Gonçalves Dias

Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias foi um dos principais poetas da primeira geração do Romantismo brasileiro, conhecido como "Indianismo". Sua obra é marcada pela exaltação da natureza brasileira e pela figura idealizada do índio como herói nacional. Sua poesia, de grande lirismo e musicalidade, celebrou a identidade e a paisagem do Brasil, contribuindo para a formação de uma consciência literária nacional e para a valorização das raízes culturais do país.

1823-08-10 Caxias, Maranhão, Brasil
1864-11-03 Guimarães, Maranhão, Brasil
905118
30
215

IV

(...)

Uma voz sonora e retumbante partiu do Ipiranga
e foi do mar aos Andes e do Prata às margens do
Amazonas.

E todos se ergueram violenta e instantaneamente
como um cadáver por virtude do galvanismo.

E soltaram o mesmo brado com voz entusiasta e
forte, e travaram das armas com a impavidez do guerreiro
e com a esperança do homem que pugna em favor da justiça.

E a corrente que prendia um Império a outro Império,
fraca com o seu comprimento, estalou violentamente
em mil pedaços.

E os dois Impérios soltaram dois gritos simultâneos;
— era de um lado o despeito do caçador que
vê fugir-lhe a presa, e do outro o contentamento da
águia quando pela primeira vez ousa fitar a luz do
sol e a balançar-se nos campos incomensuráveis do
espaço.

E os homens, que eram livres, regozijavam-se com
a vitória do povo emancipado, e os que eram tiranizados
afiavam com mais ardor a espada da liberdade
nas escadas dos potentes.

(...)


Poema integrante da série Capítulo III.

In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.62-6
3513
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22/junho/2017

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