

Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez foi um poeta espanhol, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1956. A sua obra, profundamente marcada pelo simbolismo e pelo desejo de "poesia pura", evoluiu para uma busca incessante pela beleza e pela transcendência. A sua poesia explora temas como a natureza, a espiritualidade, o amor e a própria essência da poesia, com um estilo depurado, musical e visionário. É considerado um dos grandes renovadores da poesia espanhola do século XX.
1881-12-23 Moguer, Espanha
1958-05-29 Santurce, Porto Rico
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Eu não voltarei
Eu não voltarei. E a noite
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta
entrará a brisa fresca
a perguntar por minha alma.
Ignoro se alguém me aguarda
de ausência tão prolongada,
ou beija a minha lembrança
entre carícias e lágrimas.
Mas haverá estrelas, flores
e suspiros e esperanças,
e amor nas alamedas,
sob a sombra das ramagens.
E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda.
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta
entrará a brisa fresca
a perguntar por minha alma.
Ignoro se alguém me aguarda
de ausência tão prolongada,
ou beija a minha lembrança
entre carícias e lágrimas.
Mas haverá estrelas, flores
e suspiros e esperanças,
e amor nas alamedas,
sob a sombra das ramagens.
E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda.
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