escritas.org desde 1996
Queirós Ribeiro

Queirós Ribeiro

1864–1928 · viveu 64 anos PT PT

n. 1864, São Paulo de Luanda · m. 1928, Rio de Janeiro

227 Visualizações
Biografia
Sendo casual a sua naturalidade beirã, Queirós Ribeiro é poeta limiano pelos avoengos, pela infância e adolescência, pelo casamento e pelas casas familiares, pelo apego afectivo ao Alto Minho, pelos influxos que as paisagens e os autores dessa região vêm a ter na sua obra.Patrício de Feijó, pertence à geração coimbrã em que este e outro amigo comum, Luís de Magalhães, pontificam, com a sua Revista Científica e Literária, pretensamente de orientação positivista e parnasiana. Mas, se a experiência coimbrã tem reflexos nostálgicos («Última noite») e facetos («A José Monteiro») no livro de estreia de Queirós Ribeiro – Tardes de Primavera, 1889 –, logo aí se explicitava uma poética antiparnasiana e neo-romântica e se revelava à saciedade que o mestre da poesia de Queirós Ribeiro era, para além do paradigmático V. Hugo (de quem eram então traduzidos 9 poemas), Guerra Junqueiro, que prefaciava a obra com uma carta em verso, surgia depois como tema de dois poemas de apologia e marcava ainda vários poemas de «Folhas dispersas», cantando o Amor incoercível e irrealizável pela mulher-arquétipo «Quimera»), exaltando a religiosidade parapanteísta e a euforia do transformismo («Mater admirabilis», «Eterno poema»), atacando alegoricamente o jesuitismo («Símbolos«).Tardes de Primavera, cujo apuro formal foi reconhecido pelo mesmo Fialho que em Vida Irónica caustica a evacuação idealizante do canto amoroso, tem momentos felizes, como «Contrastes» ou «Mudanças»; e antecipava Cinzas (1896) pela ambição poemática da 1ª. parte, «Ideal perdido», e por esse macrotexto ser a evocação de «uma paixão primeira» e malograda na morte precoce da amada.Ora, casando-se após a formatura em Direito, Queirós Ribeiro enviúva muito depressa e cria justamente Cinzas como «poema lírico» dessa viuvez, com a situação estético-literária logo norteada no prelúdio: «Coração, és a minha escola.»Bom orador, figura representativa da sua região e da sua geração, Queirós Ribeiro triunfa como deputado que, ligado a Alpoim, surgirá naturalmente em posição de evidência aquando da dissidência progressista; dessa faceta da sua personalidade ficaram-nos os Discursos Parlamentares (1908).Por outro lado, amante de viagens e colaborador assíduo da imprensa, deixa-nos essas facetas ilustradas pelas Cartas de Longe (1911), originariamente saídas em O Primeiro de Janeiro.Mas a criação poética retoma e em 1903 Queirós Ribeiro publica a colectânea Pedras Falsas, que o último soneto define como «colar de pedras lapidadas/Pelas mãos da Ternura e do Desgosto./ [...] /Pobre fio de lágrimas coalhadas [...]». Há em Pedras Falsas um tropismo de autodepreciação, à contraluz de «Ideal perdido» (Tardes de Primavera) e de Cinzas; mas basta a exploração que o livro faz da imagística da luz para tornar injustificada essa autodesvalorização.Só que já então, e mau grado a reincidência que constituirão as Folhas Mortas, de 1916, se anunciava o poema dramático Caminho do Céu e a viragem importante que a partir dele sofrerá o estro de Queirós Ribeiro. Poema desigual, em 6 cantos, simbolicamente intitulados «A Névoa», «A Chama», «As Nuvens», «O Luar», «A Aurora» e «O Sol» por referência às figuras mítico-literárias de Laura, Heloísa e Beatriz e às figuras evangélicas de Madalena, Virgem Maria e Jesus Cristo, em diálogo com as quais o «Poeta» realiza uma ascese artística e mística.Do resultado desta exaltação religiosa depõem os livros de edificação e de apologética católica em que Queirós Ribeiro doravante se empenhará: os versículos em que verte em vernáculo, e numa estética ciosa da singeleza do espiritualismo cristão, a Imitação de Cristo (1925), a monumental paráfrase em redondilha da narração evangélica da Vida de Jesus (1927), um anunciado Poema Eucarístico – marginados pelas reflexões de Máximas e Pensamentos.Então, já depois de a fidelidade às convicções monárquicas o ter levado ao exílio (1919), a poesia de militância religiosa era correlata da integração de Queirós Ribeiro nos movimentos públicos de católicos que marcaram os finais da 1ª. República (participando, por exemplo, no Congresso Eucarístico de Braga de 1924).

Poemas

0

Nenhum poema encontrado

Livros

9

Vídeos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.