Rui Queimado

Rui Queimado

n. 1200 PT PT

Rui Queimado é um poeta português contemporâneo. A sua obra poética é reconhecida pela originalidade e pela exploração de temas que vão do quotidiano à reflexão existencial. Com um estilo marcante, o autor tem vindo a afirmar-se na cena literária portuguesa.

n. 1200-01-01

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Preguntou Joam Garcia

Preguntou Joam Garcia
da morte de que morria;
e dixe-lh'eu todavia:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Pois que m'houve preguntado
de que era tam coitado,
dixe-lh'eu este recado:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Dixe-lh'eu: - Já bem vos digo
a coita que hei comigo;
per bõa fé, meu amigo,
       a morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Rui Queimado é um poeta português, conhecido pela sua participação ativa na cena literária contemporânea.

Infância e formação

Informações sobre a sua infância e formação não são amplamente detalhadas em fontes públicas, mas o seu percurso literário aponta para um interesse precoce e continuado pela palavra escrita e pela poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Rui Queimado é marcado pela publicação de diversos livros de poesia, nos quais desenvolve uma voz poética singular. Participou em diversas iniciativas literárias e antologias, contribuindo para a divulgação da poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Rui Queimado caracteriza-se por uma abordagem multifacetada da experiência humana. Os temas explorados incluem a relação com o tempo, a memória, a paisagem urbana e natural, e as complexidades das relações interpessoais. O seu estilo poético é frequentemente marcado por uma linguagem direta, por vezes crua, mas também capaz de momentos de grande lirismo e introspeção. Utiliza o verso livre e explora a potencialidade da palavra na criação de imagens vívidas e na evocação de atmosferas. A sua voz poética pode variar entre o confessional, o observacional e o reflexivo, demonstrando uma notável versatilidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rui Queimado faz parte da geração de poetas que emergiu em Portugal nas últimas décadas, contribuindo para a diversidade e vitalidade da poesia lusófona contemporânea. Dialoga com outras vozes literárias e reflete as inquietações do mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a sua vida pessoal são limitadas, sendo a sua obra o foco principal de atenção.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Rui Queimado tem sido recebida com interesse pela crítica e pelo público leitor, que valoriza a sua originalidade e a sua capacidade de abordar temas relevantes de forma autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu trabalho dialoga com a rica tradição da poesia portuguesa, mas também aponta para novas direções, influenciando possivelmente outros escritores que buscam uma expressão contemporânea e pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Rui Queimado pode ser lida como um espelho das angústias e das esperanças do ser humano contemporâneo, explorando a fragilidade e a força da existência através de uma linguagem que se quer próxima da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes menos conhecidos sobre a sua vida e processo criativo não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rui Queimado continua a sua atividade literária, sendo a sua memória construída através da sua obra em constante crescimento.

Poemas

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Preguntou Joam Garcia

Preguntou Joam Garcia
da morte de que morria;
e dixe-lh'eu todavia:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Pois que m'houve preguntado
de que era tam coitado,
dixe-lh'eu este recado:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Dixe-lh'eu: - Já bem vos digo
a coita que hei comigo;
per bõa fé, meu amigo,
       a morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.
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Cuidades Vós, Mia Senhor, Que Mui Mal

Cuidades vós, mia senhor, que mui mal
estou de vós e cuid'eu que mui bem
estou de vós, senhor, por ũa rem
que vos ora direi, ca nom por al:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!

Tam mansa vos quis Deus, senhor, fazer
e tam fremosa e tam bem falar
que nom poderia eu mal estar
de vós, por quanto vos quero dizer:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!

Amo-vos tant'e com tam gram razom,
pero que nunca de vós bem prendi,
que coid'eu est', e vós que nom é 'si;
mais tant'esforç'hei no meu coraçom:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!
566

O Meu Amigo, Que Me Mui Gram Bem

O meu amigo, que me mui gram bem
quer, assanhou-s'um dia contra mim
muit'endoado; mais [d]el que s'assi
a mim assanha, sei eu ũa rem:
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.

E, porque nom quig'eu com el falar
quand'el quisera, nem se mi aguisou,
assanhou-s'el, e de pram bem cuidou
que me matava; mais, a meu cuidar,
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.

Porque me quer gram bem de coraçom,
assanhou-s'el, e cuidou-m'a fazer
mui gram pesar; mais devedes creer,
del que s'assanha, se Deus me perdom,
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.
586

Querri'agora Saber de Grado

Querri'agora saber de grado
d'um home que sei mui posfaçador,
[pois] de posfaçar há tam gram sabor,
se sab'ora el com'é posfaçado;
e pero sabe-o, a meu coidar
- e por en há coita de posfaçar
ca nom [vai] posfaçar endoado.

E poilo sabe, faz aguisado
de posfaçar, ca nunca vi peior:
ca, x['i] o deostam, el o melhor
faz, pois que já tal é seu pecado;
ca o deostam, que eu nunca vi
home no mundo, des quando naci,
en posfaçar e tam mal deostado.

Nom vos é el daquest'enartado,
ante tenh'eu que é bem sabedor
de posfaçar d'amig'e de senhor
e nom guardar nẽum home nado,
em posfaçar; e tenho-lhi por sem
de nom dizer de nẽum home bem,
ca dest'é el de todos bem guardado.

E diga, pois que disser, muito mal;
qual cho fezer, ó compadr', outro tal
lhi faz: por ende serás vingado.
680

O Demo M'houvera Hoj'a Levar

O Demo m'houvera hoj'a levar
a ũa porta d'um cavaleiro,
por saber novas; e o porteiro
foi-lhi dizer que querria jantar;
e el tornou[-se] logo sa via
com dous cães grandes que tragia
que na porta m'houveram de matar.

E começava-os el d'arriçar,
de trá'la porta d'um seu celeiro,
um mui gram cam negr'e outro veiro;
e começavam-s'a mi de touçar
em cima da besta em que ia;
e jurand'eu: - Par Santa Maria,
por novas vos quisera preguntar.

Três cães eram grandes no logar,
mais nom saiu o gram fareleiro;
mais os dous, que sairom primeiro,
nom lhis cuidei per rem a escapar;
pero jurava que nom queria
ali decer, tanto me valia
como se dissess': - Alá quer'entrar!

E dix'eu logo, pois m'en partia:
- Sei-m'eu que assi convidaria
o coteife peideir'em seu logar.
644

Pois Minha Senhor Me Manda

Pois minha senhor me manda
que nom vá u ela ´stiver,
quero-lho eu por en fazer,
pois mo ela 'ssi demanda.
Mais nom me pod'ela tolher por en
que lh'eu nom queira gram bem.

Por quanto eu dela vejo,
minha senhor me defende,
que nom vá u ela entende
que eu filho gram desejo.
Mais nom pod'ela por ende o meu
coraçom partir do seu.

E por quant'eu dela entendo,
que nom quer que a mais veja,
bem me praz que assi seja:
mais vai-se meu mal sabendo;
e meus olhos me querem matar
quando lha nom vou mostrar.
538

De Mia Senhor Direi-Vos Que Mi Avém

De mia senhor direi-vos que mi avém:
porque a vejo mui bem parecer,
tal bem lhe quer'onde cuid'a morrer.
E pero que lhe quero tam gram bem,
       ainda lh'eu mui melhor querria
       se podesse... mais nom poderia!

Ca lhe quero tam gram bem que perdi
já o dormir; e, de pram, perderei
o sem mui cedo com coita que hei.
E pero que tod'aquesto perç'i,
       ainda lh'eu mui melhor querria
       se podesse...mais nom poderia!

Ca lhe quero bem tam de coraçom
que sei mui bem que, se m'ela nom val,
que morrerei cedo, nom há i al.
E com tod'esto, si Deus me perdom,
       ainda lh'eu mui melhor querria
       se podesse... mais nom poderia,

per nulha rem, par Santa Maria!
Ca, se podesse, log'eu querria!
770

Dom Marco, Vej'eu Muito Queixar

Dom Marco, vej'eu muito queixar
Dom Estêvam de vós, ca diz assi:
que, pero foi mui mal doent'aqui,
que vos nunca quisestes trabalhar
de o veer, nen'o vistes; mais bem
jura que o confonda Deus por en
se vos esto per casa nom passar.

Qual desdém lhi vós fostes fazer
nunca outr'home a seu amigo fez;
mais ar fará-vo-lo [el], outra vez,
se mal houverdes: nom vos ar veer;
ca x'é el home que x'há poder tal,
bem come vós, se vos ar veer mal,
de vos dar en pelo vas'a bever.

Diz que o nom guii Nostro Senhor,
se vos mui ced'outr'atal nom fezer:
nom vos veer quando vos for mester,
poilo nom vistes; aind'al diz peior,
um verv'antigo, com sanha que há:
"como lhi cantardes, bailar-vos-á",
ca nom há porque vos baile melhor.
671

Pois Que Eu Ora Morto For

Pois que eu ora morto for
sei bem ca dirá mia senhor:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!

Pois souber mui bem ca morri
por ela, sei que dirá assi:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!

Pois que eu morrer, filhará
entom o soqueix'e dirá:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!
465

O Meu Amig', Ai Amiga

O meu amig', ai amiga,
a que muita prol buscastes
quando me por el rogastes,
pero vos outra vez diga
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.

El verrá, ben'o sabiades,
dizer-vos que é coitado;
mais sol nom seja pensado,
pero o morrer vejades,
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.

Quanto quiser, tanto more
meu amigo em outra terra
e ande comigo a guerra;
mais, pero ante vós chore,
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.
647

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