Lista de Poemas

Labirinto

Abrem-se as Portas.
Uma pequena e frágil criatura de outro mundo
muito mais pequena e frágil
do que as enormes portas,
empurra com o seu corpo de pele e túnicas
um imenso portal desconhecido

As suas vestes são brancas e diáfanas, as suas mãos delicadas,
mas firmes nos movimentos
quando abre as portas ou me toca nas costas
é ariane
um fio invisível pende da sua cintura fina como se ela fosse
um rolo de seda a desfiar no labirinto do tempo,
no espaço recôndito que ela atravessa na minha alma.

São as quarenta e duas portas das quais ela tem a chave,
a secreta chave com que abre o meu coração.

Numa das mãos traz o bastão com que ilumina o caminho.
enquanto caminha, vai dizendo
que eu tenho de alquimizar o tempo,
que no tempo não há resposta
que é no silencio do nome que eu me encontro.

A resposta que eu quero está porém no céu da sua boca.
Ela própria é uma porta.

1 085

MA E MI

Meu amor, procuro o ritmo do teu corpo no meu corpo,
procuro o alento do teu peito no meu
o ar que a tua boca respira na minha.

Procuro em ti o ritmo interno, bem dentro,
no fundo de cada movimento, no centro do teu coração.

Quero-te inteira na minha vida na minha alma
quero dançar contigo esta harmonia de sentir
e saber-te em cada átomo, em cada elemento,
sentir-te bem fundo no meu ventre,
ser tua mãe e tua filha ao mesmo tempo, que é não ter tempo.

Quero ser a árvore e a semente, quero ser a terra lavrada
e por cima dela emergir para sempre:
como no mar me deitas e me embalas antes de nascer,
sempre nos teus braços,
recomeçar esta dança do ventre
da eterna bailarina
que neste mundo eu sou...

1 011

Quero Palavras Antigas

Quero palavras antigas, muito antigas
as mais antigas de todo o sempre:

A primeira de todas, a mais sagrada;
a palavra mágica que deu vida ao universo
e inteligência aos "hanimais" que somos.

Aquela que fez as águas aparecer primeiro
e depois as separou da terra.

Quero aquela palavra
que era o verbo e se fez carne,
que disse que o dia era bom e a noite também,
aquela mesma palavra
que fez com que da grande mãe nascesses
e fosses para sempre a imagem sagrada da mulher
sobre este planeta.

1 242

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Rosa Leonor Pedro é uma poeta cuja obra se insere na literatura de língua portuguesa. A sua nacionalidade e a língua em que escreve são o português. Detalhes sobre o seu contexto familiar, classe social, pseudónimos ou heterónimos, bem como o contexto histórico específico em que viveu, requerem informação mais aprofundada.

Infância e formação

A infância e a formação de Rosa Leonor Pedro foram, presumivelmente, períodos formativos cruciais para o desenvolvimento da sua sensibilidade artística e literária. As experiências vividas, o ambiente familiar e social, e o contacto com a cultura e a educação terão moldado a sua visão do mundo e as suas primeiras inclinações para a escrita.

Percurso literário

O início da atividade literária de Rosa Leonor Pedro, assim como a evolução do seu percurso ao longo do tempo, são aspetos a serem detalhados. A sua possível participação em publicações literárias, antologias ou a colaboração com revistas e jornais seriam marcos importantes na sua trajetória como escritora.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Rosa Leonor Pedro caracteriza-se por uma forte veia lírica, explorando temas como o amor, a ausência, a passagem do tempo e a introspeção. O seu estilo é marcado pela delicadeza da linguagem, pela musicalidade dos versos e por uma densidade imagética que convida à contemplação. A voz poética de Pedro é, frequentemente, pessoal e confessional, transmitindo emoções profundas e universais. É possível que a sua poesia se insira em movimentos literários que valorizam a subjetividade e a exploração do eu, mantendo um diálogo com a tradição, mas também introduzindo inovações formais ou temáticas.

Contexto cultural e histórico

A inserção de Rosa Leonor Pedro no contexto cultural e histórico da sua época é fundamental para a compreensão da sua obra. A relação com eventos históricos, movimentos artísticos e literários, e a sua possível posição ideológica ou filosófica teriam influenciado a sua produção. O diálogo com outros escritores e círculos literários seria igualmente relevante.

Vida pessoal

Os aspetos da vida pessoal de Rosa Leonor Pedro, como relações familiares, afetivas, amizades e possíveis crises existenciais, podem ter sido fontes de inspiração para a sua poesia. As suas crenças, profissões paralelas (se houver) e envolvimento cívico (se aplicável) também compõem o seu perfil humano e artístico.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento da obra de Rosa Leonor Pedro, seja em vida ou postumamente, através de prémios, distinções ou receção crítica, ajudaria a definir o seu lugar no panorama literário. A popularidade e o reconhecimento académico da sua poesia são aspetos a serem considerados.

Influências e legado

A análise das influências que moldaram a poesia de Rosa Leonor Pedro, bem como o legado que deixou para outros poetas e para a literatura em geral, permitiria avaliar a sua importância. Estudos académicos e a difusão internacional da sua obra seriam indicadores do seu impacto.

Interpretação e análise crítica

A obra de Rosa Leonor Pedro oferece um vasto campo para interpretação e análise crítica, especialmente no que diz respeito aos seus temas filosóficos e existenciais. Possíveis debates críticos em torno da sua poesia enriqueceriam a compreensão das diferentes leituras possíveis.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da sua personalidade, hábitos de escrita, episódios marcantes ou anedóticos, e detalhes sobre manuscritos ou correspondência poderiam revelar facetas intrigantes da vida e obra de Rosa Leonor Pedro.

Morte e memória

Informações sobre as circunstâncias da sua morte e a existência de publicações póstumas, se disponíveis, completariam o seu perfil biográfico, contribuindo para a preservação da sua memória literária.