

Miguel Torga
Miguel Torga foi um poeta e escritor português, conhecido pela sua obra multifacetada que explora as raízes do ser humano e a sua relação com a terra. A sua poesia é marcada por uma profunda ligação à natureza, à tradição popular e a uma visão existencialista do mundo. A sua escrita, muitas vezes visceral e de forte pendor lírico, reflete uma busca constante pela identidade e pela verdade, num estilo que combina a força do verso livre com a solidez da forma. Torga abordou temas como a condição humana, a passagem do tempo, a terra transmontana e a espiritualidade, deixando um legado poético que continua a ressoar pela sua autenticidade e profundidade.
1907-08-12 S.Martinho de Anta-Sabrosa, Portugal
1995-01-17 Coimbra
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Mãe
S. Martinho de Anta, 1 de Junho
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti - não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti - não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!
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