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Identificação e contexto básico

Phillis Wheatley Peters, comumente conhecida como Phillis Wheatley, foi uma poetisa americana de ascendência africana. Nasceu na África Ocidental, provavelmente na região da Gâmbia, por volta de 1753. Foi trazida para a América como escrava e comprada pela família Wheatley de Boston. Morreu em Boston a 5 de dezembro de 1784. O seu histórico familiar é desconhecido devido à sua escravatura, mas era de origem senegâmbia. Foi escravizada durante a maior parte da sua vida e escreveu em inglês. A sua vida e obra ocorreram durante os períodos pré-revolucionário e revolucionário da história americana, um tempo de intenso debate sobre liberdade e escravatura.

Infância e educação

Wheatley foi sequestrada da sua casa na África Ocidental em jovem, provavelmente por volta dos sete anos. Foi transportada através do Atlântico na Passagem do Meio e vendida como escrava a John Wheatley em Boston. A família Wheatley, particularmente Susanna Wheatley, reconheceu a sua inteligência e proporcionou-lhe uma educação excecional, incluindo latim e grego, literatura e a Bíblia. Esta educação era altamente invulgar para uma pessoa escravizada na época. As suas primeiras influências foram os textos clássicos que estudou e os ensinamentos religiosos dos seus escravizadores.

Trajetória literária

Wheatley começou a escrever poesia em jovem. O seu primeiro poema publicado apareceu no *Newport Mercury* em 1767. O seu sucesso literário culminou na publicação de 'Poems on Various Subjects, Religious and Moral' em Londres em 1773, tornando-a a primeira afro-americana a publicar um livro de poesia. Esta conquista foi extraordinária, pois teve de provar a sua autoria a audiências brancas céticas. Contribuiu também com poemas para jornais e outras publicações. Não se envolveu significativamente em crítica literária ou tradução.

Obras, estilo e características literárias

A sua obra principal é 'Poems on Various Subjects, Religious and Moral' (1773). Os temas dominantes incluem fé religiosa, virtude, liberdade, a experiência africana e reflexões sobre a vida e a morte. O seu estilo é largamente neoclássico, caracterizado por dísticos rimados, pentâmetro iâmbico e dicção formal, refletindo a sua educação clássica. A sua voz poética é frequentemente eloquente e ponderada, embora carregue a crítica implícita à escravatura através da sua própria existência e mérito intelectual. A sua linguagem é refinada e elevada. A inovação de Wheatley residiu na sua existência como poeta negra na América, desafiando estereótipos raciais através das suas conquistas literárias.

Contexto cultural e histórico

A vida e obra de Wheatley estão inextricavelmente ligadas ao contexto da América colonial e ao crescente sentimento abolicionista. Viveu num período em que a hipocrisia de lutar pela liberdade americana enquanto se mantinha a escravatura se tornava cada vez mais aparente. A sua capacidade de publicar um livro de poesia foi um evento significativo que chamou a atenção para as capacidades intelectuais das pessoas escravizadas. Foi contemporânea de figuras como Benjamin Franklin e George Washington, com quem correspondeu. Não pertenceu a nenhum movimento literário específico, mas operou dentro da mais ampla tradição neoclássica.

Vida pessoal

A vida pessoal de Wheatley foi definida pelo seu estatuto de escrava, embora tenha experienciado um grau de liberdade e envolvimento intelectual dentro do lar dos Wheatley. Formou um laço estreito com Susanna Wheatley. Após obter a liberdade, casou-se com John Peters, um homem negro livre. A sua vida posterior foi marcada por dificuldades, incluindo lutas financeiras e a perda dos seus filhos. As suas experiências pessoais de escravatura, o anseio pela liberdade e as suas convicções religiosas moldaram profundamente a sua poesia.

Reconhecimento e receção

Wheatley recebeu considerável reconhecimento durante a sua vida, tanto na América como na Grã-Bretanha. A sua viagem a Londres foi facilitada pelos Wheatley para promover o seu livro. Recebeu elogios de figuras proeminentes, incluindo Benjamin Franklin e o Conde de Dartmouth. No entanto, também enfrentou ceticismo sobre a sua autoria, necessitando de um documento assinado por proeminentes bostonianos atestando as suas capacidades. O seu lugar na literatura americana é fundamental como a primeira poeta afro-americana. A sua receção evoluiu de uma anomalia para uma figura literária celebrada.

Influências e legado

Wheatley foi influenciada por poetas clássicos como Homero e Virgílio, bem como por pensadores iluministas e pela Bíblia. O seu legado é imenso como figura pioneira que quebrou barreiras raciais na literatura americana. Inspirou gerações subsequentes de escritores e poetas afro-americanos, provando que os indivíduos negros possuíam capacidades intelectuais e artísticas. A sua obra continua a ser estudada pelo seu mérito literário e pela sua importância histórica.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Wheatley é frequentemente analisada pelas suas subtis críticas à escravatura, pela sua exploração de temas religiosos e pelo seu envolvimento com os ideais da Revolução Americana. Debates críticos por vezes concentram-se na medida em que a sua obra desafiou diretamente a instituição da escravatura em comparação com as suas expressões mais contidas.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Um aspeto curioso da vida de Wheatley são as extraordinárias oportunidades educacionais que lhe foram concedidas enquanto escrava. A sua viagem a Londres para publicar o seu livro foi um empreendimento significativo. Apesar de ter obtido a liberdade, os seus últimos anos foram marcados pela pobreza, um forte contraste com o reconhecimento intelectual que recebera anteriormente.

Morte e memória

Phillis Wheatley morreu na pobreza em Boston em 1784, pouco depois de dar à luz o seu terceiro filho, que também morreu. A sua memória é honrada através da sua obra literária duradoura, que foi redescoberta e celebrada, garantindo o seu lugar como figura crucial na história literária americana.