A Morte Devagar
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Comentários (5)
Quem é o autor deste texto... não importa... o significado deste é o que realmente transmite em sua essência . parabéns Ademir.
Fiquei impactada com o poema "A Morte Devagar" .Parabéns Cissa Guimarães por me dar a oportunidade de desfrutar o programa de hoje e ouvir a maravilhosa MARTHA MEDEIROS.
Foi atribuido, erroneamente, à Pablo Neruda Mas a autoria é de Martha Medeiros escritora e poetisa brasileira Atualizem suas fontes e saibam o que é de quem Antes de qq comentário e/ou postagem Sem mais. Abraço e até...
Carros, caminhões, poeira, estrada Tudo tudo se confunde em minha mente Minha sombra me acompanha E vê que eu estou morrendo lentamente
Há sites na internet que atribuem esta crónica a Pablo Neruda, o que está errado. É inequivocamente de Martha Medeiros.