Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Pablo Neruda
V - Em Sua Morte
Camarada Stalin, eu estava junto ao mar na Ilha Negra,
descansando de lutas e de viagens,
quando a notícia de tua morte chegou como um choque de oceano.
Foi primeiro o silêncio, o estupor das coisas, e depois
chegou do mar uma onda grande.
De algas, metais e homens, pedras, espuma e lágrimas
estava feita esta onda.
De história, espaço e tempo recolheu sua matéria
e se elevou chorando sobre o mundo
até que diante de mim veio para golpear a costa
e derrubou em minhas portas sua mensagem de luto
com um grito gigante
como se de repente se quebrasse a terra.
Era em 1914.
Nas fábricas se acumulavam sujeiras e dores.
Os ricos do novo século
repartiam-se a dentadas o petróleo e as ilhas, o cobre
e os canais.
Nem uma só bandeira levantou suas cores
sem os respingos do sangue.
De Hong Kong a Chicago a polícia
buscava documentos e ensaiava
as metralhadoras na carne do povo.
As marchas militares desde a aurora
mandavam soldadinhos para morrer.
Frenético era o baile dos estrangeiros
nas boates de Paris cheias de fumo.
Sangrava o homem.
Uma chuva de sangue
caía do planeta,
manchava as estrelas.
A morte estreou então armaduras de aço.
A fome
nos caminhos da Europa
foi como um vento gelado aventando folhas secas e
quebrantando ossos.
O outono soprava os farrapos.
A guerra havia eriçado os caminhos.
Olor de inverno e sangue
emanava da Europa
como de um matadouro abandonado.
Enquanto isso os donos
do carvão,
do ferro,
do aço,
do fumo,
dos bancos,
do gás,
do ouro,
da farinha,
do salitre,
do jornal El Mercúrio,
os donos de bordéis,
os senadores norte-americanos,
os flibusteiros
carregados de ouro e sangue
de todos os países,
eram também os donos
da História.
Ali estavam sentados
de fraque, ocupadíssimos
em dispensar-se condecorações,
em presentear-se cheques na entrada
e roubá-los na saída,
em presentear-se ações da carnificina
e repartir-se a dentadas
pedaços de povo e de geografia.
Então com modesto
vestido e gorro operário,
entrou o vento,
entrou o vento do povo.
Era Lenin.
Mudou a terra, o homem, a vida.
O ar livre revolucionário
transtornou os papéis
manchados. Nasceu uma pátria
que não deixou de crescer.
É grande como um mundo, mas cabe
até no coração do mais
humilde
trabalhador de usina ou de oficina,
de agricultura ou barco.
Era a União Soviética.
Junto a Lenin
Stalin avançava
e assim, com blusa branca,
com gorro cinzento de operário,
Stalin,
com seu passo tranquilo,
entrou na História acompanhado
de Lenin e do vento.
Stalin desde então
foi construindo. Tudo
fazia falta. Lenin
recebeu dos czares
teias de aranha e farrapos.
Lenin deixou uma herança
de pátria livre e vasta.
Stalin a povoou
com escolas e farinha,
imprensas e maçãs.
Stalin desde o Volga
até a neve
do Norte inacessível
pôs sua mão e em sua mão um homem
começou a construir.
As cidades nasceram.
Os desertos cantaram
pela primeira vez com a voz da água.
Os minerais
acudiram,
saíram
de seus sonhos escuros,
levantaram-se,
tornaram-se trilhos, rodas,
locomotivas, fios
que levaram as sílabas elétricas
por toda a extensão e distância.
Stalin
construía.
Nasceram
de suas mãos
cereais,
tratores,
ensinamentos,
caminhos,
e ele ali
simples como tu e como eu,
se tu e eu conseguíssemos
ser simples como ele.
Porém o aprenderemos.
Sua simplicidade e sua sabedoria,
sua estrutura
de bondoso coração e de aço inflexível
nos ajuda a ser homens cada dia,
diariamente nos ajuda a ser homens.
Ser homens! É esta
a lei staliniana!
Ser comunista é difícil.
Há que aprender a sê-lo.
Ser homens comunistas
é ainda mais difícil,
e há que aprender de Stalin
sua intensidade serena,
sua claridade concreta,
seu desprezo
ao ouropel vazio,
à oca abstração editorial.
Ele foi diretamente
desenlaçando o nó
e mostrando a reta
claridade da linha,
entrando nos problemas
sem as frases que ocultam
o vazio,
direto ao centro débil
que em nossa luta retificaremos
podando as folhagens
e mostrando o desígnio dos frutos.
Stalin é o meio-dia,
a madureza do homem e dos povos.
Na guerra o viram
as cidades queimadas
extrair do escombro
a esperança,
refundida de novo,
fazê-la aço,
e atacar com seus raios
destruindo
a fortificação das trevas.
Mas também ajudou às macieiras
da Sibéria
a dar suas frutas debaixo da tormenta.
Ensinou a todos
a crescer, a crescer,
plantas e metais,
criaturas e rios
ensinou-lhes a crescer,
a dar frutos e fogo.
Ensinou-lhes a Paz
e assim deteve
com seu peito estendido
os lobos da guerra.
Diante do mar de Ilha Negra, na manhã,
icei em meia haste a bandeira do Chile.
Estava solitária a costa e uma névoa de prata
se mesclava ã espuma solene do oceano.
Em metade do seu mastro, no campo de azul,
a estrela solitária de minha pátria
parecia uma lágrima entre o céu e a terra.
Passou um homem do povo, saudou compreendendo,
e tirou o chapéu.
Veio um rapaz e me apertou a mão.
Mais tarde o pescador de ouriços, o velho búzio e poeta, Gonzalito, acercou-se para acompanhar-me sob a bandeira.
“Era mais sábio que todos os homens juntos”, me disse olhando o mar com seus velhos olhos, com os velhos olhos do povo.
E logo por longo instante não nos falamos nada.
Uma onda
estremeceu as pedras da margem.
“Porém Malenkov agora continuará sua obra”, prosseguiu
levantando-se o pobre pescador de jaqueta surrada.
Eu o fitei surpreendido pensando: como, como o sabe?
De onde, nesta costa solitária?
E compreendi que o mar lhe havia ensinado.
E ali velamos juntos, um poeta,
um pescador e o mar
ao Capitão remoto que ao entrar na morte
deixou a todos os povos, como herança, a vida.
descansando de lutas e de viagens,
quando a notícia de tua morte chegou como um choque de oceano.
Foi primeiro o silêncio, o estupor das coisas, e depois
chegou do mar uma onda grande.
De algas, metais e homens, pedras, espuma e lágrimas
estava feita esta onda.
De história, espaço e tempo recolheu sua matéria
e se elevou chorando sobre o mundo
até que diante de mim veio para golpear a costa
e derrubou em minhas portas sua mensagem de luto
com um grito gigante
como se de repente se quebrasse a terra.
Era em 1914.
Nas fábricas se acumulavam sujeiras e dores.
Os ricos do novo século
repartiam-se a dentadas o petróleo e as ilhas, o cobre
e os canais.
Nem uma só bandeira levantou suas cores
sem os respingos do sangue.
De Hong Kong a Chicago a polícia
buscava documentos e ensaiava
as metralhadoras na carne do povo.
As marchas militares desde a aurora
mandavam soldadinhos para morrer.
Frenético era o baile dos estrangeiros
nas boates de Paris cheias de fumo.
Sangrava o homem.
Uma chuva de sangue
caía do planeta,
manchava as estrelas.
A morte estreou então armaduras de aço.
A fome
nos caminhos da Europa
foi como um vento gelado aventando folhas secas e
quebrantando ossos.
O outono soprava os farrapos.
A guerra havia eriçado os caminhos.
Olor de inverno e sangue
emanava da Europa
como de um matadouro abandonado.
Enquanto isso os donos
do carvão,
do ferro,
do aço,
do fumo,
dos bancos,
do gás,
do ouro,
da farinha,
do salitre,
do jornal El Mercúrio,
os donos de bordéis,
os senadores norte-americanos,
os flibusteiros
carregados de ouro e sangue
de todos os países,
eram também os donos
da História.
Ali estavam sentados
de fraque, ocupadíssimos
em dispensar-se condecorações,
em presentear-se cheques na entrada
e roubá-los na saída,
em presentear-se ações da carnificina
e repartir-se a dentadas
pedaços de povo e de geografia.
Então com modesto
vestido e gorro operário,
entrou o vento,
entrou o vento do povo.
Era Lenin.
Mudou a terra, o homem, a vida.
O ar livre revolucionário
transtornou os papéis
manchados. Nasceu uma pátria
que não deixou de crescer.
É grande como um mundo, mas cabe
até no coração do mais
humilde
trabalhador de usina ou de oficina,
de agricultura ou barco.
Era a União Soviética.
Junto a Lenin
Stalin avançava
e assim, com blusa branca,
com gorro cinzento de operário,
Stalin,
com seu passo tranquilo,
entrou na História acompanhado
de Lenin e do vento.
Stalin desde então
foi construindo. Tudo
fazia falta. Lenin
recebeu dos czares
teias de aranha e farrapos.
Lenin deixou uma herança
de pátria livre e vasta.
Stalin a povoou
com escolas e farinha,
imprensas e maçãs.
Stalin desde o Volga
até a neve
do Norte inacessível
pôs sua mão e em sua mão um homem
começou a construir.
As cidades nasceram.
Os desertos cantaram
pela primeira vez com a voz da água.
Os minerais
acudiram,
saíram
de seus sonhos escuros,
levantaram-se,
tornaram-se trilhos, rodas,
locomotivas, fios
que levaram as sílabas elétricas
por toda a extensão e distância.
Stalin
construía.
Nasceram
de suas mãos
cereais,
tratores,
ensinamentos,
caminhos,
e ele ali
simples como tu e como eu,
se tu e eu conseguíssemos
ser simples como ele.
Porém o aprenderemos.
Sua simplicidade e sua sabedoria,
sua estrutura
de bondoso coração e de aço inflexível
nos ajuda a ser homens cada dia,
diariamente nos ajuda a ser homens.
Ser homens! É esta
a lei staliniana!
Ser comunista é difícil.
Há que aprender a sê-lo.
Ser homens comunistas
é ainda mais difícil,
e há que aprender de Stalin
sua intensidade serena,
sua claridade concreta,
seu desprezo
ao ouropel vazio,
à oca abstração editorial.
Ele foi diretamente
desenlaçando o nó
e mostrando a reta
claridade da linha,
entrando nos problemas
sem as frases que ocultam
o vazio,
direto ao centro débil
que em nossa luta retificaremos
podando as folhagens
e mostrando o desígnio dos frutos.
Stalin é o meio-dia,
a madureza do homem e dos povos.
Na guerra o viram
as cidades queimadas
extrair do escombro
a esperança,
refundida de novo,
fazê-la aço,
e atacar com seus raios
destruindo
a fortificação das trevas.
Mas também ajudou às macieiras
da Sibéria
a dar suas frutas debaixo da tormenta.
Ensinou a todos
a crescer, a crescer,
plantas e metais,
criaturas e rios
ensinou-lhes a crescer,
a dar frutos e fogo.
Ensinou-lhes a Paz
e assim deteve
com seu peito estendido
os lobos da guerra.
Diante do mar de Ilha Negra, na manhã,
icei em meia haste a bandeira do Chile.
Estava solitária a costa e uma névoa de prata
se mesclava ã espuma solene do oceano.
Em metade do seu mastro, no campo de azul,
a estrela solitária de minha pátria
parecia uma lágrima entre o céu e a terra.
Passou um homem do povo, saudou compreendendo,
e tirou o chapéu.
Veio um rapaz e me apertou a mão.
Mais tarde o pescador de ouriços, o velho búzio e poeta, Gonzalito, acercou-se para acompanhar-me sob a bandeira.
“Era mais sábio que todos os homens juntos”, me disse olhando o mar com seus velhos olhos, com os velhos olhos do povo.
E logo por longo instante não nos falamos nada.
Uma onda
estremeceu as pedras da margem.
“Porém Malenkov agora continuará sua obra”, prosseguiu
levantando-se o pobre pescador de jaqueta surrada.
Eu o fitei surpreendido pensando: como, como o sabe?
De onde, nesta costa solitária?
E compreendi que o mar lhe havia ensinado.
E ali velamos juntos, um poeta,
um pescador e o mar
ao Capitão remoto que ao entrar na morte
deixou a todos os povos, como herança, a vida.
1 143
Pablo Neruda
Iv - Construindo a Paz
Mas a vida
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
1 493
Pablo Neruda
Iv - Construindo a Paz
Mas a vida
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
1 493
Pablo Neruda
Iii - As Ruínas No Báltico
Gdansk, atormentado pela guerra,
rosa despedaçada,
como espectro entre espectros,
entre o cheiro marinho
e o alto céu branco,
andei entre tuas ruínas,
entre pedaços de prata alaranjada.
A névoa entrou comigo,
os vapores glaciais,
e errante
desenlacei as ruas
sem casas e sem homens.
Eu conheço a guerra
e esse rosto sem olhos e sem lábios,
essas janelas mortas
as conheço,
vi-as em Madri, em Berlim, em Varsóvia,
mas esta gótica nave
com sua cinza de tijolos vermelhos
junto ao mar, na porta
das antigas viagens,
esta figura mercantil de proa,
balandra verde dos mares frios,
com suas dilacerantes aberturas,
seus muros em munhões,
seu orgulho demolido,
me entraram na alma
com rajadas de neve, pó e fumo,
algo enceguecedor, desesperado.
A casa das agremiações
com seus sinais caídos,
os bancos em que o ouro tilintava
tombando na garganta da Europa,
os molhes vermelhos
onde um rio
de cereais trouxe
como uma onda terrestre
o olor do verão,
tudo era pó, montes
de matéria desfeita,
e o vento do Báltico férreo
voando no vazio.
Vi com meus olhos
pulular o rocio da onda
na ressurreição das carenas,
das proas bordadas
pelo homem recém-desenterrado.
Vislumbrei
como nascia um porto,
mas não das águas e as terras
lavadas e lustradas,
mas da catástrofe.
E eu te vi, titânica pomba,
branca e azul, marinha,
nascer e levantar-te
voando firme e forte
lá da destruição emaranhada
e da sangrenta solidão
do vento e as cinzas!
rosa despedaçada,
como espectro entre espectros,
entre o cheiro marinho
e o alto céu branco,
andei entre tuas ruínas,
entre pedaços de prata alaranjada.
A névoa entrou comigo,
os vapores glaciais,
e errante
desenlacei as ruas
sem casas e sem homens.
Eu conheço a guerra
e esse rosto sem olhos e sem lábios,
essas janelas mortas
as conheço,
vi-as em Madri, em Berlim, em Varsóvia,
mas esta gótica nave
com sua cinza de tijolos vermelhos
junto ao mar, na porta
das antigas viagens,
esta figura mercantil de proa,
balandra verde dos mares frios,
com suas dilacerantes aberturas,
seus muros em munhões,
seu orgulho demolido,
me entraram na alma
com rajadas de neve, pó e fumo,
algo enceguecedor, desesperado.
A casa das agremiações
com seus sinais caídos,
os bancos em que o ouro tilintava
tombando na garganta da Europa,
os molhes vermelhos
onde um rio
de cereais trouxe
como uma onda terrestre
o olor do verão,
tudo era pó, montes
de matéria desfeita,
e o vento do Báltico férreo
voando no vazio.
Vi com meus olhos
pulular o rocio da onda
na ressurreição das carenas,
das proas bordadas
pelo homem recém-desenterrado.
Vislumbrei
como nascia um porto,
mas não das águas e as terras
lavadas e lustradas,
mas da catástrofe.
E eu te vi, titânica pomba,
branca e azul, marinha,
nascer e levantar-te
voando firme e forte
lá da destruição emaranhada
e da sangrenta solidão
do vento e as cinzas!
1 005
Pablo Neruda
Iii - As Ruínas No Báltico
Gdansk, atormentado pela guerra,
rosa despedaçada,
como espectro entre espectros,
entre o cheiro marinho
e o alto céu branco,
andei entre tuas ruínas,
entre pedaços de prata alaranjada.
A névoa entrou comigo,
os vapores glaciais,
e errante
desenlacei as ruas
sem casas e sem homens.
Eu conheço a guerra
e esse rosto sem olhos e sem lábios,
essas janelas mortas
as conheço,
vi-as em Madri, em Berlim, em Varsóvia,
mas esta gótica nave
com sua cinza de tijolos vermelhos
junto ao mar, na porta
das antigas viagens,
esta figura mercantil de proa,
balandra verde dos mares frios,
com suas dilacerantes aberturas,
seus muros em munhões,
seu orgulho demolido,
me entraram na alma
com rajadas de neve, pó e fumo,
algo enceguecedor, desesperado.
A casa das agremiações
com seus sinais caídos,
os bancos em que o ouro tilintava
tombando na garganta da Europa,
os molhes vermelhos
onde um rio
de cereais trouxe
como uma onda terrestre
o olor do verão,
tudo era pó, montes
de matéria desfeita,
e o vento do Báltico férreo
voando no vazio.
Vi com meus olhos
pulular o rocio da onda
na ressurreição das carenas,
das proas bordadas
pelo homem recém-desenterrado.
Vislumbrei
como nascia um porto,
mas não das águas e as terras
lavadas e lustradas,
mas da catástrofe.
E eu te vi, titânica pomba,
branca e azul, marinha,
nascer e levantar-te
voando firme e forte
lá da destruição emaranhada
e da sangrenta solidão
do vento e as cinzas!
rosa despedaçada,
como espectro entre espectros,
entre o cheiro marinho
e o alto céu branco,
andei entre tuas ruínas,
entre pedaços de prata alaranjada.
A névoa entrou comigo,
os vapores glaciais,
e errante
desenlacei as ruas
sem casas e sem homens.
Eu conheço a guerra
e esse rosto sem olhos e sem lábios,
essas janelas mortas
as conheço,
vi-as em Madri, em Berlim, em Varsóvia,
mas esta gótica nave
com sua cinza de tijolos vermelhos
junto ao mar, na porta
das antigas viagens,
esta figura mercantil de proa,
balandra verde dos mares frios,
com suas dilacerantes aberturas,
seus muros em munhões,
seu orgulho demolido,
me entraram na alma
com rajadas de neve, pó e fumo,
algo enceguecedor, desesperado.
A casa das agremiações
com seus sinais caídos,
os bancos em que o ouro tilintava
tombando na garganta da Europa,
os molhes vermelhos
onde um rio
de cereais trouxe
como uma onda terrestre
o olor do verão,
tudo era pó, montes
de matéria desfeita,
e o vento do Báltico férreo
voando no vazio.
Vi com meus olhos
pulular o rocio da onda
na ressurreição das carenas,
das proas bordadas
pelo homem recém-desenterrado.
Vislumbrei
como nascia um porto,
mas não das águas e as terras
lavadas e lustradas,
mas da catástrofe.
E eu te vi, titânica pomba,
branca e azul, marinha,
nascer e levantar-te
voando firme e forte
lá da destruição emaranhada
e da sangrenta solidão
do vento e as cinzas!
1 005
Pablo Neruda
Explicação
Para este país, para estes cântaros de greda:
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
656
Pablo Neruda
Explicação
Para este país, para estes cântaros de greda:
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
656
Pablo Neruda
Explicação
Para este país, para estes cântaros de greda:
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
para este jornal sujo que voa com o vento na praia:
para estas terras quebradas que esperam um rio de inverno:
quero pedir algo e não sei a quem pedi-lo.
Para nossas cidades pestilentas e encarniçadas, onde há no entanto
escolas com sinos e cinemas cheios de sonhos,
e para os pescadores e as pescadoras dos arquipélagos do Sul
(onde faz tanto frio e dura tanto o ano)
quero pedir algo agora, e não sei o que pedir.
Já se sabe que os vulcões errantes das idades anteriores
juntaram-se aqui como barracas de circo
e ficaram imóveis no território:
nós que aqui nascemos nos acostumamos ao fogo
que ilumina a neve como uma cabeleira.
Mas logo a terra se converte em cavalo
que se sacode como se se queimasse vivo
e caímos rodando do planeta para a morte.
Quero pedir que não se mova a terra.
Somos tão poucos os que aqui nascemos.
Somos tão poucos os que padecemos
(e menos ainda os ditosos aqui nas cordilheiras)
há tantas coisas que fazer entre a neve e o mar:
ainda as crianças descalças atravessam os invernos;
não há tetos contra a chuva, faltam roupa e comida;
e assim se explica que eu tenha que pedir algo
sem saber bem a quem nem como fazê-lo.
(Quando já a memória do que fui se apague
com a repetição da onda na areia
e não lembre ninguém o que fiz ou não fiz
quero que me perdoem de antemão,
não tive tempo nunca de fazer ou não fazer nada:
porque a vida inteira eu a passei pedindo,
para que os demais alguma vez pudessem
viver tranquilos.)
656
Pablo Neruda
Meio-Dia - XXXVIII
Tua casa ressoa como um trem ao meio-dia,
zumbem as vespas, cantam as caçarolas,
a cascata enumera os feitos do orvalho
teu riso desenvolve seu trinar de palmeira.
A luz azul do muro conversa com a pedra,
chega como um pastor silvando um telegrama
e, entre as duas figueiras de voz verde,
Homero sobe com sapatos sigilosos.
Somente aqui a cidade não tem voz nem pranto,
nem sem-fim, nem sonatas, nem lábios, nem buzina
mas um discurso de cascata e de leões,
e tu que sobes, cantas, corres, caminhas, desces,
plantas, coses, cozinhas, pregas, escreves, voltas
ou te foste e se sabe que começou o inverno.
zumbem as vespas, cantam as caçarolas,
a cascata enumera os feitos do orvalho
teu riso desenvolve seu trinar de palmeira.
A luz azul do muro conversa com a pedra,
chega como um pastor silvando um telegrama
e, entre as duas figueiras de voz verde,
Homero sobe com sapatos sigilosos.
Somente aqui a cidade não tem voz nem pranto,
nem sem-fim, nem sonatas, nem lábios, nem buzina
mas um discurso de cascata e de leões,
e tu que sobes, cantas, corres, caminhas, desces,
plantas, coses, cozinhas, pregas, escreves, voltas
ou te foste e se sabe que começou o inverno.
1 052
Pablo Neruda
Iv - o Dever de Morrer
Mas quando ao relógio chegou a comprida hora
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
1 235
Pablo Neruda
Iv - o Dever de Morrer
Mas quando ao relógio chegou a comprida hora
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
1 235
Pablo Neruda
Iv - o Dever de Morrer
Mas quando ao relógio chegou a comprida hora
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
da morte, cumpriste,
cumpriste com a mesma tranquilidade alegre,
cumpriste com o dever de morrer.
Nada se rompe entre tua vida e tua morte:
é uma só linha sem ruptura
aquela que edificaste.
A linha continua viva,
continua reta e crescente
andando, andando sempre,
de dentro da morte tua até outras vidas,
vagando, vagando sempre, acumulando seres,
acumulando seres, existências,
como um grande rio se enche de outros rios,
como na música o som
se enriquece e se eleva,
assim tua voz, tua vida continuam
andando por toda a terra.
Não são herança mas sangue vivo,
não são lembrança mas ação segura,
e és o herói humano,
não o semideus de pedra,
o que saturou sua dimensão de homem
com todo o conteúdo da vida,
não de sua vida somente
mas também de todas,
de todas nossas vidas,
e em ti a liberdade não são duas asas
num escudo, nem uma estátua morta,
mas a firme mão do Partido
que sustenta a tua
e assim da firmeza,
que em ti cresceu de muitas outras vidas,
as novas vidas recolheram
e semearam sementes.
Os homens continuaram,
desde o minuto em que tombou teu rosto,
a luta, e se tingiu nossa bandeira
com o sangue sagrado
de teu coração invencível.
1 235
Pablo Neruda
Ix - Com Meu Amigo de Praga
Feliz tua pátria, Tchecoslováquia, mãe
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
1 182
Pablo Neruda
Ix - Com Meu Amigo de Praga
Feliz tua pátria, Tchecoslováquia, mãe
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
1 182
Pablo Neruda
Ix - Com Meu Amigo de Praga
Feliz tua pátria, Tchecoslováquia, mãe
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
1 182
Pablo Neruda
Ix - Com Meu Amigo de Praga
Feliz tua pátria, Tchecoslováquia, mãe
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
1 182
Pablo Neruda
Ix - Com Meu Amigo de Praga
Feliz tua pátria, Tchecoslováquia, mãe
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
de olhos de aço, pétala preferida
da Europa, coroada
pela paz de teu povo!
Doces colinas, águas, telhados vermelhos,
e trêmulos como chuva verde
eleva o lúpulo seus fios verticais,
enquanto em Gotwaldov uma colmeia
de inteligência e de razão sustenta
a nova rosa do trabalho humano.
Oh, Fucik, vem, visita
comigo,
comigo o limpo chão de tua pátria,
verde, branco e dourado,
e nela iluminando-a,
a claridade do povo!
Honra ao novo sulco
e à nova jornada,
e ao aço invencível de Kladno!
Ao homem novo que penetra
nas oficinas e nas praças,
às novas pontes seguras
sobre o tremor do velho rio,
através de Fucik, meu amigo,
meu companheiro silencioso,
que foi comigo mostrando tudo
na cor do inverno de Praga,
com seu velho chapéu invisível
e seu doce sorriso mudo,
pela vida e pela morte,
a herança e o dom que nos fez.
Julius Fucik, eu te saúdo,
Tchecoslováquia renovada,
mãe de rapazes simples,
terra dos calados heróis,
república de névoa e cristal,
cacho, espiga, aço, povo!
1 182
Pablo Neruda
V - As Cigarras
Enchia a manhã da aldeia
o outono estridente
das cigarras sonoras.
Me acerquei: as cativas
em suas pequenas jaulas
eram a companhia dos meninos,
eram o violoncelo inumerável
da pequena aldeia
e da China o rumor
e o movimento de ouro.
Divisei apenas às prisioneiras
em suas jaulas minúsculas
de bambu fresco,
mas quando voltei para partir,
os camponeses
puseram o castelo de cigarras
em minhas mãos.
Recordo em minha infância os peões
do trem em que meu pai trabalhava,
os coléricos filhos
da intempérie, apenas
vestidos com farrapos,
os rostos maltratados pela chuva ou a areia,
as testas divididas
por cicatrizes ásperas,
e eles me levavam
ovos empavonados de perdiz,
escaravelhos verdes,
cantáridas de cor de lua,
e todo esse tesouro
das mãos gigantes maltratadas
às minhas mãos de menino,
tudo isso
me fez rir e chorar,
me fez pensar e cantar,
lá nos bosques
chuvosos
de minha infância.
E agora
estas cigarras
em seu castelo de bambu oloroso,
do fundo da terra chinesa,
rascando sua estridente
nota de ouro,
chegavam às minhas mãos
de mãos batizadas pela pólvora
que conquistou a liberdade, chegavam
lá das amplas terras
libertadas,
mas eram as mãos do povo,
as grandes mãos,
que nas minhas deixavam
seu tesouro.
Eu recordei minha infância
e quando pela terra
fui medindo
e cantando,
mas nada,
nada
como isto,
este tesouro vivo.
E então comigo andaram,
me acompanharam
durante meus dias de China.
Na manhã, em minha peça de hotel,
trinta cigarras
diziam meu nome
com um som agudo
de aço verde
e eu lhes dava folhas
que comiam,
tirando de suas jaulas pequenas máscaras
de guerreiros pintados, e na tarde,
quando nas vastas terras
o sol tombava,
um dia mais havia afirmado na pátria
a liberdade do povo.
Em minha janela
as cigarras com uma só voz
metálica
cantavam
paia os campos,
para os meninos,
para as outras cigarras,
para as folhas e para as colheitas,
para toda a terra:
despediam o dia
com a altura incrível de seu canto,
e assim, de minha janela,
de dia e de noite,
te saudava, China,
uma voz da terra
que as mãos do povo
me entregaram,
uma multiplicada voz que vai cantando
comigo, nos caminhos.
o outono estridente
das cigarras sonoras.
Me acerquei: as cativas
em suas pequenas jaulas
eram a companhia dos meninos,
eram o violoncelo inumerável
da pequena aldeia
e da China o rumor
e o movimento de ouro.
Divisei apenas às prisioneiras
em suas jaulas minúsculas
de bambu fresco,
mas quando voltei para partir,
os camponeses
puseram o castelo de cigarras
em minhas mãos.
Recordo em minha infância os peões
do trem em que meu pai trabalhava,
os coléricos filhos
da intempérie, apenas
vestidos com farrapos,
os rostos maltratados pela chuva ou a areia,
as testas divididas
por cicatrizes ásperas,
e eles me levavam
ovos empavonados de perdiz,
escaravelhos verdes,
cantáridas de cor de lua,
e todo esse tesouro
das mãos gigantes maltratadas
às minhas mãos de menino,
tudo isso
me fez rir e chorar,
me fez pensar e cantar,
lá nos bosques
chuvosos
de minha infância.
E agora
estas cigarras
em seu castelo de bambu oloroso,
do fundo da terra chinesa,
rascando sua estridente
nota de ouro,
chegavam às minhas mãos
de mãos batizadas pela pólvora
que conquistou a liberdade, chegavam
lá das amplas terras
libertadas,
mas eram as mãos do povo,
as grandes mãos,
que nas minhas deixavam
seu tesouro.
Eu recordei minha infância
e quando pela terra
fui medindo
e cantando,
mas nada,
nada
como isto,
este tesouro vivo.
E então comigo andaram,
me acompanharam
durante meus dias de China.
Na manhã, em minha peça de hotel,
trinta cigarras
diziam meu nome
com um som agudo
de aço verde
e eu lhes dava folhas
que comiam,
tirando de suas jaulas pequenas máscaras
de guerreiros pintados, e na tarde,
quando nas vastas terras
o sol tombava,
um dia mais havia afirmado na pátria
a liberdade do povo.
Em minha janela
as cigarras com uma só voz
metálica
cantavam
paia os campos,
para os meninos,
para as outras cigarras,
para as folhas e para as colheitas,
para toda a terra:
despediam o dia
com a altura incrível de seu canto,
e assim, de minha janela,
de dia e de noite,
te saudava, China,
uma voz da terra
que as mãos do povo
me entregaram,
uma multiplicada voz que vai cantando
comigo, nos caminhos.
1 239
Pablo Neruda
V - As Cigarras
Enchia a manhã da aldeia
o outono estridente
das cigarras sonoras.
Me acerquei: as cativas
em suas pequenas jaulas
eram a companhia dos meninos,
eram o violoncelo inumerável
da pequena aldeia
e da China o rumor
e o movimento de ouro.
Divisei apenas às prisioneiras
em suas jaulas minúsculas
de bambu fresco,
mas quando voltei para partir,
os camponeses
puseram o castelo de cigarras
em minhas mãos.
Recordo em minha infância os peões
do trem em que meu pai trabalhava,
os coléricos filhos
da intempérie, apenas
vestidos com farrapos,
os rostos maltratados pela chuva ou a areia,
as testas divididas
por cicatrizes ásperas,
e eles me levavam
ovos empavonados de perdiz,
escaravelhos verdes,
cantáridas de cor de lua,
e todo esse tesouro
das mãos gigantes maltratadas
às minhas mãos de menino,
tudo isso
me fez rir e chorar,
me fez pensar e cantar,
lá nos bosques
chuvosos
de minha infância.
E agora
estas cigarras
em seu castelo de bambu oloroso,
do fundo da terra chinesa,
rascando sua estridente
nota de ouro,
chegavam às minhas mãos
de mãos batizadas pela pólvora
que conquistou a liberdade, chegavam
lá das amplas terras
libertadas,
mas eram as mãos do povo,
as grandes mãos,
que nas minhas deixavam
seu tesouro.
Eu recordei minha infância
e quando pela terra
fui medindo
e cantando,
mas nada,
nada
como isto,
este tesouro vivo.
E então comigo andaram,
me acompanharam
durante meus dias de China.
Na manhã, em minha peça de hotel,
trinta cigarras
diziam meu nome
com um som agudo
de aço verde
e eu lhes dava folhas
que comiam,
tirando de suas jaulas pequenas máscaras
de guerreiros pintados, e na tarde,
quando nas vastas terras
o sol tombava,
um dia mais havia afirmado na pátria
a liberdade do povo.
Em minha janela
as cigarras com uma só voz
metálica
cantavam
paia os campos,
para os meninos,
para as outras cigarras,
para as folhas e para as colheitas,
para toda a terra:
despediam o dia
com a altura incrível de seu canto,
e assim, de minha janela,
de dia e de noite,
te saudava, China,
uma voz da terra
que as mãos do povo
me entregaram,
uma multiplicada voz que vai cantando
comigo, nos caminhos.
o outono estridente
das cigarras sonoras.
Me acerquei: as cativas
em suas pequenas jaulas
eram a companhia dos meninos,
eram o violoncelo inumerável
da pequena aldeia
e da China o rumor
e o movimento de ouro.
Divisei apenas às prisioneiras
em suas jaulas minúsculas
de bambu fresco,
mas quando voltei para partir,
os camponeses
puseram o castelo de cigarras
em minhas mãos.
Recordo em minha infância os peões
do trem em que meu pai trabalhava,
os coléricos filhos
da intempérie, apenas
vestidos com farrapos,
os rostos maltratados pela chuva ou a areia,
as testas divididas
por cicatrizes ásperas,
e eles me levavam
ovos empavonados de perdiz,
escaravelhos verdes,
cantáridas de cor de lua,
e todo esse tesouro
das mãos gigantes maltratadas
às minhas mãos de menino,
tudo isso
me fez rir e chorar,
me fez pensar e cantar,
lá nos bosques
chuvosos
de minha infância.
E agora
estas cigarras
em seu castelo de bambu oloroso,
do fundo da terra chinesa,
rascando sua estridente
nota de ouro,
chegavam às minhas mãos
de mãos batizadas pela pólvora
que conquistou a liberdade, chegavam
lá das amplas terras
libertadas,
mas eram as mãos do povo,
as grandes mãos,
que nas minhas deixavam
seu tesouro.
Eu recordei minha infância
e quando pela terra
fui medindo
e cantando,
mas nada,
nada
como isto,
este tesouro vivo.
E então comigo andaram,
me acompanharam
durante meus dias de China.
Na manhã, em minha peça de hotel,
trinta cigarras
diziam meu nome
com um som agudo
de aço verde
e eu lhes dava folhas
que comiam,
tirando de suas jaulas pequenas máscaras
de guerreiros pintados, e na tarde,
quando nas vastas terras
o sol tombava,
um dia mais havia afirmado na pátria
a liberdade do povo.
Em minha janela
as cigarras com uma só voz
metálica
cantavam
paia os campos,
para os meninos,
para as outras cigarras,
para as folhas e para as colheitas,
para toda a terra:
despediam o dia
com a altura incrível de seu canto,
e assim, de minha janela,
de dia e de noite,
te saudava, China,
uma voz da terra
que as mãos do povo
me entregaram,
uma multiplicada voz que vai cantando
comigo, nos caminhos.
1 239
Pablo Neruda
IX - Para Ti As Espigas
República, estendeste
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
1 128
Pablo Neruda
IX - Para Ti As Espigas
República, estendeste
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
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Pablo Neruda
IX - Para Ti As Espigas
República, estendeste
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
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Pablo Neruda
IX - Para Ti As Espigas
República, estendeste
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
teus amplos braços por todo teu corpo
e fundaste a paz em teu destino!
Os perversos que vêm de mais além do mar
para saquear tua existência, foram bem recebidos,
e rumo à Formosa acorrentada voam
para alimentar o ninho de escorpiões.
Logo desceram à Coréia. Sangue
e pranto e destruição, sua acostumada
tarefa: paredes vazias e mulheres mortas,
mas de repente um dia
chegou o baluarte de teus voluntários
para cumprir a sagrada fraternidade do homem.
De mar a mar, de terra a neve,
todos os homens te contemplam, China.
Que poderosa irmã jovem nos nasceu!
O homem nas Américas, inclinado em seu sulco, rodeado pelo metal de sua máquina ardente,
o pobre dos trópicos, o valente
mineiro da Bolívia, o largo operário
do profundo Brasil, o pastor
da Patagônia infinita,
te olham, China Popular, te saúdam
e comigo te enviam este beijo em tua fronte.
Não és para nós o que quiseram: a imagem
de uma mendiga cega junto ao templo,
mas uma forte e doce capitã do povo,
ainda com tuas vitoriosas armas em uma das mãos,
com um crescente ramo de espigas no peito
e sobre tua cabeça
a estrela de todos os povos!
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Pablo Neruda
III - Dando Uma Medalha À Madame Sun Yat Sem
À MADAME SUN YAT SEN
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
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