

Mário Dionísio
Mário Dionísio foi um poeta, pintor e ensaísta português, conhecido pela sua profunda reflexão sobre a condição humana e a poesia como forma de intervenção no mundo. A sua obra, marcada por um tom existencial e social, explora temas como a liberdade, a opressão e a busca por sentido num contexto de incerteza. Com uma linguagem rigorosa e uma visão crítica da sociedade, Dionísio destacou-se pela sua capacidade de aliar a experiência pessoal à universalidade das questões abordadas, consolidando-se como uma voz singular na poesia portuguesa contemporânea.
1916-07-16 Lisboa
1993-11-17 Lisboa
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Que nojo
Que nojo São carcaças
de gente morta por dentro
Escondem mucos pegajosos
que empestam toda a paisagem
São abutres pelados são caraças
de olhos vítreos de intenção
são bostas de sangue e o centro
de onde mana a corrupção
Só nunca serão carrascos
porque lhes falta a coragem
O medo os faz silenciosos
pelas costas atrevidos
Movem-nos ódios e ascos
flatulências de ambição
pequeninos verrinosos
gordurosos retraídos
São fura-greves são espias
vaidosos de ser pisados
segregam epidemias
de vergonha São repolhos
de gangrena engravatados
São piolhos são piolhos
são piolhos
de gente morta por dentro
Escondem mucos pegajosos
que empestam toda a paisagem
São abutres pelados são caraças
de olhos vítreos de intenção
são bostas de sangue e o centro
de onde mana a corrupção
Só nunca serão carrascos
porque lhes falta a coragem
O medo os faz silenciosos
pelas costas atrevidos
Movem-nos ódios e ascos
flatulências de ambição
pequeninos verrinosos
gordurosos retraídos
São fura-greves são espias
vaidosos de ser pisados
segregam epidemias
de vergonha São repolhos
de gangrena engravatados
São piolhos são piolhos
são piolhos
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NeorrealismoGeisa
Muito bom ajudou muito parabéns senhor ??
30/setembro/2021
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