

Manuel Bandeira
Manuel Bandeira foi um dos mais importantes poetas brasileiros do século XX, precursor do Modernismo. Sua obra é marcada pela simplicidade aparente, pela melancolia, pela temática do cotidiano e pela busca pela palavra exata. Sua poesia, influenciada pela vida e pela experiência pessoal, aborda temas como a morte, a doença, a infância, a solidão e a religiosidade, com uma linguagem lírica e ao mesmo tempo coloquial.
1886-04-19 Recife, Pernambuco, Brasil
1968-10-13 Rio de Janeiro, Brasil
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73
1784
Enquanto Morrem as Rosas
Morre a tarde. Erra no ar a divina fragrância.
Fora, a mortiça luz do crepúsculo arde.
Nas árvores, no oceano e no azul da distância
Morre a tarde...
Morrem as rosas. Minhas pálpebras se molham
No pranto das desesperanças dolorosas.
Sobre a mesa, pétala a pétala, se esfolham,
Morrem as rosas...
Morre o teu sonho?... Neste instante o pensamento
Acabrunha o meu ser como um pesar medonho.
Ah, por que temo assim? Dize: neste momento
Morre o teu sonho...
Fora, a mortiça luz do crepúsculo arde.
Nas árvores, no oceano e no azul da distância
Morre a tarde...
Morrem as rosas. Minhas pálpebras se molham
No pranto das desesperanças dolorosas.
Sobre a mesa, pétala a pétala, se esfolham,
Morrem as rosas...
Morre o teu sonho?... Neste instante o pensamento
Acabrunha o meu ser como um pesar medonho.
Ah, por que temo assim? Dize: neste momento
Morre o teu sonho...
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