

Ana Cristina Cesar
Ana Cristina Cesar foi uma poeta, ensaísta e tradutora brasileira cuja obra se destaca pela intensidade lírica, pela exploração da subjetividade e pela intersecção entre a vida e a escrita. A sua poesia, marcada por uma voz única e uma linguagem que mescla o coloquial e o erudito, aborda temas como o amor, a identidade, a memória, a cidade e a condição feminina. A sua curta, mas prolífica carreira, deixou um legado significativo na literatura brasileira contemporânea.
1952-06-02 Rio de Janeiro, Brasil
1983-10-29 Rio de Janeiro
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Anônimo
Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.
1856
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