Lista de Poemas

Improvisação 1, 2 3 (com Han Shan, entre outros)

"Ninguém sabe de onde veio Han Shan."
Ele desceu da planície na
montanha fria,
escreveu "o que há de se fazer aqui?", na pedra,
os títulos ausentes, sem numeração,
ele sentou-se e observou a neve,
as explicações, "notas de rodapé", vieram depois, e nada explicavam.
As caligrafias no frio, brancas,
a contemplação da pedra, o esquecimento
das lembranças, o que é
uma conquista. Ele escreveu "o sábio não
tem nem um centavo", quando foi mais uma vez
surpreendido
por exigências de que abandonasse
a montanha, atormentado pelos "pêsames das moscas"
&, ao limpar o quarto, sentiu-se satisfeito.
3.
Cantar uma canção,
sem intenção além
de cantar uma canção,
é um trabalho árduo,
como sentar-se diante
da montanha coberta
de neve, contemplá-la
sem distração por anos
e então, um dia,
com uma única pincelada
de tinta branca sobre
o branco do papel,
estabelecer que qualquer
um vê que a montanha
está completamente vazia.
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Improvisation 1, 2 & 3 (u.a. nach Han Shan) / "Niemand weiss, woher Han Shan kam." / Er stieg aus der Ebene auf den / Kalten Berg, // schrieb, "was soll ich hier tun?", in den Stein, // die Überschriften fehlten, keine Numerierung // er sass und sah auf den Schnee, // die Erklärungen, "Fussnoten", folgten später, erklärten nichts. // Die Kalligraphien in der Kälte, weiss, / das Anschauen des Steins, das Vergessen // der Erinnerungen, was // eine Leistung ist. Er schrieb "der Wissende / hat keinen Pfenning," als er wieder // überrumpelt / wurde vom Verlangen, den Berg / zu verlassen, geplagt von der "Kondolation der Fliegen" / &, als er das Zimmer ausfegte, war er zufrieden. // 2 // Klack, klack: die Geselschaft / ist das Abstrakte, / ("slle gaffen / mich an, seit ich den / Weg verlor") / du hörst die vielen / Geräusche der Schuhe, / ("die Personen der / Handlung sind frei erfunden, / dasselbe gilt für / die Handlung") / es ist dasselbe / unendliche Geräusch, / das die Welt erfüllt, überall, wo du bist. / Und, sagen wir, noch einmal: "plötzlich" / als du die Kurve nahmst, / aus der Stadt herausfuhrst, / nachts auf der Autobahn, / und die Lichterketten zu Ende / waren, hast du´s gewusst, / ("gibts was zu / freuen, freue dich / daran")|wenn erst / Unkraut durch den / Schädel spriesst / etc.) / klack, klack (wie Chachacha) / die Wirkung. Und wirklich / ist schwierig, das nicht länger anzusehen, / sondern einzelnes. // 3 // Ein Lied zu singen / mit nichts als der Absicht, / ein Lied zu singen, // ist eine schwere Arbeit, / wie vor dem Schnee bedeckten / Berg zu sitzen, // ihn jahrelang, ohne / Ablenkung, anzuschauen und / dann, eines Tages, // mit einem einzigen / Strich weisser Tusche / auf das weisse Papier // zu setzen, dass jeder / sieht der Berg ist / absolut leer.
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Identificação e contexto básico

Rolf Dieter Brinkmann (1940-1975) foi um proeminente poeta, romancista e tradutor alemão. É considerado um dos mais importantes e inovadores poetas da Alemanha da segunda metade do século XX, associado à poesia experimental e à poesia concreta. O seu trabalho desafiou as convenções literárias estabelecidas e explorou novas formas de representação da realidade, particularmente no contexto da sociedade de consumo e da cultura de massa.

Infância e formação

Brinkmann nasceu em Szczecin (atual Polónia) e a sua infância foi marcada pelas turbulências da Segunda Guerra Mundial e pela subsequente deslocação. Após a guerra, a sua família estabeleceu-se na Alemanha Ocidental. A sua formação académica não foi linear; teve um período de aprendizagem como agente de seguros, mas rapidamente se dedicou à literatura. Foi um autodidata voraz, absorvendo influências de diversas fontes, incluindo a literatura americana, a filosofia existencialista e as vanguardas artísticas.

Percurso literário

O percurso literário de Brinkmann iniciou-se na década de 1960. Rapidamente se distinguiu pela sua abordagem radical e inovadora à linguagem poética. Foi um dos fundadores do movimento da poesia concreta na Alemanha, utilizando elementos visuais e sonoros para compor os seus poemas. Publicou vários livros de poesia e prosa, que geraram tanto admiração quanto controvérsia. A sua curta, mas intensa carreira, foi marcada por uma constante experimentação e pela vontade de romper com as formas tradicionais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Brinkmann é caracterizada pela desconstrução da linguagem, pela colagem de elementos díspares (textos de publicidade, notícias, citações, linguagem coloquial) e pela exploração da dimensão visual e sonora do poema. Temas recorrentes incluem a alienação na sociedade moderna, a influência da cultura de massa, a efemeridade, a sexualidade, a busca por autenticidade e a crítica ao conformismo. Utilizou o verso livre, a prosa poética e inovou com técnicas como o "cut-up" (inspirado em William S. Burroughs) e a "poesia de colagem". A sua linguagem é muitas vezes fragmentada, irónica e visceral, refletindo a complexidade e a artificialidade do mundo contemporâneo. Entre as suas obras mais importantes estão "Lesebuch" (1970) e "Westwärts 1-2-3-4-5" (1972).

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Brinkmann viveu e produziu a sua obra num período de grande efervescência cultural e política na Alemanha Ocidental, marcado pela reconstrução pós-guerra, o "milagre económico", os movimentos estudantis de 1968 e as tensões da Guerra Fria. A sua poesia reflete o ceticismo em relação às narrativas oficiais e uma profunda consciência da manipulação mediática e da superficialidade da sociedade de consumo. Foi um contemporâneo de outros poetas importantes da sua geração, com quem dialogou e por vezes divergiu.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Brinkmann foi marcada por uma intensidade e autodestruição que se refletiram na sua obra. Longe de ser uma figura reclusa, teve relações intensas e por vezes tumultuosas. Era conhecido pela sua personalidade forte e pela sua postura de confronto com as normas sociais e literárias. A sua vida foi abreviada por problemas de saúde e, segundo alguns relatos, pelo abuso de substâncias.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Brinkmann foi uma figura controversa, admirada por alguns pela sua audácia e criticada por outros pela sua abordagem radical e, por vezes, considerada chocante. Após a sua morte prematura, o seu reconhecimento cresceu consideravelmente, tornando-se uma referência incontornável na poesia alemã moderna e experimental. A sua obra é objeto de estudo académico e continua a influenciar poetas contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Brinkmann foi profundamente influenciado pela poesia beat americana (Allen Ginsberg, Jack Kerouac), pela obra de Gertrude Stein e William S. Burroughs, bem como pelas vanguardas europeias e pela cultura pop. O seu legado reside na sua capacidade de renovar a linguagem poética, de incorporar a realidade da vida urbana e mediática nos seus versos e de abrir novas possibilidades para a experimentação literária na Alemanha. Influenciou gerações posteriores de poetas que procuraram formas mais diretas e críticas de abordar o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Brinkmann é frequentemente analisada sob a perspetiva da crítica social, da semiótica e dos estudos culturais, dada a sua exploração da linguagem como um meio de reflexão sobre a sociedade de consumo e a produção de sentido. As suas colagens e o uso de fragmentos da cultura popular são vistos como uma forma de expor a artificialidade e a superficialidade das mensagens mediáticas. A sua poesia convida a uma análise da relação entre o indivíduo e um mundo cada vez mais saturado de informação e estímulos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Brinkmann é a sua fascinação pela cultura americana, que ele via como um modelo de modernidade, mas também como um símbolo da alienação e da mercantilização. A sua postura de confronto e a sua vida boémia tornaram-no uma figura quase mítica para muitos. Os seus diários e correspondência revelam um lado mais vulnerável e introspectivo, contrastando com a imagem pública mais desafiadora.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rolf Dieter Brinkmann faleceu em 1975, aos 35 anos, em Colônia, devido a complicações de saúde, possivelmente agravadas pelo seu estilo de vida. A sua morte prematura contribuiu para a aura mítica em torno da sua figura. Publicações póstumas e a reedição das suas obras têm mantido viva a sua memória e a sua importância na história da literatura alemã.