Lista de Poemas

Maracanã

A multidão arqueja. O sol adeja,
Asas de acácia sobre o mar de grama.
E a multidão regressa, ainda opressa,
Prenhe de estrelas, morta do vazio.

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Não Busco Outro Caminho, Cedo a Calma

Não busco outro caminho, cedo a calma
À angústia de lavrar no mesmo chão.

A pétrea consistência deste solo
Não dissolve meu ânimo, enlouquece
O que dentro de mim mais alto grita.

Nesta lavoura, a mão é o instrumento
Com que se abrir a terra a penetrá-la
Para entregar-lhe o amor de uma semente
Exposta ao tempo, a fungos e carunchos.

No arado não se pense, o chão se fecha
Ao fio agudo e firme, assim a enxada
Também se parte contra o solo duro.
E apenas resta a ponta de meus dedos
Para feri-lo, amá-lo e fecundá-lo.

A pá o som arranca ao rijo solo
E nada mais, que à concha, em cada mão,
Feita de pele, carne, nervo e sangue,
Cabe a tarefa e sol de revolvê-lo,
Suada, escalavrada, enegrecida,
Porto em que a terra é nau posta em abrigo.

A estas leiras, labrego, me transporto
A cada madrugada e delas volto
Para comer, se existe, a cada noite,
O pão que elas não deram por ser bruto
O chão e fraca a mão que dele trata,
Mas que insiste em cuidá-lo, porque o grão
E causa, muito mais que conseqüência.

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Canto Em Si

1
Não busco outro caminho, cedo a calma
A angústia de lavrar no mesmo chão.

A pétrea consistência deste solo
Não dissolve meu ânimo, enlouquece
O que dentro de mim mais alto grita.

Nesta lavoura, a mão é o instrumento
Com que se abrir a terra e pene trá-la
Para entregar-lhe o amor de um a semente
Exposta ao tempo, a fungos e carunchos.

No arado não se pense, o chão se fecha
Ao fio agudo e firme, assim a enxada
Também se parte contra o solo duro
E apenas resta a ponta de meus dedos
Para feri-lo, amá-lo e fecundá-lo.

A par o som arranca ao rijo solo
E nada mais, que à concha, em cada mão,
Feita de pele, carne, nervo e sangue,
Cabe a tarefa e sol de revolvê-lo,
Suada, escalavrada, enegrecida,
Porto em que a terra é nau posta em abrigo.

A estas leiras, labrego, me transporto
A cada madrugada e delas volto
Para comer, se existe, a cada noite,
O pão que elas não deram por ser bruto
O chão e fraca a mão que dele trata,
Mas que insiste em cuidá-lo, porque o grão
E causa, muito mais que conseqüência...

2
Cansei de andar em busca do destino
E tranqüilo retraço meu caminho.

Para curar melancolias fundas,
Há sempre mais um hausto que permite
Viver um pouco mais, se é isto vida.

Ouço ainda o ruído das batalhas
Terminadas. Vencidas ou perdidas,
Foram batalhas de uma guerra santa
Em que ao nascer acaso me alistassem.

Assim posso dar fé que a morte obscura
De quantos vão ficando no caminho,
Bem mais do que parece, ofusca o brilho
Das falsas aparências de vitória
Dos que falam mais alto e se confundem.

Confundem-se os que gritam, confundindo
Os que ouvem e não sabem que os caídos
Dizem mais no silêncio em que caíram,
Dizem mais e mais fundo, enquanto a voz
Oprimida e apagada fere o nervo
Exposto a golpes sempre repetidos.

Retraço no que posso meu caminho
Aberto pela quilha entre os sargaços
Imensos deste mar, ora parado,
Ora coberto de ondas pelo vento
Que sopra não de um ponto, mas de vários,
Para provar a força, não do braço,
Mas do ânimo que imprime rumo ao barco.

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Identificação e contexto básico

Reynaldo Valinho Alvarez foi um poeta e escritor brasileiro. Não há informações amplamente divulgadas sobre pseudónimos ou heterónimos. A data e o local de nascimento e morte não são especificados em fontes públicas, mas sua obra se insere no contexto da literatura brasileira moderna e contemporânea.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e a formação de Reynaldo Valinho Alvarez, incluindo sua educação formal, influências iniciais e eventos marcantes em sua juventude, não são amplamente divulgadas em fontes de acesso público. Esta lacuna dificulta uma análise aprofundada desta fase de sua vida e suas repercussões em sua obra.

Percurso literário

O percurso literário de Reynaldo Valinho Alvarez é caracterizado por uma forte veia experimental e pela exploração inovadora da linguagem poética. Sua escrita é marcada pela busca de novas formas de expressão, transitando entre o lirismo e a vanguarda. A evolução de sua obra, embora não claramente dividida em fases cronológicas públicas, demonstra um engajamento constante com a renovação estética e temática. Sua contribuição se manifesta principalmente na poesia, mas também pode ter abrangido outras áreas da escrita.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Reynaldo Valinho Alvarez é notável pela sua profunda exploração da linguagem e pela inovação formal. Seu estilo, que mescla lirismo com experimentação, aborda temas como a identidade, a memória, a efemeridade e a condição humana, muitas vezes em sintonia com as transformações sociais e culturais. A forma e a estrutura de seus poemas podem apresentar características vanguardistas, com possíveis rupturas com o verso tradicional. O tom poético pode variar, mas a busca por expressividade e originalidade é constante. A linguagem tende a ser densa e imagética, com recursos retóricos que desafiam o leitor.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Reynaldo Valinho Alvarez participou do contexto cultural e histórico brasileiro, especialmente no que tange às correntes literárias que buscavam a renovação e a experimentação. Sua obra dialoga com as inquietações de seu tempo, refletindo as complexidades da vida moderna. Não há registros de um envolvimento explícito com movimentos literários específicos de forma proeminente, mas sua produção é um reflexo da busca por novas linguagens na literatura.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Reynaldo Valinho Alvarez, como relações afetivas, familiares, amizades, profissões paralelas, crenças ou posições políticas, não são amplamente divulgados em fontes de acesso público. A escassez dessas informações limita a possibilidade de conectar sua biografia pessoal com os temas e o estilo de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Reynaldo Valinho Alvarez reside na sua singularidade e na sua contribuição para a experimentação na poesia brasileira. Sua obra, por vezes desafiadora, pode ter encontrado uma receção mais restrita, mas valorizada por aqueles que buscam inovações estéticas. Informações sobre prémios, distinções ou uma análise detalhada da receção crítica ao longo do tempo não são facilmente acessíveis.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Reynaldo Valinho Alvarez está na sua audácia poética e na sua busca por novas fronteiras expressivas na literatura. Embora influências específicas de outros autores ou o impacto direto em poetas posteriores não sejam detalhados, sua obra representa uma vertente da experimentação que enriquece o panorama literário. Sua poesia pode ter influenciado escritores que se identificam com a exploração formal e temática.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A interpretação da obra de Reynaldo Valinho Alvarez frequentemente se volta para a análise de sua linguagem experimental e dos temas existenciais que aborda. As possíveis leituras de sua poesia podem envolver a desconstrução da identidade, a fragmentação da experiência e a reflexão sobre o próprio fazer poético. Debates críticos específicos ou controvérsias sobre sua obra não são amplamente documentados em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos sobre a personalidade de Reynaldo Valinho Alvarez, seus hábitos de escrita, ou episódios curiosos que possam iluminar seu perfil, não são amplamente divulgados em fontes de acesso público. A natureza experimental de sua obra pode sugerir um percurso criativo incomum, mas detalhes específicos são escassos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre as circunstâncias da morte de Reynaldo Valinho Alvarez ou sobre publicações póstumas em fontes de pesquisa convencionais.