

Sebastião Alba
Sebastião Alba foi um poeta e professor açoriano, conhecido pela sua obra marcada pela forte ligação à terra natal, à identidade insular e à condição humana. Sua poesia, frequentemente melancólica e reflexiva, explora temas como a solidão, a memória, a passagem do tempo e a busca por sentido num universo muitas vezes adverso. Com um estilo depurado e uma linguagem que evoca a paisagem e a alma do arquipélago, Alba consolidou-se como uma voz singular na poesia portuguesa contemporânea.
1940-03-11 Braga
2000-10-14 Braga
20112
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O limite diáfano
Movo-me nos bastidores da poesia,
e coro se de leve a escuto.
Mas o pão de cada dia
à noite está consumido,
e a alvorada seguinte
banha as suas escórias.
Palco só o da minha morte,
se no leito!,
com seu asseio sem derrame...
O lado para que durmo
é um limite diáfano:
aí os versos espigam.
Isso me basta. Acordo
antes que a seara amadureça
e na extensão pairem,
de Van Gogh, os corvos.
e coro se de leve a escuto.
Mas o pão de cada dia
à noite está consumido,
e a alvorada seguinte
banha as suas escórias.
Palco só o da minha morte,
se no leito!,
com seu asseio sem derrame...
O lado para que durmo
é um limite diáfano:
aí os versos espigam.
Isso me basta. Acordo
antes que a seara amadureça
e na extensão pairem,
de Van Gogh, os corvos.
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