Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

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Comentários (5)

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marcelo
marcelo
2017-01-05

demais

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2013-03-25

Lindo o poema de Cecília Meireles ela é incrível tá de parabéns pelo seu trabalho...

geisa
geisa
2012-07-20

muito gracioso e verdadeiro! realmente n se faz mais poemas assim. palavras doces q nos encantam pelo simples fato de muitas vezes n sabersmos explicarmos oq sentimos.

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2012-06-06

amei este poema dela cecília ela falava com a alma adoro mulher O ESPELHO COMO TAMBEM PESCADOR

paula
paula
2012-01-12

Não s e fazem + poemas cm os de Cecilia ela falava c/ a alma adoro Cecilia, lindo poema!!!!!