

António Gancho
António Gancho é um poeta cuja obra se distingue pela exploração de uma linguagem densa e enigmática, muitas vezes imersa em paisagens interiores e reflexões existenciais. A sua poesia, embora por vezes hermética, revela uma profunda atenção à palavra e à sua capacidade de evocar realidades subjacentes e sensações. A ligação a temas como a memória, o tempo e a fragilidade humana é recorrente, conferindo à sua escrita uma qualidade meditativa e perturbadora. A sua figura é central no panorama da poesia portuguesa contemporânea, reconhecido pela originalidade e pela força da sua expressão.
Évora
2006-01-02 Telhal, Sintra
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Tu és mortal meu Deus
Noite, vem noite
sobre mim sobre nós
dá o repouso absoluto de tudo
traz peixes e abismos para nos abismar
mostra o sono traz a morte
e vem noite por detrás de nós e sobre nós
e escreve com o teu negro
a morte que há em nós.
Livra-nos e perdoa-nos tudo
redime-nos os pecados
e enforca os nossos rostos em teu nome
sobre mim sobre nós
dá o repouso absoluto de tudo
traz peixes e abismos para nos abismar
mostra o sono traz a morte
e vem noite por detrás de nós e sobre nós
e escreve com o teu negro
a morte que há em nós.
Livra-nos e perdoa-nos tudo
redime-nos os pecados
e enforca os nossos rostos em teu nome
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