

António Gedeão
António Gedeão foi o pseudónimo literário de Rómulo de Carvalho, um notável poeta e ensaísta português. A sua obra poética é marcada pela fusão entre a ciência e a poesia, explorando temas como o universo, o tempo, a matéria e o conhecimento humano com uma linguagem acessível mas profunda. Reconhecido pela sua capacidade de traduzir conceitos científicos em imagens poéticas, Gedeão deixou um legado importante na literatura portuguesa do século XX, sendo um dos nomes maiores do neo-realismo e do modernismo português.
1906-11-24 Lisboa, Portugal
1997-02-19 Lisboa
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Dor de Alma
Meu pratinho de arroz doce
polvilhado de canela;
Era bom mas acabou-se
desde que a vida me trouxe
outros cuidados com ela.
Eu, infante, não sabia
as mágoas que a vida tem.
Ingenuamente sorria,
me aninhava e adormecia
no colo da minha mãe.
Soube depois que há no mundo
umas tantas criaturas
que vivem num charco imundo
arrancando arroz do fundo
de pestilentas planuras.
Um sol de arestas pastosas
cobre-os de cinza e de azebre
à flor das águas lodosas,
eclodindo em capciosas
intermitências de febre.
Já não tenho o teu engodo,
Ó mãe, nem desejo tê-lo.
Prefiro o charco e o lodo.
Quero o sofrimento todo,
Quero senti-lo, e vence-lo.
polvilhado de canela;
Era bom mas acabou-se
desde que a vida me trouxe
outros cuidados com ela.
Eu, infante, não sabia
as mágoas que a vida tem.
Ingenuamente sorria,
me aninhava e adormecia
no colo da minha mãe.
Soube depois que há no mundo
umas tantas criaturas
que vivem num charco imundo
arrancando arroz do fundo
de pestilentas planuras.
Um sol de arestas pastosas
cobre-os de cinza e de azebre
à flor das águas lodosas,
eclodindo em capciosas
intermitências de febre.
Já não tenho o teu engodo,
Ó mãe, nem desejo tê-lo.
Prefiro o charco e o lodo.
Quero o sofrimento todo,
Quero senti-lo, e vence-lo.
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É um poema bem inspirado, eu gostei muito. ??
07/agosto/2025
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