saberia dizer se Camus estava falando pelo
canto da sua boca ou
se ele estava
sério. ele certamente não soava melhor que
o sujeito a meu lado no bar
e nós estávamos apenas procurando
xota.
foi muito triste -
o tempo todo O estrangeiro havia sido meu herói
porque eu achava que ele enxergara para além da tentativa
ou do cuidado
porque tudo era uma tamanha chatice
tão sem sentido -
a vida em um grande buraco no chão olhando para cima -
e eu estava errado mais uma vez:
inferno, eu era O estrangeiro e o livro simplesmente não havia saído
do jeito que
deveria.
de um louco
ou talvez fosse apenas meu reflexo neles.
bem, de qualquer modo, ele me disse, você leu Camus?
estamos ambos no bar sem mulheres procurando
um pedaço de rabo ou alguma saída através do teto do céu e
não estava funcionando - só havia o balconista do bar perguntando-se
por que
havia se metido nesse negócio
e eu, muito desanimado com o fato de até agora só ter sido traduzido
em 6 ou 7 línguas.
o cara continuava a falar -
O estrangeiro, você sabe, o livro que retrata nossa sociedade moderna -
sobre o homem amortecido que não
conseguia chorar no funeral da mãe dele, que
matou um árabe ou dois sem nem mesmo saber por quê -
ele prosseguia e prosseguia
e prosseguia e prosseguia
contando-me que filho de uma puta era O estrangeiro,
e fiquei pensando que talvez ele tivesse razão -
você sabe, esses discursos horrorosos diante da Academia Francesa -
você não saberia dizer se Camus estava falando pelo
canto da sua boca ou
se ele estava
sério. ele certamente não soava melhor que
o sujeito a meu lado no bar
e nós estávamos apenas procurando
xota.
foi muito triste -
o tempo todo O estrangeiro havia sido meu herói
porque eu achava que ele enxergara para além da tentativa
ou do cuidado
porque tudo era uma tamanha chatice
tão sem sentido -
a vida em um grande buraco no chão olhando para cima -
e eu estava errado mais uma vez:
inferno, eu era O estrangeiro e o livro simplesmente não havia saído
do jeito que
deveria.
1 076
Charles Bukowski
Guerra e Paz
experimentar a
verdadeira agonia
é
algo
duro
de escrever a respeito,
impossível
de entender
quando o
pega:
você fica
amedrontado
até a
medula,
não pode parar
quieto,
mexer-se
ou até
ficar
louco
decentemente.
e então
quando sua compostura
finalmente
retorna
e você
consegue
avaliar
a
experiência
é quase
como se
tivesse acontecido
a
outra
pessoa
pois
veja
você
agora:
calmo
desligado
por exemplo
limpando suas
unhas
procurando em
uma
gaveta
por
selos
passando
graxa
em seus
sapatos
ou
pagando a
conta
da luz.
a vida é
e não é
uma
delicada
chatice.
verdadeira agonia
é
algo
duro
de escrever a respeito,
impossível
de entender
quando o
pega:
você fica
amedrontado
até a
medula,
não pode parar
quieto,
mexer-se
ou até
ficar
louco
decentemente.
e então
quando sua compostura
finalmente
retorna
e você
consegue
avaliar
a
experiência
é quase
como se
tivesse acontecido
a
outra
pessoa
pois
veja
você
agora:
calmo
desligado
por exemplo
limpando suas
unhas
procurando em
uma
gaveta
por
selos
passando
graxa
em seus
sapatos
ou
pagando a
conta
da luz.
a vida é
e não é
uma
delicada
chatice.
706
Charles Bukowski
O Que Fez Você Perder Sua Inspiração?
Norman goteja uma imbecilidade
autocomplacente enquanto fica sentado em meu sofá e
dá risadinhas, puxa
sua barba doentia
e fala de sua namorada Katrinka,
Eugene Debs, F. Scott Fitzgerald e
LSD.
um mau escritor, quase inédito, isso lhe
dá forças enquanto
ele fica ali e me conta
que minha própria escrita desceu ladeira abaixo de
uma erupção vulcânica para uma faísca
de isqueiro.
eu lhe dou algo para beber e
ele desce para o assoalho e
começa a falar para dentro do meu gravador.
acendo um charuto e
Ouço.
"quero ser o escritor Número Um do Nosso
Tempo. quero andar pelas ruas e ouvir as pessoas
dizerem, "ei, veja, lá vai Norman! quero que as pessoas
gostem de meus poemas, quero que as pessoas enlouqueçam com meus
poemas..."
resolvo que essa provavelmente é uma gravação honesta
mas de má qualidade
e não ouço
mais.
uns 30 minutos e 3 latas de cerveja mais tarde
a fita termina de
rodar. Norman ajusta sua gravata,
ergue-se da posição de joelhos e fica
sentado.
"Jack M. diz que tem que faturar 8 mil este ano ou ele estará
acabado."
eu começo outro
charuto.
"vou almoçar com Ray
Bradbury, na terça."
eu não respondo.
"Jesus!"
ele de repente dá um pulo, corre para o meu banheiro e
começa a vomitar. isso prossegue por algum
tempo.
"eu me sinto melhor", ele diz
voltando
para a sala.
"tome mais um drinque", eu digo.
"eu o levarei de carro para a sua aula
de manhã."
"ótimo", ele diz, tirando a espuma do topo de uma cerveja.
aí ele me olha e pergunta,
"onde você tem sido publicado
ultimamente?"
eu estendo a palma das mãos e
dou de ombros.
"Jesus, ora essa! o que fez você perder sua
inspiração?"
"bebida. gente. casamento. gente.
casamento outra vez. um filho. bebida.
gente. empregos. desempregos. bebida e
gente."
"meu professor gostaria que você conversasse com
seus alunos. ele ganhou o Prêmio Lamont de Poesia e
gosta de você."
"diga ao seu professor para ir para o inferno. diga-lhe que
eu estou acabado."
"você é sensível."
"não, sou apenas um lampejo na
frigideira."
nós bebemos e bebemos. logo ele está dormindo
no sofá, 120 quilos dele sacudindo o telhado
com sua poesia.
eu vou para o quarto e ligo o despertador para as
10 da manhã da aula de inglês dele. a bebida desce
melhor agora, mas ao subir na cama
eu penso, de onde vêm esses desgraçados e
o que aconteceu com todo mundo? verdade, eu
estou enlouquecendo.
a luz se apaga
e então um alarme contra ladrões
em algum lugar por perto
se intromete em seus
roncos. muito pertinente, eu penso,
pertinente demais
para uma noite muito desperdiçada
em dezembro de
1965 ou
qualquer outro tempo
que for.
autocomplacente enquanto fica sentado em meu sofá e
dá risadinhas, puxa
sua barba doentia
e fala de sua namorada Katrinka,
Eugene Debs, F. Scott Fitzgerald e
LSD.
um mau escritor, quase inédito, isso lhe
dá forças enquanto
ele fica ali e me conta
que minha própria escrita desceu ladeira abaixo de
uma erupção vulcânica para uma faísca
de isqueiro.
eu lhe dou algo para beber e
ele desce para o assoalho e
começa a falar para dentro do meu gravador.
acendo um charuto e
Ouço.
"quero ser o escritor Número Um do Nosso
Tempo. quero andar pelas ruas e ouvir as pessoas
dizerem, "ei, veja, lá vai Norman! quero que as pessoas
gostem de meus poemas, quero que as pessoas enlouqueçam com meus
poemas..."
resolvo que essa provavelmente é uma gravação honesta
mas de má qualidade
e não ouço
mais.
uns 30 minutos e 3 latas de cerveja mais tarde
a fita termina de
rodar. Norman ajusta sua gravata,
ergue-se da posição de joelhos e fica
sentado.
"Jack M. diz que tem que faturar 8 mil este ano ou ele estará
acabado."
eu começo outro
charuto.
"vou almoçar com Ray
Bradbury, na terça."
eu não respondo.
"Jesus!"
ele de repente dá um pulo, corre para o meu banheiro e
começa a vomitar. isso prossegue por algum
tempo.
"eu me sinto melhor", ele diz
voltando
para a sala.
"tome mais um drinque", eu digo.
"eu o levarei de carro para a sua aula
de manhã."
"ótimo", ele diz, tirando a espuma do topo de uma cerveja.
aí ele me olha e pergunta,
"onde você tem sido publicado
ultimamente?"
eu estendo a palma das mãos e
dou de ombros.
"Jesus, ora essa! o que fez você perder sua
inspiração?"
"bebida. gente. casamento. gente.
casamento outra vez. um filho. bebida.
gente. empregos. desempregos. bebida e
gente."
"meu professor gostaria que você conversasse com
seus alunos. ele ganhou o Prêmio Lamont de Poesia e
gosta de você."
"diga ao seu professor para ir para o inferno. diga-lhe que
eu estou acabado."
"você é sensível."
"não, sou apenas um lampejo na
frigideira."
nós bebemos e bebemos. logo ele está dormindo
no sofá, 120 quilos dele sacudindo o telhado
com sua poesia.
eu vou para o quarto e ligo o despertador para as
10 da manhã da aula de inglês dele. a bebida desce
melhor agora, mas ao subir na cama
eu penso, de onde vêm esses desgraçados e
o que aconteceu com todo mundo? verdade, eu
estou enlouquecendo.
a luz se apaga
e então um alarme contra ladrões
em algum lugar por perto
se intromete em seus
roncos. muito pertinente, eu penso,
pertinente demais
para uma noite muito desperdiçada
em dezembro de
1965 ou
qualquer outro tempo
que for.
624
Charles Bukowski
Quanto Mais Você Tenta
o desperdício de palavras
continua com uma espantosa
persistência
enquanto o garçom passa correndo com a bandeja
lotada
para todos aqueles garotos espertos que riem
de nós.
pouco importa. pouco importa.
enquanto os cadarços dos seus sapatos estiverem amarrados e
ninguém chegar perto demais
por trás.
só ser capaz de lixar-se e
ser indiferente já é vitória
o bastante.
essas mentes constipadas que buscam
sentidos mais amplos
serão despachadas com o resto
do lixo.
para fora.
se houver luz
ela o
encontrará.
dois
cuidado com mulheres
envelhecidas
que nunca foram
nada a não ser
jovens.
continua com uma espantosa
persistência
enquanto o garçom passa correndo com a bandeja
lotada
para todos aqueles garotos espertos que riem
de nós.
pouco importa. pouco importa.
enquanto os cadarços dos seus sapatos estiverem amarrados e
ninguém chegar perto demais
por trás.
só ser capaz de lixar-se e
ser indiferente já é vitória
o bastante.
essas mentes constipadas que buscam
sentidos mais amplos
serão despachadas com o resto
do lixo.
para fora.
se houver luz
ela o
encontrará.
dois
cuidado com mulheres
envelhecidas
que nunca foram
nada a não ser
jovens.
926
Charles Bukowski
O Bombardeio de Berlim
os americanos e ingleses atacavam, ele me contou,
nada podia detê-los,
tinham luzes vermelhas e azuis em seus aviões
e estavam à vontade,
e era engraçado, você sabe,
uma bomba acabava com um quarteirão inteiro
e deixava o quarteirão ao lado em pé,
intocado.
uma vez, depois de um ataque aéreo, ouvimos um piano tocando
debaixo dos destroços
e lá estava uma velha senhora debaixo daquilo tocando piano,
o prédio havia desabado ao redor dela,
e a havia soterrado ali e ela continuava a tocar o
piano.
depois de um tempo, quando os aviões chegavam e chegavam de novo
não nos dávamos mais ao trabalho de ir ao abrigo subterrâneo,
só ficávamos onde quer que estivéssemos
no primeiro e segundo andares e olhávamos para cima
e observávamos
as luzes vermelhas e azuis e pensávamos,
malditos!
bem, ele disse, servindo-se de sua cerveja com um suspiro,
nós perdemos a guerra, e é só isso
mesmo.
nada podia detê-los,
tinham luzes vermelhas e azuis em seus aviões
e estavam à vontade,
e era engraçado, você sabe,
uma bomba acabava com um quarteirão inteiro
e deixava o quarteirão ao lado em pé,
intocado.
uma vez, depois de um ataque aéreo, ouvimos um piano tocando
debaixo dos destroços
e lá estava uma velha senhora debaixo daquilo tocando piano,
o prédio havia desabado ao redor dela,
e a havia soterrado ali e ela continuava a tocar o
piano.
depois de um tempo, quando os aviões chegavam e chegavam de novo
não nos dávamos mais ao trabalho de ir ao abrigo subterrâneo,
só ficávamos onde quer que estivéssemos
no primeiro e segundo andares e olhávamos para cima
e observávamos
as luzes vermelhas e azuis e pensávamos,
malditos!
bem, ele disse, servindo-se de sua cerveja com um suspiro,
nós perdemos a guerra, e é só isso
mesmo.
1 052
Charles Bukowski
Match Point
li no jornal que uma velha senhora de 72 anos estrangulou seu
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
704
Charles Bukowski
O Anão com um Soco
isto foi muitos anos depois
e ainda não consigo entender direito
mas foi em Nova York
e Nova York tem suas próprias leis e
de qualquer modo eu estava à toa em um daqueles
lugares
com muitas mesas redondas
com seus cavaleiros fortes e terríveis;
eu não me sinto tão bem assim, como de costume,
nem forte nem terrível,
apenas podre,
e eu estou sentado com alguma mulher
com alguma espécie de capuz sobre a cabeça,
ela é meio maluca
mas isso não importa.
ela tem um nome, Fay,
eu acho,
e ficamos bebendo, indo de um lugar a
outro, e entramos lá,
e parecia terrivelmente
animado
pois havia um anão com cerca de um
metro de altura
e o anão estava circulando
bêbado
e ele parava em uma mesa
e olhava para um homem
e dizia,
"bem, o que VOCÊ tem para dizer?"
e depois o anão lhe acertava uma na boca
só que o anão tinha mãos muito boas e
um soco infernal
então todo mundo dava risada e o anão
seguia para o bar
para mais um drinque.
"mantenha-o longe de mim, Fay!", eu lhe disse.
"ah? o quê? quem?"
"mantenha-o longe de mim!"
"quê? o que é? longe?"
o anão mandou a mão em outro sujeito
e todo mundo riu,
até eu ri. o anão sabia socar.
ele tinha muita
prática.
ele dançou no bar
estilo pé de valsa
então ele reparou em um marinheiro
muito loiro e jovem e
amedrontado.
o garoto mijava nas calças
e sorria para O
anão.
o anão lhe mandou a mão
para valer;
seu sorriso seguinte foi um tanto
sangrento.
então o anão deu-lhe outra no queixo
jogando o marinheiro para trás
sobre sua cadeira, duro
e teso.
nocaute! todos saudaram
o campeão!
aí o anão me
viu. o homem da mesa
ao fundo.
"mantenha-o longe de mim, Fay!"
eu disse.
"vamo tomá outro drinque Pp? ela disse.
(estava com um copo cheio na frente dela)
ele veio para cima de mim
em todo o um metro da sua
glória.
"muito bem, o que VOCÊ tem para dizer?"
eu não respondi. eu não tinha nada para dizer
que ele pudesse entender.
"nada, hein?"
eu fiz que sim. ele veio. eu senti minha cadeira rodar, depois
parar de novo sobre seus pés. jorros de luz vermelha e amarela e
azul vieram em seguida, depois risadas.
sentado ali
eu revidei.
seu pobre um metro deslizou pelo chão como um
boneco de trapos
e então estavam em cima de mim
parecia uma dúzia de homens
(mas podiam ter sido 3 ou 4)
e tomei mais algumas
porradas.
então fui jogado para fora
eu me levantei
e achei um lenço
e tentei parar
o pior do sangue
e Fay estava lá,
"seu covarde, você bateu naquele
homenzinho!?"
eu desci pela rua
mas ela ficou lá junto comigo
e fomos ao bar mais próximo
e eu olhei ao redor
e, vendo que todo mundo tinha mais de 1 metro e 30,
mandei vir mais 2
drinques.
e ainda não consigo entender direito
mas foi em Nova York
e Nova York tem suas próprias leis e
de qualquer modo eu estava à toa em um daqueles
lugares
com muitas mesas redondas
com seus cavaleiros fortes e terríveis;
eu não me sinto tão bem assim, como de costume,
nem forte nem terrível,
apenas podre,
e eu estou sentado com alguma mulher
com alguma espécie de capuz sobre a cabeça,
ela é meio maluca
mas isso não importa.
ela tem um nome, Fay,
eu acho,
e ficamos bebendo, indo de um lugar a
outro, e entramos lá,
e parecia terrivelmente
animado
pois havia um anão com cerca de um
metro de altura
e o anão estava circulando
bêbado
e ele parava em uma mesa
e olhava para um homem
e dizia,
"bem, o que VOCÊ tem para dizer?"
e depois o anão lhe acertava uma na boca
só que o anão tinha mãos muito boas e
um soco infernal
então todo mundo dava risada e o anão
seguia para o bar
para mais um drinque.
"mantenha-o longe de mim, Fay!", eu lhe disse.
"ah? o quê? quem?"
"mantenha-o longe de mim!"
"quê? o que é? longe?"
o anão mandou a mão em outro sujeito
e todo mundo riu,
até eu ri. o anão sabia socar.
ele tinha muita
prática.
ele dançou no bar
estilo pé de valsa
então ele reparou em um marinheiro
muito loiro e jovem e
amedrontado.
o garoto mijava nas calças
e sorria para O
anão.
o anão lhe mandou a mão
para valer;
seu sorriso seguinte foi um tanto
sangrento.
então o anão deu-lhe outra no queixo
jogando o marinheiro para trás
sobre sua cadeira, duro
e teso.
nocaute! todos saudaram
o campeão!
aí o anão me
viu. o homem da mesa
ao fundo.
"mantenha-o longe de mim, Fay!"
eu disse.
"vamo tomá outro drinque Pp? ela disse.
(estava com um copo cheio na frente dela)
ele veio para cima de mim
em todo o um metro da sua
glória.
"muito bem, o que VOCÊ tem para dizer?"
eu não respondi. eu não tinha nada para dizer
que ele pudesse entender.
"nada, hein?"
eu fiz que sim. ele veio. eu senti minha cadeira rodar, depois
parar de novo sobre seus pés. jorros de luz vermelha e amarela e
azul vieram em seguida, depois risadas.
sentado ali
eu revidei.
seu pobre um metro deslizou pelo chão como um
boneco de trapos
e então estavam em cima de mim
parecia uma dúzia de homens
(mas podiam ter sido 3 ou 4)
e tomei mais algumas
porradas.
então fui jogado para fora
eu me levantei
e achei um lenço
e tentei parar
o pior do sangue
e Fay estava lá,
"seu covarde, você bateu naquele
homenzinho!?"
eu desci pela rua
mas ela ficou lá junto comigo
e fomos ao bar mais próximo
e eu olhei ao redor
e, vendo que todo mundo tinha mais de 1 metro e 30,
mandei vir mais 2
drinques.
1 033
Charles Bukowski
Salty Dogs
fui cedo à pista para estudar as chances e aí
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
585
Charles Bukowski
Salty Dogs
fui cedo à pista para estudar as chances e aí
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
585
Charles Bukowski
Salty Dogs
fui cedo à pista para estudar as chances e aí
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
585
Charles Bukowski
Salty Dogs
fui cedo à pista para estudar as chances e aí
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
vem esse homem chegando e
limpando o pó dos bancos. ele prossegue em seu trabalho, tirando o pó,
muito
provavelmente contente por ter seu trabalho simples.
eu sou daqueles que não veem muita diferença
entre um cientista atômico e um homem que limpa os assentos
exceto pela sorte na jogada -
pais com dinheiro suficiente para dirigi-lo com segurança para uma
vida mais generosa.
"como é que vai?", perguntei-lhe enquanto ele ia tirando o pó.
"tudo bem, e como vai você?", ele perguntou.
"eu até que acerto com os cavalos. é com as mulheres que eu perco."
ele riu. "é, um homem tem duas ou três experiências ruins,
isso realmente o derruba."
"eu não ligo para duas ou três," eu lhe disse, "eu ligo para
11 ou 12."
"cara, você deve conhecer muita coisa nessa altura. qual você prefere
para o
primeiro?"
eu lhe disse que Salty Dog estava dando 4 para 1 e deveria chegar
em primeiro ou segundo. (45 minutos depois ele o fez.) mas ainda não
eram 45
minutos depois. o homem continuou a tirar o pó e eu pensei em todos os
meus empregos podres e como eu estava contente por tê-los. por um
tempo. depois era questão de largar ou ser demitido.
ambos me faziam sentir bem.
é quando você vive com uma mulher por mais de dois
anos que você sabe o que poderá acontecer só que você não sabe
exatamente por quê. não está no horóscopo. está no desempenho
passado,
não no horóscopo.
meu amigo, limpando o pó dos assentos, ele também não sabia
exatamente por quê.
saí para tomar um café. a garota magra atrás do
balcão era uma morena com uma pequena flor azul no cabelo,
belos olhos, belo sorriso. paguei meu café.
"boa sorte", ela disse.
"para você também", eu disse.
levei o café para meu assento, o vento vinha do oeste,
tomei um gole e esperei pela ação, pensando em
muitas coisas, coisas demais. a cena dissolveu-se em grama e
árvores e a pista suja de corridas, e me lembrei de cortinas sujas em
quartos sujos de pensão esvoaçando para a frente e para trás em um
vento leve,
e pensei em tropas sujas saqueando algum vilarejo novo,
e em minhas antigas namoradas infelizes novamente com seus novos
homens.
eu me sentei e tomei meu café e esperei pelo primeiro
páreo.
585
Charles Bukowski
Realização
ela se disciplinou em
raiva
ódio e estratégias
do engodo.
sempre achei que isso iria
passar finalmente
e que ela estava obcecada por
equívocos e maus
conselhos.
sempre achei que iria
passar.
escutei as acusações contra mim
sabendo que algumas delas eram verdadeiras
mas certamente não
tão importantes
a ponto de se tornarem o alvo de
violência, inveja,
vingança.
achei que certamente
passaria.
eu não organizei nenhuma
defesa
achando que a simples
razão
iria salvar a nós
dois
mas sua determinação
se reforçou -
e até mesmo então
eu resumi aquilo como uma teimosa
e excessiva
energia
mas a cada vez que eu cedia
mais espaço era
ocupado.
senhor, eu pensei, é apenas simples
violência
e assim eu conduzi meu cavalo
para fora do estábulo
afiei minhas facas e
comecei um
contra-ataque.
ela finalmente havia achado
um adversário tão bom quanto
poderia ser achado.
sua determinação provocou sua própria
destruição.
ela havia encontrado seu
páreo
eu montei em meu corcel
espada em riste
em riste até para o sol.
ela sempre quis guerra
eu cumpriria seu desejo
e agora dane-se o amor
assim como o amor foi amaldiçoado quando
veio pela primeira vez.
agora minha hesitação
iria embora
para sempre
e o sangue
iria correr
o dela e o meu
assim como ela desejava.
raiva
ódio e estratégias
do engodo.
sempre achei que isso iria
passar finalmente
e que ela estava obcecada por
equívocos e maus
conselhos.
sempre achei que iria
passar.
escutei as acusações contra mim
sabendo que algumas delas eram verdadeiras
mas certamente não
tão importantes
a ponto de se tornarem o alvo de
violência, inveja,
vingança.
achei que certamente
passaria.
eu não organizei nenhuma
defesa
achando que a simples
razão
iria salvar a nós
dois
mas sua determinação
se reforçou -
e até mesmo então
eu resumi aquilo como uma teimosa
e excessiva
energia
mas a cada vez que eu cedia
mais espaço era
ocupado.
senhor, eu pensei, é apenas simples
violência
e assim eu conduzi meu cavalo
para fora do estábulo
afiei minhas facas e
comecei um
contra-ataque.
ela finalmente havia achado
um adversário tão bom quanto
poderia ser achado.
sua determinação provocou sua própria
destruição.
ela havia encontrado seu
páreo
eu montei em meu corcel
espada em riste
em riste até para o sol.
ela sempre quis guerra
eu cumpriria seu desejo
e agora dane-se o amor
assim como o amor foi amaldiçoado quando
veio pela primeira vez.
agora minha hesitação
iria embora
para sempre
e o sangue
iria correr
o dela e o meu
assim como ela desejava.
1 080
Charles Bukowski
Realização
ela se disciplinou em
raiva
ódio e estratégias
do engodo.
sempre achei que isso iria
passar finalmente
e que ela estava obcecada por
equívocos e maus
conselhos.
sempre achei que iria
passar.
escutei as acusações contra mim
sabendo que algumas delas eram verdadeiras
mas certamente não
tão importantes
a ponto de se tornarem o alvo de
violência, inveja,
vingança.
achei que certamente
passaria.
eu não organizei nenhuma
defesa
achando que a simples
razão
iria salvar a nós
dois
mas sua determinação
se reforçou -
e até mesmo então
eu resumi aquilo como uma teimosa
e excessiva
energia
mas a cada vez que eu cedia
mais espaço era
ocupado.
senhor, eu pensei, é apenas simples
violência
e assim eu conduzi meu cavalo
para fora do estábulo
afiei minhas facas e
comecei um
contra-ataque.
ela finalmente havia achado
um adversário tão bom quanto
poderia ser achado.
sua determinação provocou sua própria
destruição.
ela havia encontrado seu
páreo
eu montei em meu corcel
espada em riste
em riste até para o sol.
ela sempre quis guerra
eu cumpriria seu desejo
e agora dane-se o amor
assim como o amor foi amaldiçoado quando
veio pela primeira vez.
agora minha hesitação
iria embora
para sempre
e o sangue
iria correr
o dela e o meu
assim como ela desejava.
raiva
ódio e estratégias
do engodo.
sempre achei que isso iria
passar finalmente
e que ela estava obcecada por
equívocos e maus
conselhos.
sempre achei que iria
passar.
escutei as acusações contra mim
sabendo que algumas delas eram verdadeiras
mas certamente não
tão importantes
a ponto de se tornarem o alvo de
violência, inveja,
vingança.
achei que certamente
passaria.
eu não organizei nenhuma
defesa
achando que a simples
razão
iria salvar a nós
dois
mas sua determinação
se reforçou -
e até mesmo então
eu resumi aquilo como uma teimosa
e excessiva
energia
mas a cada vez que eu cedia
mais espaço era
ocupado.
senhor, eu pensei, é apenas simples
violência
e assim eu conduzi meu cavalo
para fora do estábulo
afiei minhas facas e
comecei um
contra-ataque.
ela finalmente havia achado
um adversário tão bom quanto
poderia ser achado.
sua determinação provocou sua própria
destruição.
ela havia encontrado seu
páreo
eu montei em meu corcel
espada em riste
em riste até para o sol.
ela sempre quis guerra
eu cumpriria seu desejo
e agora dane-se o amor
assim como o amor foi amaldiçoado quando
veio pela primeira vez.
agora minha hesitação
iria embora
para sempre
e o sangue
iria correr
o dela e o meu
assim como ela desejava.
1 080
Charles Bukowski
Aquela Garota Linda Que Entrou Para Trocar A Roupa De Cama
eu a conheci quando ela entrou para
trocar a roupa de cama.
St. Louis.
ela me disse: você está doente.
e eu disse:
sim, estou doente.
e ela disse:
você precisar beber algo.
eu vim para trocar a roupa de cama
mas você precisa beber alguma coisa
dê-me algum dinheiro e
eu volto com alguma coisa para
beber.
então
eu dei a ela o dinheiro
sem conhecê-la
mas ela voltou com algo para
beber.
ela sentou em uma cadeira e eu
fiquei na cama e nós bebemos
silenciosamente.
e então começamos a conversar
e então rimos um pouco
e eu comecei a me sentir melhor e ela
a parecer mais bonita
e eu disse:
eu não achei que você fosse voltar
e ela disse:
diabo, eu trabalho aqui.
e eu disse:
ah, por isso você
voltou.
e ela disse:
não, não foi por isso que voltei.
e eu
gostei disso.
mal consigo me lembrar de como aconteceu
mas logo estávamos os dois na cama
fumando cigarros e tomando
cerveja
naqueles canecões pesados
de meio litro.
ninguém parecia estar com pressa.
e aí começou
a funcionar. não sei como funcionou
mas foi legal. nós
trepamos.
e ela se levantou e fechou as janelas para o sul
e disse:
é isso que o está matando
essa fumaceira subindo da avenida
isso
e a bebida. pelo menos dá para afastá-lo
da fumaceira.
nós rimos e então ela voltou para a cama e nós
conversamos mais um pouco e fumamos e ela
saiu da cama e disse
que precisava ir embora -
o namorado dela vivia no andar de baixo com ela,
e eu disse adeus
e ela foi embora e
então eu olhei para a cadeira
e vi os lençóis limpos e brancos.
ela havia esquecido de trocar a roupa de cama
então eu me levantei e
troquei a roupa de cama por ela.
trocar a roupa de cama.
St. Louis.
ela me disse: você está doente.
e eu disse:
sim, estou doente.
e ela disse:
você precisar beber algo.
eu vim para trocar a roupa de cama
mas você precisa beber alguma coisa
dê-me algum dinheiro e
eu volto com alguma coisa para
beber.
então
eu dei a ela o dinheiro
sem conhecê-la
mas ela voltou com algo para
beber.
ela sentou em uma cadeira e eu
fiquei na cama e nós bebemos
silenciosamente.
e então começamos a conversar
e então rimos um pouco
e eu comecei a me sentir melhor e ela
a parecer mais bonita
e eu disse:
eu não achei que você fosse voltar
e ela disse:
diabo, eu trabalho aqui.
e eu disse:
ah, por isso você
voltou.
e ela disse:
não, não foi por isso que voltei.
e eu
gostei disso.
mal consigo me lembrar de como aconteceu
mas logo estávamos os dois na cama
fumando cigarros e tomando
cerveja
naqueles canecões pesados
de meio litro.
ninguém parecia estar com pressa.
e aí começou
a funcionar. não sei como funcionou
mas foi legal. nós
trepamos.
e ela se levantou e fechou as janelas para o sul
e disse:
é isso que o está matando
essa fumaceira subindo da avenida
isso
e a bebida. pelo menos dá para afastá-lo
da fumaceira.
nós rimos e então ela voltou para a cama e nós
conversamos mais um pouco e fumamos e ela
saiu da cama e disse
que precisava ir embora -
o namorado dela vivia no andar de baixo com ela,
e eu disse adeus
e ela foi embora e
então eu olhei para a cadeira
e vi os lençóis limpos e brancos.
ela havia esquecido de trocar a roupa de cama
então eu me levantei e
troquei a roupa de cama por ela.
1 054
Charles Bukowski
Abandono da Luta
cometeram seu primeiro erro quando
deitaram o campeão
de cara para baixo
na mesa do vestiário -
foi um grito de
câncer -
e então ele os amaldiçoou em italiano de
gente pobre e disse
me virem me virem me virem seus bundões
me virem,
e eles o fizeram
e ele disse,
ele quebrou todas as costelas do meu lado esquerdo
é um assassino, não é um lutador,
e então ele
disse,
olha, me arranje uma arma, eu vou matar aquele filho de uma
puta.
vá com calma, campeão, disse seu empresário, não foi pelo título, você
ainda tem o título. você pode derrotá-lo
na revanche. não assinamos o contrato para
lutar com Sondelle ainda. vamos adiar com
Sondelle e pegar esse cara na
revanche.
eu não vou lutar com esse assassino outra vez, disse o
campeão,
deviam banir esse chupador de paus nojento do
ringue.
veja, campeão, disse o empresário, não seja
estúpido, vamos conseguir uma bilheteria
grande para a próxima
luta, vão querer ver se ele pode
fazer isso de novo.
o campeão os amaldiçoou em italiano e depois disse,
nunca mais vão conseguir me colocar no ringue com esse
assassino outra vez.
olha, campeão, ele é um vagabundo eu lhe digo, um vagabundo, ele
nunca
bateu em ninguém antes, na próxima vez você
se prepara, larga a bebida e as fodas por
uma semana, ele não conseguirá
tocá-lo quando você estiver bem. ele não pode bater em você porra
nenhuma, campeão.
ele me
bateu. nunca vou tomar outra surra como essa de
ninguém.
você vai abandonar, campeão? você vai abandonar?
vou lutar com qualquer um menos
com esse cara.
tudo certo.
então, está bem, que tal um raio X das minhas
costelas? não consigo respirar, de verdade,
sinto-as cutucando meu
pulmão.
eles o retiraram dali e o levaram em uma
longa e negra
limusine baixa
ao hospital particular onde o
raio X não mostrou
nenhuma fratura.
eles estão mentindo, berrou o campeão, esses porras desses
idiotas estão mentindo! você não acha que eu
consigo sentir meus próprios ossos quando estão
quebrados?
ninguém disse nada.
deitaram o campeão
de cara para baixo
na mesa do vestiário -
foi um grito de
câncer -
e então ele os amaldiçoou em italiano de
gente pobre e disse
me virem me virem me virem seus bundões
me virem,
e eles o fizeram
e ele disse,
ele quebrou todas as costelas do meu lado esquerdo
é um assassino, não é um lutador,
e então ele
disse,
olha, me arranje uma arma, eu vou matar aquele filho de uma
puta.
vá com calma, campeão, disse seu empresário, não foi pelo título, você
ainda tem o título. você pode derrotá-lo
na revanche. não assinamos o contrato para
lutar com Sondelle ainda. vamos adiar com
Sondelle e pegar esse cara na
revanche.
eu não vou lutar com esse assassino outra vez, disse o
campeão,
deviam banir esse chupador de paus nojento do
ringue.
veja, campeão, disse o empresário, não seja
estúpido, vamos conseguir uma bilheteria
grande para a próxima
luta, vão querer ver se ele pode
fazer isso de novo.
o campeão os amaldiçoou em italiano e depois disse,
nunca mais vão conseguir me colocar no ringue com esse
assassino outra vez.
olha, campeão, ele é um vagabundo eu lhe digo, um vagabundo, ele
nunca
bateu em ninguém antes, na próxima vez você
se prepara, larga a bebida e as fodas por
uma semana, ele não conseguirá
tocá-lo quando você estiver bem. ele não pode bater em você porra
nenhuma, campeão.
ele me
bateu. nunca vou tomar outra surra como essa de
ninguém.
você vai abandonar, campeão? você vai abandonar?
vou lutar com qualquer um menos
com esse cara.
tudo certo.
então, está bem, que tal um raio X das minhas
costelas? não consigo respirar, de verdade,
sinto-as cutucando meu
pulmão.
eles o retiraram dali e o levaram em uma
longa e negra
limusine baixa
ao hospital particular onde o
raio X não mostrou
nenhuma fratura.
eles estão mentindo, berrou o campeão, esses porras desses
idiotas estão mentindo! você não acha que eu
consigo sentir meus próprios ossos quando estão
quebrados?
ninguém disse nada.
1 130
Charles Bukowski
A Galinha
passei por aqui, ela disse,
e pendurei essa galinha assada na maçaneta da sua porta
e dois dias depois ainda estava dependurada lá
balançando ao vento.
você devia ter visto aquela coisa!
e seu carro estava parado lá fora
e a galinha continuava balançando
e eu disse a meu marido,
o que é esse fedor?
ele deve estar morto.
o vento realmente estava fazendo aquela
galinha balançar, você devia ter visto aquela
galinha balançando, e eu disse a meu marido,
esse louco filho de uma puta deve estar morto
lá dentro.
e então ele pegou a chave e entrou.
e aí, eu disse, o que você encontrou?
só garrafas vazias e lixo. você
tinha ido embora. você não estava
lá.
você olhou em todos os armários?
nós olhamos em todo lugar, debaixo da cama,
em todo lugar.
onde será que eu estava?
sei lá. onde você arrumou essa ferida na sua cabeça?
eu estava assando um marshmallow em um cabide
e queimei minha
testa.
ah, achei que alguém havia batido em você.
ahã, eu disse, ahã.
e pendurei essa galinha assada na maçaneta da sua porta
e dois dias depois ainda estava dependurada lá
balançando ao vento.
você devia ter visto aquela coisa!
e seu carro estava parado lá fora
e a galinha continuava balançando
e eu disse a meu marido,
o que é esse fedor?
ele deve estar morto.
o vento realmente estava fazendo aquela
galinha balançar, você devia ter visto aquela
galinha balançando, e eu disse a meu marido,
esse louco filho de uma puta deve estar morto
lá dentro.
e então ele pegou a chave e entrou.
e aí, eu disse, o que você encontrou?
só garrafas vazias e lixo. você
tinha ido embora. você não estava
lá.
você olhou em todos os armários?
nós olhamos em todo lugar, debaixo da cama,
em todo lugar.
onde será que eu estava?
sei lá. onde você arrumou essa ferida na sua cabeça?
eu estava assando um marshmallow em um cabide
e queimei minha
testa.
ah, achei que alguém havia batido em você.
ahã, eu disse, ahã.
1 082
Charles Bukowski
Os Elefantes do Vietnã
primeiro eles costumavam, ele me contou,
atirar e jogar bombas nos elefantes,
dava para ouvir seus gritos sobre todos os outros sons;
mas você voava alto para bombardear o povo,
você nunca o enxergava,
só um pequeno clarão de lá de cima
mas com os elefantes
você podia olhar aquilo acontecendo
e ouvir como gritavam;
eu dizia a meus companheiros, ouçam, caras,
parem com isso,
mas eles se limitavam a rir
enquanto os elefantes se dispersavam
erguendo a tromba (se não tivesse sido estourada)
abrindo a boca
bem grande e
tropeçando nas pernas grossas e desajeitadas
enquanto o sangue escorria dos grandes buracos na barriga.
então voaríamos de volta,
missão cumprida.
acertávamos qualquer coisa:
comboios, depósitos, pontes, gente, elefantes e
todo o resto.
ele me contou mais tarde, eu
me senti mal pelos
elefantes.
atirar e jogar bombas nos elefantes,
dava para ouvir seus gritos sobre todos os outros sons;
mas você voava alto para bombardear o povo,
você nunca o enxergava,
só um pequeno clarão de lá de cima
mas com os elefantes
você podia olhar aquilo acontecendo
e ouvir como gritavam;
eu dizia a meus companheiros, ouçam, caras,
parem com isso,
mas eles se limitavam a rir
enquanto os elefantes se dispersavam
erguendo a tromba (se não tivesse sido estourada)
abrindo a boca
bem grande e
tropeçando nas pernas grossas e desajeitadas
enquanto o sangue escorria dos grandes buracos na barriga.
então voaríamos de volta,
missão cumprida.
acertávamos qualquer coisa:
comboios, depósitos, pontes, gente, elefantes e
todo o resto.
ele me contou mais tarde, eu
me senti mal pelos
elefantes.
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