Poemas neste tema
Amor Romântico
Angela Santos
Pêndulo
Se
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
1 414
Angela Santos
Cansaço
Desejado
Nas
dobras dos lençóis de linho
exala-se um suspiro
que enche a tarde de languidez
e paz
Aromas de paixão soltos pelo ar
corpos que se abandonam
à volúpia e ao amor.
A serenidade sobrevem
ao cansaço desejado
e invade a tarde morna que cai
Longe do mundo e tão perto de si,
dois corpos amantes esquecem que há tempo
e retêm só o mágico instante
do total abandono
de seus corpos irmãos no reencontro.
Nas
dobras dos lençóis de linho
exala-se um suspiro
que enche a tarde de languidez
e paz
Aromas de paixão soltos pelo ar
corpos que se abandonam
à volúpia e ao amor.
A serenidade sobrevem
ao cansaço desejado
e invade a tarde morna que cai
Longe do mundo e tão perto de si,
dois corpos amantes esquecem que há tempo
e retêm só o mágico instante
do total abandono
de seus corpos irmãos no reencontro.
1 088
Angela Santos
Árvore da
Vida
Que
seja da Vida, da Felicidade
a arvore de funda raiz,
presa ao solo do nosso querer
Que seja de luar,
quando a noite for de amor
de sol radiante
como o dia em que nos olharmos,
que seja para sempre em nós
com a força da terra-mãe,
ou do chão firme que nos prende.
Que seja a arvore do amor
da ternura, dos prazeres
que nas tuas mãos guardaste
inteirinhos para mim,
árvore, tu,
minha força, esteio, abrigo
nos teus braços acolher-me
neles fazer o meu ninho.
Que
seja da Vida, da Felicidade
a arvore de funda raiz,
presa ao solo do nosso querer
Que seja de luar,
quando a noite for de amor
de sol radiante
como o dia em que nos olharmos,
que seja para sempre em nós
com a força da terra-mãe,
ou do chão firme que nos prende.
Que seja a arvore do amor
da ternura, dos prazeres
que nas tuas mãos guardaste
inteirinhos para mim,
árvore, tu,
minha força, esteio, abrigo
nos teus braços acolher-me
neles fazer o meu ninho.
878
Angela Santos
A Esse Amor
A
esse ser magoado a essa mulher amada
meu refúgio e meu ninho
eu quero curar as feridas abrir meu peito e mostrar
minhas cicatrizes vivas
E ternamente poisar minha cabeça e meus sonhos
sobre um coração abrindo-se
inteirinho para mim
e amá-la
infinitamente amá-la…
Com tudo o que sou e sinto
com duvidas, medos até
com a minha humanidade, a minha fragilidade
meus limites e meus erros
e dentro de mim plantá-la
como semente do amor
e amá-la
infinitamente amá-la!
esse ser magoado a essa mulher amada
meu refúgio e meu ninho
eu quero curar as feridas abrir meu peito e mostrar
minhas cicatrizes vivas
E ternamente poisar minha cabeça e meus sonhos
sobre um coração abrindo-se
inteirinho para mim
e amá-la
infinitamente amá-la…
Com tudo o que sou e sinto
com duvidas, medos até
com a minha humanidade, a minha fragilidade
meus limites e meus erros
e dentro de mim plantá-la
como semente do amor
e amá-la
infinitamente amá-la!
1 060
Angela Santos
Iris
de que tempo
ou de que profundeza obscura
haverias de surgir?
Que nada sei....
Ou sei apenas
que em minha vida incrustado
um diamante reflecte
a luz da íris
onde me espelho
E arrancada às entranhas
ao encontro do que em mim chamara
vieste
iluminar-me o sentido.
ou de que profundeza obscura
haverias de surgir?
Que nada sei....
Ou sei apenas
que em minha vida incrustado
um diamante reflecte
a luz da íris
onde me espelho
E arrancada às entranhas
ao encontro do que em mim chamara
vieste
iluminar-me o sentido.
698
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
647
Angela Santos
A Nossa Casa
Entrando,
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
1 156
Angela Santos
Estrada de Luz
Depois do assombro daqueles dias
sobre um mar de punhais feito caminho
cuidando não saber aonde iria,
secretos meus passos em busca foram
do porto onde fundear se achassem
despida dos grilhões que ao medo assomam
foi na nudez da alma reflectida
que desvendei de mim escuros cantos
onde acolhi, às vezes a alma ferida....
na estrada de luar que então se abria
por sobre um mar nocturno embarcava
toda a esperança que a aurora anuncia
depois do breu que veio sem esperar
não soube eu no instante em que ardia
a alma feita lava consumida
que dos porões cavados nesses dias
haveria de erguer-se a voz antiga
arauta do que havia de chegar....
Foi naquela hora precisa em que vieste
que os sonhos antigos se reverteram
aos olhos mergulhados na luz branca
do mistério anunciado onde jaziam
e agora são teus os passos que oiço
nos sonhos novos que em meus dias teço
e é tua a voz que vem
acordar o tempo que esperei.
sobre um mar de punhais feito caminho
cuidando não saber aonde iria,
secretos meus passos em busca foram
do porto onde fundear se achassem
despida dos grilhões que ao medo assomam
foi na nudez da alma reflectida
que desvendei de mim escuros cantos
onde acolhi, às vezes a alma ferida....
na estrada de luar que então se abria
por sobre um mar nocturno embarcava
toda a esperança que a aurora anuncia
depois do breu que veio sem esperar
não soube eu no instante em que ardia
a alma feita lava consumida
que dos porões cavados nesses dias
haveria de erguer-se a voz antiga
arauta do que havia de chegar....
Foi naquela hora precisa em que vieste
que os sonhos antigos se reverteram
aos olhos mergulhados na luz branca
do mistério anunciado onde jaziam
e agora são teus os passos que oiço
nos sonhos novos que em meus dias teço
e é tua a voz que vem
acordar o tempo que esperei.
1 099
Angela Santos
Dança de
Heras
Imagino-me
acordada
por um raio de sol que espreita
pela nesga da janela, que esquecemos de fechar..
Imagino-me acordando em lençóis brancos de linho
exalando , ainda fresco
esse cheiro de mulher
Imagino-me no teu corpo, tu no meu corpo também
e numa dança de heras,
trocamos corpos e seres
nessa fluidez serena, feminina,
intemporal...
Imagino-te corpo, alma , cheiro, toque
paz e lume
a simbiose que busco,
pelos caminhos da vida
Tremo e não sei a razão…
Será a voz que do fundo vem
dum fundo que não sabemos
a dizer que tu e eu
há muito nos pertencemos?
Imagino-me
acordada
por um raio de sol que espreita
pela nesga da janela, que esquecemos de fechar..
Imagino-me acordando em lençóis brancos de linho
exalando , ainda fresco
esse cheiro de mulher
Imagino-me no teu corpo, tu no meu corpo também
e numa dança de heras,
trocamos corpos e seres
nessa fluidez serena, feminina,
intemporal...
Imagino-te corpo, alma , cheiro, toque
paz e lume
a simbiose que busco,
pelos caminhos da vida
Tremo e não sei a razão…
Será a voz que do fundo vem
dum fundo que não sabemos
a dizer que tu e eu
há muito nos pertencemos?
1 168
Angela Santos
Enluarada
Meus
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
941
Angela Santos
O acordar dos sentidos
Emudecida,
ante a nudez da alma que o corpo espelha,
sigo os meus olhos
na busca de cada movimento, ou arquejo do peito
sigo o ouvido
atenta ao sussurro e ao suspiro
sigo a minha boca
em busca do sal de cada maré viva que sobe à orla do desejo
sigo as minhas mãos
que em cada esquina do teu corpo reencontram o tempo
que um dia foi de todos os sentidos
que de novo emergem à tona dos meus dias.
ante a nudez da alma que o corpo espelha,
sigo os meus olhos
na busca de cada movimento, ou arquejo do peito
sigo o ouvido
atenta ao sussurro e ao suspiro
sigo a minha boca
em busca do sal de cada maré viva que sobe à orla do desejo
sigo as minhas mãos
que em cada esquina do teu corpo reencontram o tempo
que um dia foi de todos os sentidos
que de novo emergem à tona dos meus dias.
1 129
Angela Santos
Metáfora
Ainda
que uma vez e outra
o diga
o fogo que em mim
dorme
não se diz...
o que remoça
a cada dia
brota
do chão primordial,
onde da vida arde
a sagrada chama
e tu, meu amor,
fogo da consumação
de que renasço...
a vida e a própria chama
sendo
que uma vez e outra
o diga
o fogo que em mim
dorme
não se diz...
o que remoça
a cada dia
brota
do chão primordial,
onde da vida arde
a sagrada chama
e tu, meu amor,
fogo da consumação
de que renasço...
a vida e a própria chama
sendo
670
Angela Santos
Adivinhação
Sei
que esse dia virá
dia em que aconteça tudo
riso, beijo, afago, amor, prazer...
e saudade, se houver ..só do futuro
sei que o dia virá
e em silencio eu vou olhar
o que era sonho dormindo
e era sonho ao acordar.....
o dia já vem
eu sei...
e um sussurro de mulher
vai-me dizer porque a quis
porque a trouxe em mim guardada
esse tempo de espera
sem medida.
que esse dia virá
dia em que aconteça tudo
riso, beijo, afago, amor, prazer...
e saudade, se houver ..só do futuro
sei que o dia virá
e em silencio eu vou olhar
o que era sonho dormindo
e era sonho ao acordar.....
o dia já vem
eu sei...
e um sussurro de mulher
vai-me dizer porque a quis
porque a trouxe em mim guardada
esse tempo de espera
sem medida.
1 062
Angela Santos
Poema Atravessado
Escrevo, atravessando
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
1 105
Angela Santos
Sem Tempo ou Lugar
Entrar
nos teus sonhos despertar-te do sono
e povoar teus dias....
E de mansinho deixar que entres
como a luz ao alvorecer
e ficar quieta,
deixando essa luz por dentro de mim
Correr no teu peito como dócil potro
ao som e ao compasso do teu coração,
e deixar que sejas riacho que corre
para amainar a sede do meu corpo chama
E assim teu corpo
sobre o meu se estende
derramando sombra sobre o chão que sou
sombra abençoada
sobre o chão em brasa
agua em minha boca
vem matar a sede que o tempo deixou.
Rendida e absorta,
no tempo perdida eu quero ficar
no instante exacto, no momento mágico
de inteira me dar.
nos teus sonhos despertar-te do sono
e povoar teus dias....
E de mansinho deixar que entres
como a luz ao alvorecer
e ficar quieta,
deixando essa luz por dentro de mim
Correr no teu peito como dócil potro
ao som e ao compasso do teu coração,
e deixar que sejas riacho que corre
para amainar a sede do meu corpo chama
E assim teu corpo
sobre o meu se estende
derramando sombra sobre o chão que sou
sombra abençoada
sobre o chão em brasa
agua em minha boca
vem matar a sede que o tempo deixou.
Rendida e absorta,
no tempo perdida eu quero ficar
no instante exacto, no momento mágico
de inteira me dar.
1 094
Angela Santos
Escrita Invisível
Quando as
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
997
Angela Santos
Ao Teu Alcance
Estender-te
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
987
Angela Santos
Poema Azul
No seio da tempestade,
cambaleando, eu, entre escombros, foi
que os teus olhos azul safira, surgindo do nada,
se ofereceram aos meus
E agora o teu nome enche a minha boca
com o sabor de maduras pitangas
colhidas na invernia destes dias
quando nada a colheita anunciava
falo o teu nome e lembro os teus olhos
quando o deserto se me afigura,
nada pergunto, saber para quê..
se o sentido obscuro do acontecer,
ágil se esgueira e dilui de razões...
vivo a descompasso e de adiamentos
não sei do lugar
tão pouco de um tempo para o vivermos,
e dos fios que a vida tecem, eu não sei...
sei do brilho diamantino de um olhar
sei do lume que o nosso peito acalenta
sei dos passos pouco a pouco
no chão riscando um caminho...
tão pouco é o que sei e por ora é bastante
saber que por esse tão pouco existimos.
cambaleando, eu, entre escombros, foi
que os teus olhos azul safira, surgindo do nada,
se ofereceram aos meus
E agora o teu nome enche a minha boca
com o sabor de maduras pitangas
colhidas na invernia destes dias
quando nada a colheita anunciava
falo o teu nome e lembro os teus olhos
quando o deserto se me afigura,
nada pergunto, saber para quê..
se o sentido obscuro do acontecer,
ágil se esgueira e dilui de razões...
vivo a descompasso e de adiamentos
não sei do lugar
tão pouco de um tempo para o vivermos,
e dos fios que a vida tecem, eu não sei...
sei do brilho diamantino de um olhar
sei do lume que o nosso peito acalenta
sei dos passos pouco a pouco
no chão riscando um caminho...
tão pouco é o que sei e por ora é bastante
saber que por esse tão pouco existimos.
1 325
Angela Santos
E assim te digo
Implícita,
dita
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam dizê-lo
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam
dizê-lo
Gasta e ainda assim
intacta, palavra
só igual à vida
pelas esquinas
do não senti-la
prostituída
Agiganta-se no sentir
e extravasa
na tentativa nunca vã
de dizer o não contido
Meu Amor
que outro dizer não conheço
para o que em mim vive
...e assim te digo!
dita
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam dizê-lo
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam
dizê-lo
Gasta e ainda assim
intacta, palavra
só igual à vida
pelas esquinas
do não senti-la
prostituída
Agiganta-se no sentir
e extravasa
na tentativa nunca vã
de dizer o não contido
Meu Amor
que outro dizer não conheço
para o que em mim vive
...e assim te digo!
961
Angela Santos
Essa Luz
No fundo
dos olhos,
desses olhos que me espelham
na voz que sussurra
e incandesce meu peito
no riso diamantino puro
que me devolve à inteireza
no indecifrável sentir
que vem de a saber em mim
vive a Luz
onde me aninho e renasço
a Luz que meus dias atravessa
e arde na minha vida
com o brilho que incendeia
o coração de uma estrela....
Meu ser inteiro
agora vive
para amanhecer com ela.
dos olhos,
desses olhos que me espelham
na voz que sussurra
e incandesce meu peito
no riso diamantino puro
que me devolve à inteireza
no indecifrável sentir
que vem de a saber em mim
vive a Luz
onde me aninho e renasço
a Luz que meus dias atravessa
e arde na minha vida
com o brilho que incendeia
o coração de uma estrela....
Meu ser inteiro
agora vive
para amanhecer com ela.
1 026
Angela Santos
Amor e Sotaque
Tem um
modo de você saber
aquelas coisas
que as palavras complicam
ao jeito doce que você me ensinou,
com minhas mãos,
meus quadris
minhas coxas,
minha boca,
meu sexo extático
se diluindo no seu
como é fácil dizer: amor.
E nesse cocktail
de línguas e sotaques
coco e pitangas
caipiras e fado,
negros e brancos
ourixás, samba e axé
Pessoa e Quintana
Verde vermelho
Azul amarelo.
Nós
no final misturando ainda
tu com você.
modo de você saber
aquelas coisas
que as palavras complicam
ao jeito doce que você me ensinou,
com minhas mãos,
meus quadris
minhas coxas,
minha boca,
meu sexo extático
se diluindo no seu
como é fácil dizer: amor.
E nesse cocktail
de línguas e sotaques
coco e pitangas
caipiras e fado,
negros e brancos
ourixás, samba e axé
Pessoa e Quintana
Verde vermelho
Azul amarelo.
Nós
no final misturando ainda
tu com você.
1 082
Angela Santos
Confissão
Quando do
cansaço
é a hora
e ganha voz o grito
amordaçado
quando na mesmidade
se esgotam os dias
e o coração
pede que o solte
quando o que em mim
não tem tamanho
busca asas e o tempo
onde vive permanente
eu procuro
a tua voz
as tuas mãos
a tua boca
o teu abraço
a tua presença
em mim....
Mas nada,
nada acalma já
este meu ser pela metade
a vida à margem da vida
a vida à mingua
de ti.
cansaço
é a hora
e ganha voz o grito
amordaçado
quando na mesmidade
se esgotam os dias
e o coração
pede que o solte
quando o que em mim
não tem tamanho
busca asas e o tempo
onde vive permanente
eu procuro
a tua voz
as tuas mãos
a tua boca
o teu abraço
a tua presença
em mim....
Mas nada,
nada acalma já
este meu ser pela metade
a vida à margem da vida
a vida à mingua
de ti.
674
Angela Santos
Verbo
As
palavras são o que são...
delas fazemos pedras raras
farpas com que ferimos
oração com que nos ungimos,
revelação, descoberta, desocultação.
Com as palavras mordemos a boca
que sente o beijo contido na palavra,
com palavras matamos
ou fazemos reviver a alma,
com as palavras construímos ilusões,
destroçamos vidas refazemos corações
Com as palavras erguemos pirâmides de amor,
e no seu vértice estendidos em oferenda ao sol dourado
deitamos corpos amantes
no momento em que se transmudam
de sujeito em objecto amado
Com palavras mordemos
amamos, ferimos, oramos, refazemos,
pensamos destruímos
as palavras onde nos pomos
as palavras com que nos fazemos
as palavras que também somos.
palavras são o que são...
delas fazemos pedras raras
farpas com que ferimos
oração com que nos ungimos,
revelação, descoberta, desocultação.
Com as palavras mordemos a boca
que sente o beijo contido na palavra,
com palavras matamos
ou fazemos reviver a alma,
com as palavras construímos ilusões,
destroçamos vidas refazemos corações
Com as palavras erguemos pirâmides de amor,
e no seu vértice estendidos em oferenda ao sol dourado
deitamos corpos amantes
no momento em que se transmudam
de sujeito em objecto amado
Com palavras mordemos
amamos, ferimos, oramos, refazemos,
pensamos destruímos
as palavras onde nos pomos
as palavras com que nos fazemos
as palavras que também somos.
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Jorge de Sena
Em Louvor da Promiscuidade
Quem tem de amor,
físico amor, ideia
que os olhos não possuem qual amor façamos
e que ele não vive do que os outros façam
ante os curiosos olhos com que bebamos
o ritmo das ancas como as formas
enlaçadas por mãos e pernas, sexos e bocas,
de pudicícia desastrada e matrimónica
com prostituta ou esposa. ou vive
de imaginar paixões por um só corpo
que não são mais que tê-lo tido e o hábito
de continuar a tê-lo. amor-amor
é uma outra coisa, mas não isto
nem o prazer que é feito de um prazer alheio
feito só de prazer sem pensamento
- que no promiscuo amor o imaginar
é só imaginar-se o que varia em acto.
físico amor, ideia
que os olhos não possuem qual amor façamos
e que ele não vive do que os outros façam
ante os curiosos olhos com que bebamos
o ritmo das ancas como as formas
enlaçadas por mãos e pernas, sexos e bocas,
de pudicícia desastrada e matrimónica
com prostituta ou esposa. ou vive
de imaginar paixões por um só corpo
que não são mais que tê-lo tido e o hábito
de continuar a tê-lo. amor-amor
é uma outra coisa, mas não isto
nem o prazer que é feito de um prazer alheio
feito só de prazer sem pensamento
- que no promiscuo amor o imaginar
é só imaginar-se o que varia em acto.
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