Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Charles Bukowski
Grama
da janela
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
1 312
Charles Bukowski
Grama
da janela
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
1 312
Charles Bukowski
Grama
da janela
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
vejo um homem com um
poderoso cortador de grama
os sons de seu trabalho correm como
moscas e abelhas
no papel de parede,
é como um fogo reconfortante, e
é melhor que comer um bife,
e a grama é verde o suficiente
e o sol é sol o suficiente
e o que resta de minha vida
fica ali
conferindo os lampejos voadores do verde;
trata-se de um gigantesco desnudar do
cuidado, um tropeço na lógica do
trabalho.
de súbito entendo
os antigos homens feito morcegos
nas cavernas do Colorado
pequenos piolhos se arrastando
para dentro dos olhos de pássaros mortos.
de lá para cá
ele segue o som de sua
gasolina. é
interessante o suficiente,
com
as ruas
estendidas sobre suas costas primaveris
e sorridentes.
1 312
Charles Bukowski
Crucifixo Em Uma Mão Morta
sim, elas começam a surgir a partir de um salgueiro, penso
as montanhas enrijecidas começam no salgueiro
e seguem erguendo-se sem qualquer consideração por
pumas e nectarinas
de algum modo essas montanhas são como
uma velha senhora com má memória e
um cesto de compras.
estamos numa depressão. esta é a
ideia. mergulhada na areia e entre alamedas,
esta terra progrediu, soqueou, dividiu,
retida como um crucifixo numa mão morta,
esta terra comprou, revendeu, voltou a comprar e
vendeu de novo, tantas e longas guerras,
os espanhóis refazendo o caminho de volta até a Espanha
mais uma vez os ilhós, e agora
corretores, locadores, sublocadores, engenheiros que discutem
à beira de autoestradas. esta é a terra deles e
eu caminho sobre ela, vivo nela um pouco
perto de Hollywood aqui eu vejo jovens em seus quartos
escutando discos gastos
e também penso em velhos fartos de música
fartos de tudo, e a morte como suicídio
às vezes penso que é voluntário, e que para conseguir
se agarrar a esta terra é melhor voltar ao
Grande Mercado Central, ver as velhas mexicanas,
os pobres... tenho certeza de que você já viu essas mulheres
anos e anos a fio
brigando
com os mesmos e jovens atendentes japoneses
argutos, sábios e dourados
entre seus sublimes estoques de laranjas, maçãs
abacates, tomates, pepinos –
e você sabe o aspecto desses, parecem ótimos
se você pudesse comer todos eles
acender um charuto e numa baforada exalar o mundo mau.
de modo que é melhor retornar para os bares, os mesmos bares
amadeirados, fedidos, implacáveis, verdes
pela presença de jovens policiais que os invadem
assustados e em busca de confusão,
e a cerveja continuará um lixo
com aquele gosto final que é mistura de vômito e
decadência, e mergulhado nas sombras você tem que ser forte
para ignorá-lo, ignorar os pobres e a si mesmo
e a sacola de compras entre suas pernas
ali no chão e se sentindo bem com seus abacates e
laranjas e peixe fresco e garrafas de vinho, quem precisa
de um inverno em Fort Lauderdale?
25 anos atrás costumava haver uma puta ali
com um filme sobre um dos olhos, gorda ao extremo
que fazia pequenas sinetas com o papel laminado do
maço de cigarro. o sol parecia esquentar mais então
ainda que isso dificilmente seja
verdade, e você apanha sua sacola de compras
e sai a caminhar pela rua
e a cerveja verde fica ali
pairando na boca de seu estômago como
uma curta e vergonhosa mantilha, e
você dá uma olhada ao redor e já não
vê nenhum
velho.
as montanhas enrijecidas começam no salgueiro
e seguem erguendo-se sem qualquer consideração por
pumas e nectarinas
de algum modo essas montanhas são como
uma velha senhora com má memória e
um cesto de compras.
estamos numa depressão. esta é a
ideia. mergulhada na areia e entre alamedas,
esta terra progrediu, soqueou, dividiu,
retida como um crucifixo numa mão morta,
esta terra comprou, revendeu, voltou a comprar e
vendeu de novo, tantas e longas guerras,
os espanhóis refazendo o caminho de volta até a Espanha
mais uma vez os ilhós, e agora
corretores, locadores, sublocadores, engenheiros que discutem
à beira de autoestradas. esta é a terra deles e
eu caminho sobre ela, vivo nela um pouco
perto de Hollywood aqui eu vejo jovens em seus quartos
escutando discos gastos
e também penso em velhos fartos de música
fartos de tudo, e a morte como suicídio
às vezes penso que é voluntário, e que para conseguir
se agarrar a esta terra é melhor voltar ao
Grande Mercado Central, ver as velhas mexicanas,
os pobres... tenho certeza de que você já viu essas mulheres
anos e anos a fio
brigando
com os mesmos e jovens atendentes japoneses
argutos, sábios e dourados
entre seus sublimes estoques de laranjas, maçãs
abacates, tomates, pepinos –
e você sabe o aspecto desses, parecem ótimos
se você pudesse comer todos eles
acender um charuto e numa baforada exalar o mundo mau.
de modo que é melhor retornar para os bares, os mesmos bares
amadeirados, fedidos, implacáveis, verdes
pela presença de jovens policiais que os invadem
assustados e em busca de confusão,
e a cerveja continuará um lixo
com aquele gosto final que é mistura de vômito e
decadência, e mergulhado nas sombras você tem que ser forte
para ignorá-lo, ignorar os pobres e a si mesmo
e a sacola de compras entre suas pernas
ali no chão e se sentindo bem com seus abacates e
laranjas e peixe fresco e garrafas de vinho, quem precisa
de um inverno em Fort Lauderdale?
25 anos atrás costumava haver uma puta ali
com um filme sobre um dos olhos, gorda ao extremo
que fazia pequenas sinetas com o papel laminado do
maço de cigarro. o sol parecia esquentar mais então
ainda que isso dificilmente seja
verdade, e você apanha sua sacola de compras
e sai a caminhar pela rua
e a cerveja verde fica ali
pairando na boca de seu estômago como
uma curta e vergonhosa mantilha, e
você dá uma olhada ao redor e já não
vê nenhum
velho.
1 041
Charles Bukowski
Crucifixo Em Uma Mão Morta
sim, elas começam a surgir a partir de um salgueiro, penso
as montanhas enrijecidas começam no salgueiro
e seguem erguendo-se sem qualquer consideração por
pumas e nectarinas
de algum modo essas montanhas são como
uma velha senhora com má memória e
um cesto de compras.
estamos numa depressão. esta é a
ideia. mergulhada na areia e entre alamedas,
esta terra progrediu, soqueou, dividiu,
retida como um crucifixo numa mão morta,
esta terra comprou, revendeu, voltou a comprar e
vendeu de novo, tantas e longas guerras,
os espanhóis refazendo o caminho de volta até a Espanha
mais uma vez os ilhós, e agora
corretores, locadores, sublocadores, engenheiros que discutem
à beira de autoestradas. esta é a terra deles e
eu caminho sobre ela, vivo nela um pouco
perto de Hollywood aqui eu vejo jovens em seus quartos
escutando discos gastos
e também penso em velhos fartos de música
fartos de tudo, e a morte como suicídio
às vezes penso que é voluntário, e que para conseguir
se agarrar a esta terra é melhor voltar ao
Grande Mercado Central, ver as velhas mexicanas,
os pobres... tenho certeza de que você já viu essas mulheres
anos e anos a fio
brigando
com os mesmos e jovens atendentes japoneses
argutos, sábios e dourados
entre seus sublimes estoques de laranjas, maçãs
abacates, tomates, pepinos –
e você sabe o aspecto desses, parecem ótimos
se você pudesse comer todos eles
acender um charuto e numa baforada exalar o mundo mau.
de modo que é melhor retornar para os bares, os mesmos bares
amadeirados, fedidos, implacáveis, verdes
pela presença de jovens policiais que os invadem
assustados e em busca de confusão,
e a cerveja continuará um lixo
com aquele gosto final que é mistura de vômito e
decadência, e mergulhado nas sombras você tem que ser forte
para ignorá-lo, ignorar os pobres e a si mesmo
e a sacola de compras entre suas pernas
ali no chão e se sentindo bem com seus abacates e
laranjas e peixe fresco e garrafas de vinho, quem precisa
de um inverno em Fort Lauderdale?
25 anos atrás costumava haver uma puta ali
com um filme sobre um dos olhos, gorda ao extremo
que fazia pequenas sinetas com o papel laminado do
maço de cigarro. o sol parecia esquentar mais então
ainda que isso dificilmente seja
verdade, e você apanha sua sacola de compras
e sai a caminhar pela rua
e a cerveja verde fica ali
pairando na boca de seu estômago como
uma curta e vergonhosa mantilha, e
você dá uma olhada ao redor e já não
vê nenhum
velho.
as montanhas enrijecidas começam no salgueiro
e seguem erguendo-se sem qualquer consideração por
pumas e nectarinas
de algum modo essas montanhas são como
uma velha senhora com má memória e
um cesto de compras.
estamos numa depressão. esta é a
ideia. mergulhada na areia e entre alamedas,
esta terra progrediu, soqueou, dividiu,
retida como um crucifixo numa mão morta,
esta terra comprou, revendeu, voltou a comprar e
vendeu de novo, tantas e longas guerras,
os espanhóis refazendo o caminho de volta até a Espanha
mais uma vez os ilhós, e agora
corretores, locadores, sublocadores, engenheiros que discutem
à beira de autoestradas. esta é a terra deles e
eu caminho sobre ela, vivo nela um pouco
perto de Hollywood aqui eu vejo jovens em seus quartos
escutando discos gastos
e também penso em velhos fartos de música
fartos de tudo, e a morte como suicídio
às vezes penso que é voluntário, e que para conseguir
se agarrar a esta terra é melhor voltar ao
Grande Mercado Central, ver as velhas mexicanas,
os pobres... tenho certeza de que você já viu essas mulheres
anos e anos a fio
brigando
com os mesmos e jovens atendentes japoneses
argutos, sábios e dourados
entre seus sublimes estoques de laranjas, maçãs
abacates, tomates, pepinos –
e você sabe o aspecto desses, parecem ótimos
se você pudesse comer todos eles
acender um charuto e numa baforada exalar o mundo mau.
de modo que é melhor retornar para os bares, os mesmos bares
amadeirados, fedidos, implacáveis, verdes
pela presença de jovens policiais que os invadem
assustados e em busca de confusão,
e a cerveja continuará um lixo
com aquele gosto final que é mistura de vômito e
decadência, e mergulhado nas sombras você tem que ser forte
para ignorá-lo, ignorar os pobres e a si mesmo
e a sacola de compras entre suas pernas
ali no chão e se sentindo bem com seus abacates e
laranjas e peixe fresco e garrafas de vinho, quem precisa
de um inverno em Fort Lauderdale?
25 anos atrás costumava haver uma puta ali
com um filme sobre um dos olhos, gorda ao extremo
que fazia pequenas sinetas com o papel laminado do
maço de cigarro. o sol parecia esquentar mais então
ainda que isso dificilmente seja
verdade, e você apanha sua sacola de compras
e sai a caminhar pela rua
e a cerveja verde fica ali
pairando na boca de seu estômago como
uma curta e vergonhosa mantilha, e
você dá uma olhada ao redor e já não
vê nenhum
velho.
1 041
Charles Bukowski
Lírios No Meu Cérebro
os lírios assaltam meu cérebro
por deus por deus
como as tropas de assalto nazistas
você acha que estou ficando
perturbado?
seu suéter azul
com os peitos pendendo
soltos, e
eu penso vagamente em Cristo
na cruz, não sei
porquê, e em casquinhas
de sorvete. neste dia de julho
lírios assaltam meu cérebro
lembraria disto
mas
somente se eu tivesse uma
câmera
ou um cachorro grande caminhando ao meu
lado. os cachorros grandes tornam as coisas
concretas
não é verdade?
um cachorrão para franzir seu
nariz ranhento
como este lago usurpado em
sua clara superfície
por um vento rápido e
esperto.
você está aqui, mas eu estou triste outra
vez. sinto minhas costelas de costeleta de porco
sobre meu coração de costeleta de cordeiro ugh
ingênuos e dedicados
intestinos, pênis prostrado
bexiga de goma de mascar
fígado se transformando em gordura
como uma velha rameira de rua
bunda vergonhosa
ouvidos práticos
mãos que parecem mariposas
nariz de peixe-espada
boca de desabamento de terras e
o resto. o resto:
lírios no meu cérebro
esperando por melhores tempos
lembrando de velhos tempos:
Capone e os diamantes
Charlie Chaplin
Laurel e Hardy
Clara Bow
o resto.
nunca aconteceu
mas parecia possível
houve tempos em que o apodrecimento
parou
aguardando como um bonde pela abertura
do sinal.
agora eu
como um desses marginais de filme
(lírios lá bem alto)
tomo sua mão
e nós seguimos em frente
para alugar um barco
para afundar. eu respiro o vento, flexiono meus músculos
mas apenas minha pança
se move de mansinho.
entramos
o motor agita o
lodo.
os prédios da cidade
mergulham como bocas de
avestruzes
e esvaziam
nossos cérebros
ainda assim o sol
aparece
zap! zap! zap!
germes brilhantes rastejam por nossas
carnes gretadas. minha
eu sinto como se estivesse na
igreja: tudo
fede. seguro as laterais emborrachadas
de toda a parte
minhas bolas são bolas de neve
vejo o repicar dos sinos da malária
homens velhos indo para a
cama, entrando em Fords modelo-T
enquanto os peixes nadam abaixo de nós
cheios de palavrões e macarronada
e palavras cruzadas
e a minha morte, a sua e
a das crianças
de ressaca.
por deus por deus
como as tropas de assalto nazistas
você acha que estou ficando
perturbado?
seu suéter azul
com os peitos pendendo
soltos, e
eu penso vagamente em Cristo
na cruz, não sei
porquê, e em casquinhas
de sorvete. neste dia de julho
lírios assaltam meu cérebro
lembraria disto
mas
somente se eu tivesse uma
câmera
ou um cachorro grande caminhando ao meu
lado. os cachorros grandes tornam as coisas
concretas
não é verdade?
um cachorrão para franzir seu
nariz ranhento
como este lago usurpado em
sua clara superfície
por um vento rápido e
esperto.
você está aqui, mas eu estou triste outra
vez. sinto minhas costelas de costeleta de porco
sobre meu coração de costeleta de cordeiro ugh
ingênuos e dedicados
intestinos, pênis prostrado
bexiga de goma de mascar
fígado se transformando em gordura
como uma velha rameira de rua
bunda vergonhosa
ouvidos práticos
mãos que parecem mariposas
nariz de peixe-espada
boca de desabamento de terras e
o resto. o resto:
lírios no meu cérebro
esperando por melhores tempos
lembrando de velhos tempos:
Capone e os diamantes
Charlie Chaplin
Laurel e Hardy
Clara Bow
o resto.
nunca aconteceu
mas parecia possível
houve tempos em que o apodrecimento
parou
aguardando como um bonde pela abertura
do sinal.
agora eu
como um desses marginais de filme
(lírios lá bem alto)
tomo sua mão
e nós seguimos em frente
para alugar um barco
para afundar. eu respiro o vento, flexiono meus músculos
mas apenas minha pança
se move de mansinho.
entramos
o motor agita o
lodo.
os prédios da cidade
mergulham como bocas de
avestruzes
e esvaziam
nossos cérebros
ainda assim o sol
aparece
zap! zap! zap!
germes brilhantes rastejam por nossas
carnes gretadas. minha
eu sinto como se estivesse na
igreja: tudo
fede. seguro as laterais emborrachadas
de toda a parte
minhas bolas são bolas de neve
vejo o repicar dos sinos da malária
homens velhos indo para a
cama, entrando em Fords modelo-T
enquanto os peixes nadam abaixo de nós
cheios de palavrões e macarronada
e palavras cruzadas
e a minha morte, a sua e
a das crianças
de ressaca.
1 142
Charles Bukowski
O Pássaro
com os olhos vermelhos e tonto como eu
o pássaro chegou voando
após percorrer o caminho todo desde o Egito
às cinco da manhã,
e Maria quase tropeçou nos sapatos de salto:
o que foi isso, um foguete?
e nós subimos.
servi duas taças de porto
e ficamos ali sentados enquanto os sovinas
são expelidos de seus ninhos miseráveis
e Maria entrou e lançou água
no vaso
e eu me sentei ali cofiando minha barba de três dias
pensando no pássaro louco
e foi assim que saiu:
tudo o que de fato importava era
ir para algum lugar
quanto mais rápido melhor
porque isso reduz a espera
pela morte. Maria voltou
e puxou as cobertas
e eu arranquei minhas roupas sebosas
e me arrastei para dentro dos lençóis suados,
fechando meus olhos para o som e a luz do sol,
e ouvi o modo como se desfez dos sapatos de salto
e seus dedos gelados percorreram a parte de trás de minhas panturrilhas
e eu batizei o pássaro de
Sr. América
e então caí no sono com rapidez.
o pássaro chegou voando
após percorrer o caminho todo desde o Egito
às cinco da manhã,
e Maria quase tropeçou nos sapatos de salto:
o que foi isso, um foguete?
e nós subimos.
servi duas taças de porto
e ficamos ali sentados enquanto os sovinas
são expelidos de seus ninhos miseráveis
e Maria entrou e lançou água
no vaso
e eu me sentei ali cofiando minha barba de três dias
pensando no pássaro louco
e foi assim que saiu:
tudo o que de fato importava era
ir para algum lugar
quanto mais rápido melhor
porque isso reduz a espera
pela morte. Maria voltou
e puxou as cobertas
e eu arranquei minhas roupas sebosas
e me arrastei para dentro dos lençóis suados,
fechando meus olhos para o som e a luz do sol,
e ouvi o modo como se desfez dos sapatos de salto
e seus dedos gelados percorreram a parte de trás de minhas panturrilhas
e eu batizei o pássaro de
Sr. América
e então caí no sono com rapidez.
1 170
Charles Bukowski
Viagem À Praia
os homens fortes
os homens musculosos
lá na praia eles
se sentam
bronzeados como chocolate
os pesos
espalhados ao seu redor e
intocados
ficam sentados enquanto
as ondas avançam e
recuam
ficam sentados enquanto o
mercado de ações
ergue e destrói
homens e famílias
ficam sentados enquanto
um apertar de botão
poderia transformar
seus caralhos
em palitos de fósforos
pretos e enrugados
ficam sentados enquanto
suicidas em quartos verdes
os trocam por espaço
ficam sentados enquanto antigas
Miss Américas
choram diante de espelhos
enrugados
ficam sentados
ficam sentados com menos
vivacidade que macacos
e minha mulher para e
os olha:
“uuuu uuuu uuuu”, ela
diz.
me afasto com
minha mulher enquanto as ondas
avançam e recuam.
“há alguma coisa errada
com eles”, ela diz, “o que
é?”
“o amor deles só corre em
uma direção.”
as gaivotas giram e
o mar avança e recua
e nós os abandonamos
lá atrás
desperdiçando o tempo que lhes
resta
o momento presente
as gaivotas
o mar
a areia.
os homens musculosos
lá na praia eles
se sentam
bronzeados como chocolate
os pesos
espalhados ao seu redor e
intocados
ficam sentados enquanto
as ondas avançam e
recuam
ficam sentados enquanto o
mercado de ações
ergue e destrói
homens e famílias
ficam sentados enquanto
um apertar de botão
poderia transformar
seus caralhos
em palitos de fósforos
pretos e enrugados
ficam sentados enquanto
suicidas em quartos verdes
os trocam por espaço
ficam sentados enquanto antigas
Miss Américas
choram diante de espelhos
enrugados
ficam sentados
ficam sentados com menos
vivacidade que macacos
e minha mulher para e
os olha:
“uuuu uuuu uuuu”, ela
diz.
me afasto com
minha mulher enquanto as ondas
avançam e recuam.
“há alguma coisa errada
com eles”, ela diz, “o que
é?”
“o amor deles só corre em
uma direção.”
as gaivotas giram e
o mar avança e recua
e nós os abandonamos
lá atrás
desperdiçando o tempo que lhes
resta
o momento presente
as gaivotas
o mar
a areia.
1 236
Charles Bukowski
Viagem À Praia
os homens fortes
os homens musculosos
lá na praia eles
se sentam
bronzeados como chocolate
os pesos
espalhados ao seu redor e
intocados
ficam sentados enquanto
as ondas avançam e
recuam
ficam sentados enquanto o
mercado de ações
ergue e destrói
homens e famílias
ficam sentados enquanto
um apertar de botão
poderia transformar
seus caralhos
em palitos de fósforos
pretos e enrugados
ficam sentados enquanto
suicidas em quartos verdes
os trocam por espaço
ficam sentados enquanto antigas
Miss Américas
choram diante de espelhos
enrugados
ficam sentados
ficam sentados com menos
vivacidade que macacos
e minha mulher para e
os olha:
“uuuu uuuu uuuu”, ela
diz.
me afasto com
minha mulher enquanto as ondas
avançam e recuam.
“há alguma coisa errada
com eles”, ela diz, “o que
é?”
“o amor deles só corre em
uma direção.”
as gaivotas giram e
o mar avança e recua
e nós os abandonamos
lá atrás
desperdiçando o tempo que lhes
resta
o momento presente
as gaivotas
o mar
a areia.
os homens musculosos
lá na praia eles
se sentam
bronzeados como chocolate
os pesos
espalhados ao seu redor e
intocados
ficam sentados enquanto
as ondas avançam e
recuam
ficam sentados enquanto o
mercado de ações
ergue e destrói
homens e famílias
ficam sentados enquanto
um apertar de botão
poderia transformar
seus caralhos
em palitos de fósforos
pretos e enrugados
ficam sentados enquanto
suicidas em quartos verdes
os trocam por espaço
ficam sentados enquanto antigas
Miss Américas
choram diante de espelhos
enrugados
ficam sentados
ficam sentados com menos
vivacidade que macacos
e minha mulher para e
os olha:
“uuuu uuuu uuuu”, ela
diz.
me afasto com
minha mulher enquanto as ondas
avançam e recuam.
“há alguma coisa errada
com eles”, ela diz, “o que
é?”
“o amor deles só corre em
uma direção.”
as gaivotas giram e
o mar avança e recua
e nós os abandonamos
lá atrás
desperdiçando o tempo que lhes
resta
o momento presente
as gaivotas
o mar
a areia.
1 236
Charles Bukowski
Tira
3 moleques correm em minha direção
soprando apitos
e eles gritam
você está preso!
você está bêbado!
e eles começam
a me golpear as pernas com
seus cassetetes de brinquedo.
um deles chega a ter uma
insígnia. outro tem
algemas mas minhas mãos estão erguidas no ar.
quando entro na loja de bebidas
eles ficam circulando lá fora
como abelhas
excluídas de suas colmeias.
compro uma garrafa de uísque
barato
e
3
barras de chocolate recheadas.
soprando apitos
e eles gritam
você está preso!
você está bêbado!
e eles começam
a me golpear as pernas com
seus cassetetes de brinquedo.
um deles chega a ter uma
insígnia. outro tem
algemas mas minhas mãos estão erguidas no ar.
quando entro na loja de bebidas
eles ficam circulando lá fora
como abelhas
excluídas de suas colmeias.
compro uma garrafa de uísque
barato
e
3
barras de chocolate recheadas.
1 167
Charles Bukowski
Alguma Coisa Para Os Especuladores, Para As Freiras, Para Os Atendentes do Mercado E Para Você...
nós temos tudo e não temos nada
e alguns homens resolvem as coisas em igrejas
e outros homens resolvem as coisas partindo borboletas
ao meio
e alguns homens resolvem as coisas em Palm Springs
enfiando-as em loiras amanteigadas
com almas de Cadillac
nada e tudo,
o rosto derretendo até a última baforada
num porão em Corpus Christi
há alguma coisa para os especuladores, para as freiras,
para os atendentes do mercado e para você...
alguma coisa às 8 da manhã, alguma coisa na biblioteca
alguma coisa no rio,
tudo e nada,
no matadouro essa coisa vem correndo ao longo
do teto presa a um gancho, e você a balança –
um
dois
três
e então você consegue, $200 de carne
morta, os ossos contra os seus
alguma coisa e nada.
é sempre cedo demais para morrer e
ao mesmo tempo tarde demais,
e o sangue extraído na bacia branca
nada lhe revela de fato
e os coveiros jogando pôquer além
das 5 da manhã, esperando que o gramado
se liberte da geada...
eles não lhe revelam nada de nada.
nós temos tudo e não temos nada –
dias com arestas de vidro e o fedor insuportável
de musgos do rio – pior do que merda;
dias de tabuleiro de movimentos e contramovimentos,
o interesse gasto, tendo a derrota ou a vitória o mesmo
sentido; dias lentos como mulas
a carregá-los estilhaçados e tristes e endurecidos pelo sol
por uma estrada onde um louco aguarda sentado entre
passarinhos azuis e cambaxirras aprisionados e sugados até um cinza
quebradiço.
bons dias também de vinho e gritaria, brigas
em becos, pernas gordas de mulheres lutando ao redor
de suas entranhas enterradas em gemidos,
os sinais nas arenas como diamantes gritando
Mãe Capri, violetas rasgando o chão
dizendo para você que se esqueça dos exércitos mortos e dos amores
que lhe roubaram.
dias em que as crianças dizem coisas engraçadas e brilhantes
como selvagens tentando lhe mandar uma mensagem através
de seus corpos enquanto seus corpos ainda
têm vida o suficiente para transmitir e sentir e correr para lá
e para cá sem amarras e contracheques e
ideais e posses e opiniões
de girino.
dias em que você pode chorar o dia inteiro num
quarto verde com a porta trancada, dias
em que você pode rir na cara do entregador de pães
porque as pernas dele são muito longas, dias
de olhar para cercas...
e nada, e nada. dias de
chefes, de homens amarelos
com mau hálito e pés grandes, homens
que parecem sapos, hienas, homens que caminham
como se a melodia jamais tivesse sido inventada, homens
que pensam que é inteligente contratar e demitir e
lucrar, homens com mulheres caras que eles possuem
como 60 acres de solo a ser perfurado
ou a serem exibidas ou postas a segura distância
dos incompetentes, homens capazes de matar você
porque eles são loucos e o justificam porque
esta é a lei, homens que se plantam em frente a
janelas com 9 metros de extensão e não veem nada,
homens com iates de luxo capazes de dar a volta
ao mundo e ainda assim jamais saírem dos bolsos de seus
coletes, homens como caracóis, homens como enguias, homens
como lesmas, e não tão bons quanto...
e nada, recebendo seu último salário
num porto, numa fábrica, num hospital, numa
fábrica de aviões, em fliperamas, numa
barbearia, num emprego que você não pode
tolerar.
imposto de renda, doença, servidão, braços
quebrados, cabeças quebradas – o enchimento todo
saltando para fora como de um velho travesseiro.
nós temos tudo e não temos nada.
alguns se viram bem por algum tempo e
depois desistem. a fama os pega ou a repulsa
ou a idade ou a falta de uma dieta adequada ou a tinta
nos olhos ou crianças nas faculdades
ou carros novos ou costas lesionadas ao esquiar
na Suíça ou novos políticos ou novas esposas
ou apenas a mudança natural e a decadência –
o homem que você conheceu ontem dando ganchos
durante dez assaltos ou bebendo por três dias e
três noites nas montanhas Sawtooth agora
apenas alguma coisa debaixo de um lençol ou de uma cruz
ou de uma pedra ou debaixo de uma fácil desilusão,
ou carregando uma bíblia ou uma sacola de golfe ou uma
valise: como eles vão, como eles vão! – todos
aqueles que você jamais pensou que iriam.
dias como este. como o seu dia hoje.
talvez a chuva na janela tentando
atravessar e chegar até você. o que você está vendo?
o que é? onde você está? os melhores
dias são às vezes os primeiros, às vezes
os intermediários e até mesmo por vezes os derradeiros.
as vagas vazias não estão mal, as igrejas nos
postais da Europa não estão mal. as pessoas
nos museus de cera congeladas em sua melhor esterilidade
não estão mal, horríveis mas não mal. o
canhão, pense no canhão. e a torrada no
café da manhã o café quente a ponto de você
saber que sua língua continua aí. três
gerânios do lado de fora da janela, tentando ser
vermelhos e tentando ser cor-de-rosa e tentando ser
gerânios. não é de espantar que às vezes as mulheres
chorem, não é de espantar que as mulas não queiram
subir as colinas. você está num quarto de hotel
em Detroit atrás de um cigarro? mais um dia
dos bons. um pedacinho dele. e enquanto isso
as enfermeiras saem do prédio depois
de seu turno, tendo tido o bastante, oito enfermeiras
com diferentes nomes e lugares diferentes
para ir – atravessando o gramado, algumas delas
querem chocolate quente e um jornal, algumas delas querem um
banho quente, algumas delas querem um homem, algumas
delas dificilmente pensam em qualquer coisa. o que basta
e o que não basta. arcos e peregrinos, sarjetas
laranjas, samambaias, anticorpos, caixas de
lenços de papel.
no sol por vezes mais decente
há o sentimento levemente esfumaçado das urnas
e o som enlatado de velhos aviões de guerra
e se você entrar e correr seu dedo
pelo peitoril da janela você encontrará
sujeira, talvez até mesmo um pouco de terra.
e se você olhar através da janela
o dia chegará, e quando
ficar mais velho você seguirá olhando
seguirá olhando
chupando a língua de leve
ah ah não não talvez
alguns o fazem de modo natural
alguns de maneira obscena
em toda a parte.
e alguns homens resolvem as coisas em igrejas
e outros homens resolvem as coisas partindo borboletas
ao meio
e alguns homens resolvem as coisas em Palm Springs
enfiando-as em loiras amanteigadas
com almas de Cadillac
nada e tudo,
o rosto derretendo até a última baforada
num porão em Corpus Christi
há alguma coisa para os especuladores, para as freiras,
para os atendentes do mercado e para você...
alguma coisa às 8 da manhã, alguma coisa na biblioteca
alguma coisa no rio,
tudo e nada,
no matadouro essa coisa vem correndo ao longo
do teto presa a um gancho, e você a balança –
um
dois
três
e então você consegue, $200 de carne
morta, os ossos contra os seus
alguma coisa e nada.
é sempre cedo demais para morrer e
ao mesmo tempo tarde demais,
e o sangue extraído na bacia branca
nada lhe revela de fato
e os coveiros jogando pôquer além
das 5 da manhã, esperando que o gramado
se liberte da geada...
eles não lhe revelam nada de nada.
nós temos tudo e não temos nada –
dias com arestas de vidro e o fedor insuportável
de musgos do rio – pior do que merda;
dias de tabuleiro de movimentos e contramovimentos,
o interesse gasto, tendo a derrota ou a vitória o mesmo
sentido; dias lentos como mulas
a carregá-los estilhaçados e tristes e endurecidos pelo sol
por uma estrada onde um louco aguarda sentado entre
passarinhos azuis e cambaxirras aprisionados e sugados até um cinza
quebradiço.
bons dias também de vinho e gritaria, brigas
em becos, pernas gordas de mulheres lutando ao redor
de suas entranhas enterradas em gemidos,
os sinais nas arenas como diamantes gritando
Mãe Capri, violetas rasgando o chão
dizendo para você que se esqueça dos exércitos mortos e dos amores
que lhe roubaram.
dias em que as crianças dizem coisas engraçadas e brilhantes
como selvagens tentando lhe mandar uma mensagem através
de seus corpos enquanto seus corpos ainda
têm vida o suficiente para transmitir e sentir e correr para lá
e para cá sem amarras e contracheques e
ideais e posses e opiniões
de girino.
dias em que você pode chorar o dia inteiro num
quarto verde com a porta trancada, dias
em que você pode rir na cara do entregador de pães
porque as pernas dele são muito longas, dias
de olhar para cercas...
e nada, e nada. dias de
chefes, de homens amarelos
com mau hálito e pés grandes, homens
que parecem sapos, hienas, homens que caminham
como se a melodia jamais tivesse sido inventada, homens
que pensam que é inteligente contratar e demitir e
lucrar, homens com mulheres caras que eles possuem
como 60 acres de solo a ser perfurado
ou a serem exibidas ou postas a segura distância
dos incompetentes, homens capazes de matar você
porque eles são loucos e o justificam porque
esta é a lei, homens que se plantam em frente a
janelas com 9 metros de extensão e não veem nada,
homens com iates de luxo capazes de dar a volta
ao mundo e ainda assim jamais saírem dos bolsos de seus
coletes, homens como caracóis, homens como enguias, homens
como lesmas, e não tão bons quanto...
e nada, recebendo seu último salário
num porto, numa fábrica, num hospital, numa
fábrica de aviões, em fliperamas, numa
barbearia, num emprego que você não pode
tolerar.
imposto de renda, doença, servidão, braços
quebrados, cabeças quebradas – o enchimento todo
saltando para fora como de um velho travesseiro.
nós temos tudo e não temos nada.
alguns se viram bem por algum tempo e
depois desistem. a fama os pega ou a repulsa
ou a idade ou a falta de uma dieta adequada ou a tinta
nos olhos ou crianças nas faculdades
ou carros novos ou costas lesionadas ao esquiar
na Suíça ou novos políticos ou novas esposas
ou apenas a mudança natural e a decadência –
o homem que você conheceu ontem dando ganchos
durante dez assaltos ou bebendo por três dias e
três noites nas montanhas Sawtooth agora
apenas alguma coisa debaixo de um lençol ou de uma cruz
ou de uma pedra ou debaixo de uma fácil desilusão,
ou carregando uma bíblia ou uma sacola de golfe ou uma
valise: como eles vão, como eles vão! – todos
aqueles que você jamais pensou que iriam.
dias como este. como o seu dia hoje.
talvez a chuva na janela tentando
atravessar e chegar até você. o que você está vendo?
o que é? onde você está? os melhores
dias são às vezes os primeiros, às vezes
os intermediários e até mesmo por vezes os derradeiros.
as vagas vazias não estão mal, as igrejas nos
postais da Europa não estão mal. as pessoas
nos museus de cera congeladas em sua melhor esterilidade
não estão mal, horríveis mas não mal. o
canhão, pense no canhão. e a torrada no
café da manhã o café quente a ponto de você
saber que sua língua continua aí. três
gerânios do lado de fora da janela, tentando ser
vermelhos e tentando ser cor-de-rosa e tentando ser
gerânios. não é de espantar que às vezes as mulheres
chorem, não é de espantar que as mulas não queiram
subir as colinas. você está num quarto de hotel
em Detroit atrás de um cigarro? mais um dia
dos bons. um pedacinho dele. e enquanto isso
as enfermeiras saem do prédio depois
de seu turno, tendo tido o bastante, oito enfermeiras
com diferentes nomes e lugares diferentes
para ir – atravessando o gramado, algumas delas
querem chocolate quente e um jornal, algumas delas querem um
banho quente, algumas delas querem um homem, algumas
delas dificilmente pensam em qualquer coisa. o que basta
e o que não basta. arcos e peregrinos, sarjetas
laranjas, samambaias, anticorpos, caixas de
lenços de papel.
no sol por vezes mais decente
há o sentimento levemente esfumaçado das urnas
e o som enlatado de velhos aviões de guerra
e se você entrar e correr seu dedo
pelo peitoril da janela você encontrará
sujeira, talvez até mesmo um pouco de terra.
e se você olhar através da janela
o dia chegará, e quando
ficar mais velho você seguirá olhando
seguirá olhando
chupando a língua de leve
ah ah não não talvez
alguns o fazem de modo natural
alguns de maneira obscena
em toda a parte.
1 132
Charles Bukowski
Torres de Metralhadora & Relógios de Ponto
sinto-me logrado por néscios
como se a realidade fosse propriedade
de homens medíocres
com sorte e que receberam uns pontos de vantagem,
e eu me sento no frio
maravilhado com as flores púrpuras
ao longo da cerca
enquanto o resto deles
acumula ouro
e Cadillacs e
amantes,
eu me deixo ocupar por palmas
e por lápides
e pela preciosidade de um sono
como se dentro de um casulo;
ser um lagarto seria
bem ruim
ter de se escaldar ao sol
seria bastante ruim
mas não tão ruim
como ter de se erguer
à estatura de um homem e à vida de um homem
e desprovido da vontade de fazer parte do
jogo, sem vontade de ter
metralhadoras e torres e
relógios de ponto,
sem vontade de lavar o carro
de extrair um dente
de ter um relógio de pulso, abotoaduras
um radinho de pilha
pinças e algodão
um armarinho com iodo,
sem vontade de ir a coquetéis
de ter um gramado no pátio da frente
de todo mundo cantando junto
sapatos novos, presentes de Natal,
seguro de vida, a Newsweek
162 jogos de beisebol
umas férias nas Bermudas.
sem vontade para nada sem vontade,
e eu me ponho a analisar as flores
tão melhores do que eu
o lagarto tão melhor
a mangueira verde-escura
a eterna grama
as árvores os pássaros,
os gatos sonhando ao sol
amanteigado estão
muito melhor do que
eu, tendo agora de vestir este velho casaco
subjugado a meus cigarros
à chave do carro
a um mapa da estrada,
tendo de sair
pela calçada
como um homem a caminho da execução
avançando seguramente
em direção a ela,
seguindo a seu encontro
sem escolta
rumando em sua direção
correndo até ela
a 110 km por hora,
manejando
maldizendo
deitando cinzas
cinzas mortais de cada
coisa mortal
queimando,
a larva enfrenta menos
horror
os exércitos de formigas são
mais valentes
o beijo de uma cobra
menos voraz,
eu quero apenas o céu
a me queimar mais e mais
me aniquilar
de modo que o sol surja
às 6 da manhã
e siga até depois da meia-noite
como uma porta bêbada sempre aberta,
avanço em direção a ele
sem desejá-lo
chegando nele chegando nele
enquanto o gato se espreguiça
boceja
e se revira em direção a
outro sonho.
como se a realidade fosse propriedade
de homens medíocres
com sorte e que receberam uns pontos de vantagem,
e eu me sento no frio
maravilhado com as flores púrpuras
ao longo da cerca
enquanto o resto deles
acumula ouro
e Cadillacs e
amantes,
eu me deixo ocupar por palmas
e por lápides
e pela preciosidade de um sono
como se dentro de um casulo;
ser um lagarto seria
bem ruim
ter de se escaldar ao sol
seria bastante ruim
mas não tão ruim
como ter de se erguer
à estatura de um homem e à vida de um homem
e desprovido da vontade de fazer parte do
jogo, sem vontade de ter
metralhadoras e torres e
relógios de ponto,
sem vontade de lavar o carro
de extrair um dente
de ter um relógio de pulso, abotoaduras
um radinho de pilha
pinças e algodão
um armarinho com iodo,
sem vontade de ir a coquetéis
de ter um gramado no pátio da frente
de todo mundo cantando junto
sapatos novos, presentes de Natal,
seguro de vida, a Newsweek
162 jogos de beisebol
umas férias nas Bermudas.
sem vontade para nada sem vontade,
e eu me ponho a analisar as flores
tão melhores do que eu
o lagarto tão melhor
a mangueira verde-escura
a eterna grama
as árvores os pássaros,
os gatos sonhando ao sol
amanteigado estão
muito melhor do que
eu, tendo agora de vestir este velho casaco
subjugado a meus cigarros
à chave do carro
a um mapa da estrada,
tendo de sair
pela calçada
como um homem a caminho da execução
avançando seguramente
em direção a ela,
seguindo a seu encontro
sem escolta
rumando em sua direção
correndo até ela
a 110 km por hora,
manejando
maldizendo
deitando cinzas
cinzas mortais de cada
coisa mortal
queimando,
a larva enfrenta menos
horror
os exércitos de formigas são
mais valentes
o beijo de uma cobra
menos voraz,
eu quero apenas o céu
a me queimar mais e mais
me aniquilar
de modo que o sol surja
às 6 da manhã
e siga até depois da meia-noite
como uma porta bêbada sempre aberta,
avanço em direção a ele
sem desejá-lo
chegando nele chegando nele
enquanto o gato se espreguiça
boceja
e se revira em direção a
outro sonho.
716
Charles Bukowski
Torres de Metralhadora & Relógios de Ponto
sinto-me logrado por néscios
como se a realidade fosse propriedade
de homens medíocres
com sorte e que receberam uns pontos de vantagem,
e eu me sento no frio
maravilhado com as flores púrpuras
ao longo da cerca
enquanto o resto deles
acumula ouro
e Cadillacs e
amantes,
eu me deixo ocupar por palmas
e por lápides
e pela preciosidade de um sono
como se dentro de um casulo;
ser um lagarto seria
bem ruim
ter de se escaldar ao sol
seria bastante ruim
mas não tão ruim
como ter de se erguer
à estatura de um homem e à vida de um homem
e desprovido da vontade de fazer parte do
jogo, sem vontade de ter
metralhadoras e torres e
relógios de ponto,
sem vontade de lavar o carro
de extrair um dente
de ter um relógio de pulso, abotoaduras
um radinho de pilha
pinças e algodão
um armarinho com iodo,
sem vontade de ir a coquetéis
de ter um gramado no pátio da frente
de todo mundo cantando junto
sapatos novos, presentes de Natal,
seguro de vida, a Newsweek
162 jogos de beisebol
umas férias nas Bermudas.
sem vontade para nada sem vontade,
e eu me ponho a analisar as flores
tão melhores do que eu
o lagarto tão melhor
a mangueira verde-escura
a eterna grama
as árvores os pássaros,
os gatos sonhando ao sol
amanteigado estão
muito melhor do que
eu, tendo agora de vestir este velho casaco
subjugado a meus cigarros
à chave do carro
a um mapa da estrada,
tendo de sair
pela calçada
como um homem a caminho da execução
avançando seguramente
em direção a ela,
seguindo a seu encontro
sem escolta
rumando em sua direção
correndo até ela
a 110 km por hora,
manejando
maldizendo
deitando cinzas
cinzas mortais de cada
coisa mortal
queimando,
a larva enfrenta menos
horror
os exércitos de formigas são
mais valentes
o beijo de uma cobra
menos voraz,
eu quero apenas o céu
a me queimar mais e mais
me aniquilar
de modo que o sol surja
às 6 da manhã
e siga até depois da meia-noite
como uma porta bêbada sempre aberta,
avanço em direção a ele
sem desejá-lo
chegando nele chegando nele
enquanto o gato se espreguiça
boceja
e se revira em direção a
outro sonho.
como se a realidade fosse propriedade
de homens medíocres
com sorte e que receberam uns pontos de vantagem,
e eu me sento no frio
maravilhado com as flores púrpuras
ao longo da cerca
enquanto o resto deles
acumula ouro
e Cadillacs e
amantes,
eu me deixo ocupar por palmas
e por lápides
e pela preciosidade de um sono
como se dentro de um casulo;
ser um lagarto seria
bem ruim
ter de se escaldar ao sol
seria bastante ruim
mas não tão ruim
como ter de se erguer
à estatura de um homem e à vida de um homem
e desprovido da vontade de fazer parte do
jogo, sem vontade de ter
metralhadoras e torres e
relógios de ponto,
sem vontade de lavar o carro
de extrair um dente
de ter um relógio de pulso, abotoaduras
um radinho de pilha
pinças e algodão
um armarinho com iodo,
sem vontade de ir a coquetéis
de ter um gramado no pátio da frente
de todo mundo cantando junto
sapatos novos, presentes de Natal,
seguro de vida, a Newsweek
162 jogos de beisebol
umas férias nas Bermudas.
sem vontade para nada sem vontade,
e eu me ponho a analisar as flores
tão melhores do que eu
o lagarto tão melhor
a mangueira verde-escura
a eterna grama
as árvores os pássaros,
os gatos sonhando ao sol
amanteigado estão
muito melhor do que
eu, tendo agora de vestir este velho casaco
subjugado a meus cigarros
à chave do carro
a um mapa da estrada,
tendo de sair
pela calçada
como um homem a caminho da execução
avançando seguramente
em direção a ela,
seguindo a seu encontro
sem escolta
rumando em sua direção
correndo até ela
a 110 km por hora,
manejando
maldizendo
deitando cinzas
cinzas mortais de cada
coisa mortal
queimando,
a larva enfrenta menos
horror
os exércitos de formigas são
mais valentes
o beijo de uma cobra
menos voraz,
eu quero apenas o céu
a me queimar mais e mais
me aniquilar
de modo que o sol surja
às 6 da manhã
e siga até depois da meia-noite
como uma porta bêbada sempre aberta,
avanço em direção a ele
sem desejá-lo
chegando nele chegando nele
enquanto o gato se espreguiça
boceja
e se revira em direção a
outro sonho.
716
Charles Bukowski
Um Cavalo de 340 Dólares E Uma Puta de Cem
jamais tenha para si que sou um poeta; você pode me ver
semibêbado nas corridas todos os dias
apostando em todos os tipos de cavalos,
mas deixe eu dizer uma coisa a você, há algumas mulheres lá
que vão aonde o dinheiro está, e às vezes quando você
olha para essas putas essas putas de cem dólares
você por vezes se pergunta se a natureza não está de brincadeira
esbanjando tanto peito e rabo no modo como
estão reunidos, você olha e olha e
olha e não consegue acreditar; há mulheres ordinárias
e então há alguma coisa a mais que faz você querer
rasgar pinturas e quebrar discos de Beethoven
na parte dos fundos no banheiro; de todo modo, a temporada
ia se arrastando e os grandes figurões não paravam de se ferrar,
todos os amadores, os produtores, os operadores de câmeras,
os traficantes de Maria, os vendedores de pele, os proprietários
em pessoa, e Saint Louie estava correndo neste dia:
um cavalo que conseguiu romper no final;
corria com a cabeça baixa e era mau e feio
e pagava 35 por 1, e eu tinha apostado dez nele.
o jóquei lançou-o para a extremidade
colando-o na cerca onde avançaria sozinho
mesmo que tivesse de percorrer uma distância quatro vezes maior,
e foi assim que ele seguiu
o trajeto todo até a cerca exterior
avançando três quilômetros em um só
e ele venceu como se estivesse possuído pelo demônio
e não estava sequer cansado,
e a maior de todas as loiras
feita de quase nada além de peitos e bunda
foi até o guichê de pagamento comigo.
naquela noite eu não pude acabar com ela
ainda que as molas disparassem faíscas
e golpeassem as paredes.
mais tarde ela se sentou apenas de calcinha
bebendo um Old Grandad
e ela disse
o que um cara como você faz
vivendo num buraco como este?
e eu disse
sou um poeta
e ela jogou sua bela cabeça para trás e gargalhou.
você? você... um poeta?
acho que você está certa, eu disse, acho que você está certa.
mas ainda assim ela parecia legal para mim, continuava parecendo legal,
e tudo graças a um cavalo feioso
que escreveu este poema.
semibêbado nas corridas todos os dias
apostando em todos os tipos de cavalos,
mas deixe eu dizer uma coisa a você, há algumas mulheres lá
que vão aonde o dinheiro está, e às vezes quando você
olha para essas putas essas putas de cem dólares
você por vezes se pergunta se a natureza não está de brincadeira
esbanjando tanto peito e rabo no modo como
estão reunidos, você olha e olha e
olha e não consegue acreditar; há mulheres ordinárias
e então há alguma coisa a mais que faz você querer
rasgar pinturas e quebrar discos de Beethoven
na parte dos fundos no banheiro; de todo modo, a temporada
ia se arrastando e os grandes figurões não paravam de se ferrar,
todos os amadores, os produtores, os operadores de câmeras,
os traficantes de Maria, os vendedores de pele, os proprietários
em pessoa, e Saint Louie estava correndo neste dia:
um cavalo que conseguiu romper no final;
corria com a cabeça baixa e era mau e feio
e pagava 35 por 1, e eu tinha apostado dez nele.
o jóquei lançou-o para a extremidade
colando-o na cerca onde avançaria sozinho
mesmo que tivesse de percorrer uma distância quatro vezes maior,
e foi assim que ele seguiu
o trajeto todo até a cerca exterior
avançando três quilômetros em um só
e ele venceu como se estivesse possuído pelo demônio
e não estava sequer cansado,
e a maior de todas as loiras
feita de quase nada além de peitos e bunda
foi até o guichê de pagamento comigo.
naquela noite eu não pude acabar com ela
ainda que as molas disparassem faíscas
e golpeassem as paredes.
mais tarde ela se sentou apenas de calcinha
bebendo um Old Grandad
e ela disse
o que um cara como você faz
vivendo num buraco como este?
e eu disse
sou um poeta
e ela jogou sua bela cabeça para trás e gargalhou.
você? você... um poeta?
acho que você está certa, eu disse, acho que você está certa.
mas ainda assim ela parecia legal para mim, continuava parecendo legal,
e tudo graças a um cavalo feioso
que escreveu este poema.
1 257
Charles Bukowski
Um Cavalo de 340 Dólares E Uma Puta de Cem
jamais tenha para si que sou um poeta; você pode me ver
semibêbado nas corridas todos os dias
apostando em todos os tipos de cavalos,
mas deixe eu dizer uma coisa a você, há algumas mulheres lá
que vão aonde o dinheiro está, e às vezes quando você
olha para essas putas essas putas de cem dólares
você por vezes se pergunta se a natureza não está de brincadeira
esbanjando tanto peito e rabo no modo como
estão reunidos, você olha e olha e
olha e não consegue acreditar; há mulheres ordinárias
e então há alguma coisa a mais que faz você querer
rasgar pinturas e quebrar discos de Beethoven
na parte dos fundos no banheiro; de todo modo, a temporada
ia se arrastando e os grandes figurões não paravam de se ferrar,
todos os amadores, os produtores, os operadores de câmeras,
os traficantes de Maria, os vendedores de pele, os proprietários
em pessoa, e Saint Louie estava correndo neste dia:
um cavalo que conseguiu romper no final;
corria com a cabeça baixa e era mau e feio
e pagava 35 por 1, e eu tinha apostado dez nele.
o jóquei lançou-o para a extremidade
colando-o na cerca onde avançaria sozinho
mesmo que tivesse de percorrer uma distância quatro vezes maior,
e foi assim que ele seguiu
o trajeto todo até a cerca exterior
avançando três quilômetros em um só
e ele venceu como se estivesse possuído pelo demônio
e não estava sequer cansado,
e a maior de todas as loiras
feita de quase nada além de peitos e bunda
foi até o guichê de pagamento comigo.
naquela noite eu não pude acabar com ela
ainda que as molas disparassem faíscas
e golpeassem as paredes.
mais tarde ela se sentou apenas de calcinha
bebendo um Old Grandad
e ela disse
o que um cara como você faz
vivendo num buraco como este?
e eu disse
sou um poeta
e ela jogou sua bela cabeça para trás e gargalhou.
você? você... um poeta?
acho que você está certa, eu disse, acho que você está certa.
mas ainda assim ela parecia legal para mim, continuava parecendo legal,
e tudo graças a um cavalo feioso
que escreveu este poema.
semibêbado nas corridas todos os dias
apostando em todos os tipos de cavalos,
mas deixe eu dizer uma coisa a você, há algumas mulheres lá
que vão aonde o dinheiro está, e às vezes quando você
olha para essas putas essas putas de cem dólares
você por vezes se pergunta se a natureza não está de brincadeira
esbanjando tanto peito e rabo no modo como
estão reunidos, você olha e olha e
olha e não consegue acreditar; há mulheres ordinárias
e então há alguma coisa a mais que faz você querer
rasgar pinturas e quebrar discos de Beethoven
na parte dos fundos no banheiro; de todo modo, a temporada
ia se arrastando e os grandes figurões não paravam de se ferrar,
todos os amadores, os produtores, os operadores de câmeras,
os traficantes de Maria, os vendedores de pele, os proprietários
em pessoa, e Saint Louie estava correndo neste dia:
um cavalo que conseguiu romper no final;
corria com a cabeça baixa e era mau e feio
e pagava 35 por 1, e eu tinha apostado dez nele.
o jóquei lançou-o para a extremidade
colando-o na cerca onde avançaria sozinho
mesmo que tivesse de percorrer uma distância quatro vezes maior,
e foi assim que ele seguiu
o trajeto todo até a cerca exterior
avançando três quilômetros em um só
e ele venceu como se estivesse possuído pelo demônio
e não estava sequer cansado,
e a maior de todas as loiras
feita de quase nada além de peitos e bunda
foi até o guichê de pagamento comigo.
naquela noite eu não pude acabar com ela
ainda que as molas disparassem faíscas
e golpeassem as paredes.
mais tarde ela se sentou apenas de calcinha
bebendo um Old Grandad
e ela disse
o que um cara como você faz
vivendo num buraco como este?
e eu disse
sou um poeta
e ela jogou sua bela cabeça para trás e gargalhou.
você? você... um poeta?
acho que você está certa, eu disse, acho que você está certa.
mas ainda assim ela parecia legal para mim, continuava parecendo legal,
e tudo graças a um cavalo feioso
que escreveu este poema.
1 257
Charles Bukowski
A Falta de Quase Tudo
a essência da pança
como um balão branco ensacado
é perturbadora
como passos correndo
pela escada
quando você não sabe
de quem se trata.
claro, se você liga o rádio
é capaz de esquecer
a gordura debaixo da camisa
ou os ratos alinhados ordeiramente
como as velhotas no Hollywood Blvd
esperando pelo show
de humor.
penso nos homens velhos
em quartos de quatro dólares
procurando por meias nas gavetas do armário
enquanto ficam de pé com cuecas marrons
o tempo todo o relógio soando
quente como uma
cobra.
ah, existem algumas coisas decentes, talvez:
o céu, o circo
as pernas das mulheres saindo dos carros,
a beleza entrando pela porta
como uma sinfonia de Mozart.
a balança diz 90 kg. é este o
meu peso. são 2:10 da manhã
dedicação é para jogadores de xadrez.
a causa singular e gloriosa continua
em discussão
enquanto se fuma, se mija, se lê Genet
ou alguns jornais engraçados;
mas talvez ainda seja muito cedo
para escrever àquela sua tia em
Palm Springs e revelar a ela
o que está errado.
como um balão branco ensacado
é perturbadora
como passos correndo
pela escada
quando você não sabe
de quem se trata.
claro, se você liga o rádio
é capaz de esquecer
a gordura debaixo da camisa
ou os ratos alinhados ordeiramente
como as velhotas no Hollywood Blvd
esperando pelo show
de humor.
penso nos homens velhos
em quartos de quatro dólares
procurando por meias nas gavetas do armário
enquanto ficam de pé com cuecas marrons
o tempo todo o relógio soando
quente como uma
cobra.
ah, existem algumas coisas decentes, talvez:
o céu, o circo
as pernas das mulheres saindo dos carros,
a beleza entrando pela porta
como uma sinfonia de Mozart.
a balança diz 90 kg. é este o
meu peso. são 2:10 da manhã
dedicação é para jogadores de xadrez.
a causa singular e gloriosa continua
em discussão
enquanto se fuma, se mija, se lê Genet
ou alguns jornais engraçados;
mas talvez ainda seja muito cedo
para escrever àquela sua tia em
Palm Springs e revelar a ela
o que está errado.
1 129
Charles Bukowski
Meu Pai
ele carregava uma barra
uma lâmina e um chicote
e à noite
temia por sua cabeça
e a enfiava debaixo das cobertas
até que em uma certa manhã em Los Angeles
começou a nevar
e eu vi a neve
e soube que meu pai
não podia controlar nada,
e quando
me tornei de algum modo maior
e levei meu primeiro vagão
para fora, sentei sobre
a cal
a cal abrasiva
de não ter nada
avançando em direção ao deserto
pela primeira vez
eu cantei.
uma lâmina e um chicote
e à noite
temia por sua cabeça
e a enfiava debaixo das cobertas
até que em uma certa manhã em Los Angeles
começou a nevar
e eu vi a neve
e soube que meu pai
não podia controlar nada,
e quando
me tornei de algum modo maior
e levei meu primeiro vagão
para fora, sentei sobre
a cal
a cal abrasiva
de não ter nada
avançando em direção ao deserto
pela primeira vez
eu cantei.
1 377
Charles Bukowski
Numa Vizinhança de Assassinos
as baratas cospem
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
1 140
Charles Bukowski
Numa Vizinhança de Assassinos
as baratas cospem
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
1 140
Charles Bukowski
Gêmeos
ei, disse o meu amigo, quero que você conheça
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
1 208
Charles Bukowski
Gêmeos
ei, disse o meu amigo, quero que você conheça
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
1 208
Charles Bukowski
Depois da Leitura:
“...já vi pessoas em frente a
suas máquinas de escrever em tal aperto
que faria com que seus intestinos explodissem
cu afora se estivessem
tentando cagar.”
“ah hahaha hahaha!”
“...é uma vergonha trabalhar assim
tão pesado só para escrever.”
“ah hahaha hahaha!”
“a ambição raramente tem alguma coisa
a ver com o talento. é melhor ter sorte, e
deixar o talento vir manquejando logo
atrás da sorte.”
“a haha.”
ele se levantou e deixou o lugar com uma virgem de 18 anos,
a mais linda estudante entre
todas.
fechei meu bloquinho
me ergui e manquejei
logo atrás dos
dois.
suas máquinas de escrever em tal aperto
que faria com que seus intestinos explodissem
cu afora se estivessem
tentando cagar.”
“ah hahaha hahaha!”
“...é uma vergonha trabalhar assim
tão pesado só para escrever.”
“ah hahaha hahaha!”
“a ambição raramente tem alguma coisa
a ver com o talento. é melhor ter sorte, e
deixar o talento vir manquejando logo
atrás da sorte.”
“a haha.”
ele se levantou e deixou o lugar com uma virgem de 18 anos,
a mais linda estudante entre
todas.
fechei meu bloquinho
me ergui e manquejei
logo atrás dos
dois.
1 088
Charles Bukowski
Hora da Cagada
meio bêbado
deixei a casa dela
suas cobertas quentes
e eu estava de ressaca
não sabia sequer que cidade era
aquela.
saí caminhando sem conseguir
achar meu carro.
mas eu sabia que ele tinha que estar em algum lugar.
e logo eu também estava
perdido.
caminhei a esmo. era a
manhã de uma quarta-feira e eu podia
ver o oceano ao sul.
mas toda aquela bebida:
a merda estava prestes a escorrer
para fora de mim.
segui em direção ao
mar.
avistei uma estrutura de tijolos
marrons nos limites
da rebentação.
entrei. havia um
velho gemendo em um
dos reservados.
“olá, meu chapa”, ele disse.
“olá”, eu disse.
“está um inferno lá fora,
não?”, o velho
perguntou.
“sim”, respondi.
“precisa de um trago?”
“nunca bebo antes do meio-dia.”
“que horas você tem aí?”
“11h58”
“temos dois minutos.”
me limpei, dei a descarga, subi minhas
calças e me afastei.
o velho continuava no seu reservado,
gemendo.
apontou para uma garrafa de vinho
junto a seus pés
quase vazia
e eu a apanhei e tomei cerca de metade
do que ainda restava.
estiquei para ele uma nota de dólar, velha e
amassada
então segui para o lado de fora e vomitei
num gramado.
olhei para o oceano e o
oceano parecia bom, cheio de azuis e
verdes e tubarões.
saí dali e refiz o caminho
até a rua
determinado a encontrar meu automóvel.
custou-me uma hora e quinze minutos
e quando finalmente consegui encontrá-lo
entrei e dei a partida
fingindo saber tanto quanto
o homem
ao lado.
deixei a casa dela
suas cobertas quentes
e eu estava de ressaca
não sabia sequer que cidade era
aquela.
saí caminhando sem conseguir
achar meu carro.
mas eu sabia que ele tinha que estar em algum lugar.
e logo eu também estava
perdido.
caminhei a esmo. era a
manhã de uma quarta-feira e eu podia
ver o oceano ao sul.
mas toda aquela bebida:
a merda estava prestes a escorrer
para fora de mim.
segui em direção ao
mar.
avistei uma estrutura de tijolos
marrons nos limites
da rebentação.
entrei. havia um
velho gemendo em um
dos reservados.
“olá, meu chapa”, ele disse.
“olá”, eu disse.
“está um inferno lá fora,
não?”, o velho
perguntou.
“sim”, respondi.
“precisa de um trago?”
“nunca bebo antes do meio-dia.”
“que horas você tem aí?”
“11h58”
“temos dois minutos.”
me limpei, dei a descarga, subi minhas
calças e me afastei.
o velho continuava no seu reservado,
gemendo.
apontou para uma garrafa de vinho
junto a seus pés
quase vazia
e eu a apanhei e tomei cerca de metade
do que ainda restava.
estiquei para ele uma nota de dólar, velha e
amassada
então segui para o lado de fora e vomitei
num gramado.
olhei para o oceano e o
oceano parecia bom, cheio de azuis e
verdes e tubarões.
saí dali e refiz o caminho
até a rua
determinado a encontrar meu automóvel.
custou-me uma hora e quinze minutos
e quando finalmente consegui encontrá-lo
entrei e dei a partida
fingindo saber tanto quanto
o homem
ao lado.
1 167
Charles Bukowski
A Boa Vida
uma casa com 7 ou 8 pessoas
vivendo ali
rachando o aluguel.
há um estéreo nunca utilizado
e um par de bongôs
nunca utilizado
e há panos cobrindo as
janelas
e você fuma
enquanto baratas vivas
escorregam sobre os botões de sua
camisa e despencam no
chão.
está escuro e alguém vai em
busca de comida. você come
e dorme. todos dormem ao mesmo
tempo: no chão, sobre as mesas,
sofás, camas, nas banheiras. há até
mesmo uma pessoa lá fora no mato.
então alguém acorda e
diz, “vamos lá, vamos fechar
um!”
alguns outros acordam.
“opa. é isso aí.”
“beleza. vamos lá, alguém aí
fecha dois. vamos nos
chapar!”
“isso. vamos nos chapar!”
fumamos alguns baseados e depois
voltamos a dormir
trocando apenas de lugar
da banheira para o sofá, da mesa para
o tapete, da cama para o chão, e um novo
sujeito desaba no mato
lá fora, e eles ainda não
encontraram Patty Hearst e Tim não quer
falar com
Allan.
vivendo ali
rachando o aluguel.
há um estéreo nunca utilizado
e um par de bongôs
nunca utilizado
e há panos cobrindo as
janelas
e você fuma
enquanto baratas vivas
escorregam sobre os botões de sua
camisa e despencam no
chão.
está escuro e alguém vai em
busca de comida. você come
e dorme. todos dormem ao mesmo
tempo: no chão, sobre as mesas,
sofás, camas, nas banheiras. há até
mesmo uma pessoa lá fora no mato.
então alguém acorda e
diz, “vamos lá, vamos fechar
um!”
alguns outros acordam.
“opa. é isso aí.”
“beleza. vamos lá, alguém aí
fecha dois. vamos nos
chapar!”
“isso. vamos nos chapar!”
fumamos alguns baseados e depois
voltamos a dormir
trocando apenas de lugar
da banheira para o sofá, da mesa para
o tapete, da cama para o chão, e um novo
sujeito desaba no mato
lá fora, e eles ainda não
encontraram Patty Hearst e Tim não quer
falar com
Allan.
1 265