

Charles Baudelaire
Charles Baudelaire foi um poeta, crítico de arte e tradutor francês, considerado um dos maiores vultos da literatura do século XIX e um precursor da poesia moderna. A sua obra, marcada pela exploração da beleza na feiura, pelo spleen, pela cidade moderna e pela complexidade da alma humana, revolucionou a forma e o conteúdo poético, influenciando movimentos como o Simbolismo e o Surrealismo.
1821-04-09 Paris, França
1867-08-31 Paris, França
180434
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O Abismo
Pascal em si tinha um abismo se movendo.
- Ai!, tudo é abismo! - sonho, ação, dessejo intenso,
Palavra! E sobre mim, num calafrio, eu penso
Sentir do Medo o vento às vezes se estendendo.
Em volta, do alto, embaixo, a profundeza, o denso
Silêncio, a tumba, o espaço cativante e horrendo...
Em minhas noites, Deus, o sábio dedo erguendo,
Desenha um pesadelo multiforme e imenso.
Tenho medo do sono, o túnel que me esconde,
Cheio de vago horror, levando não sei aonde;
Do infinito, à janela, eu gozo os cruéis prazeres,
E meu espírito, ébrio afeito ao desvario,
Ao nada inveja a insensibilidade e o frio.
- Ah, não sair jamais dos Números e Serees.
- Ai!, tudo é abismo! - sonho, ação, dessejo intenso,
Palavra! E sobre mim, num calafrio, eu penso
Sentir do Medo o vento às vezes se estendendo.
Em volta, do alto, embaixo, a profundeza, o denso
Silêncio, a tumba, o espaço cativante e horrendo...
Em minhas noites, Deus, o sábio dedo erguendo,
Desenha um pesadelo multiforme e imenso.
Tenho medo do sono, o túnel que me esconde,
Cheio de vago horror, levando não sei aonde;
Do infinito, à janela, eu gozo os cruéis prazeres,
E meu espírito, ébrio afeito ao desvario,
Ao nada inveja a insensibilidade e o frio.
- Ah, não sair jamais dos Números e Serees.
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