Florbela EspancaFlorbela Espanca
Florbela Espanca, batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa.
Simbolismo
Nasceu a 08 Dezembro 1894 (Vila Viçosa)
Morreu em 08 Dezembro 1930 (Matosinhos)
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Interrogaçâo

A Guido Batelli

Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em siléncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados á garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma de charneca sacrossanta,
Irmá da alma rútila que eu tenho,
Dize pra onde vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visôes de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mâo é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra...
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!