NUNC EST BIBENDUM
Fernando Pessoa
1942
Poesias
Quando o Tédio, invencível e infecundo,
Nos faz sentir a solidão de ser,
E uma monotonia ocupa o mundo,
Que mais tem o espírito a fazer
Do que ensinar ao corpo que o profundo
Desgosto da existência lhe requere
Que veja sempre ao cálix o seu fundo
E sempre tome o cálix a encher?
Assim a nós os pensadores mortos
Para o prazer e a quem a saciedade
Na própria ideia já nos dissuade,
Se não beber até que a vida esqueça
Aos nossos olhos sem pensar absortos
O sonho que é, o mundo em fim pareça.
Nos faz sentir a solidão de ser,
E uma monotonia ocupa o mundo,
Que mais tem o espírito a fazer
Do que ensinar ao corpo que o profundo
Desgosto da existência lhe requere
Que veja sempre ao cálix o seu fundo
E sempre tome o cálix a encher?
Assim a nós os pensadores mortos
Para o prazer e a quem a saciedade
Na própria ideia já nos dissuade,
Se não beber até que a vida esqueça
Aos nossos olhos sem pensar absortos
O sonho que é, o mundo em fim pareça.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.