Aires Teles

Aires Teles foi um notável poeta e professor português. A sua obra poética, marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana e a passagem do tempo, encontra ressonância no panorama literário português do século XX. Dedicou parte significativa da sua vida ao ensino, partilhando o seu amor pela literatura e pelas artes com gerações de estudantes.

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De pungentes estimulos ferido

De pungentes estimulos ferido
O Regedor dos ceos e humilde terra,
Sôbre ti manda, desastrada Lysia,
Effeitos da sua íra.

A peste armada destruir teu povo
A um seu leve aceno vôa logo:
Estraga, fere, mata sanguinosa,
Despiedada e crua.

Despenhada no abysmo da ruina,
Fugir pretendes aos accesos raios,
Qual horrida phantasma, porém logo
Desfallecida cahes.


O açoute do Ceo lamenta, ó Lysia,
Mas inda muito mais os teus errores
Que provocar fizerão contra ti
Contagião mortal.

Dos Ceos apagar cuida a justa sanha
Da penitencia com as bastas ágoas,
Ja que revel e surda te mostraste

A seus mudos avisos.
Então verás ornada a nobre frente,
Como nos priscos tempos que passárão,
De esclarecidos louros, sinal certo
De teus almos triumphos.
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