Entre o livro e a laranja, uma sombra.
Entre os lábios e as pálpebras, uma cor.
Entre os braços e os seios, o branco.

Na flor que os dedos prendem, um perfume.
No risco dos cabelos, uma luz.
No ar com que sonha, um lume.

Na página que lê, um desenho.
Na testa descoberta, um sonho.
E na cabeça, o que só ela sabe.



Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 70 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
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