
Jorge de Aguiar
Jorge de Aguiar foi um poeta cuja obra se insere no contexto da literatura portuguesa. A sua produção poética explorou frequentemente as paisagens interiores e exteriores, utilizando uma linguagem cuidada e um olhar atento sobre a condição humana. Através dos seus versos, Aguiar procurou captar a essência de sentimentos e reflexões, deixando um legado que, embora possa não ter alcançado a notoriedade de outros vultos literários, representa um testemunho valioso da poesia da sua época. O seu trabalho é marcado por uma sensibilidade particular para com os temas da vida quotidiana e das emoções, traduzida numa escrita que privilegia a introspeção e a melancolia. A poesia de Jorge de Aguiar convida o leitor a uma viagem pelos meandros da alma, onde se cruzam a beleza das palavras e a profundidade das vivências.
Contra as Mulheres
nom te mates, se quiseres:
lembre-te que sam molheres.
Lembre-te qu’é por nacer
nenhua que nam errasse;
lembre-te que seu prazer,
por bondade e merecer,
nam vi quem dele gostasse.
Pois nam te dês a paixam,
toma prazer, se puderes
lembre-te que sam molheres.
Descansa, triste, descansa,
que seus males sam vinganças;
tuas lágrimas amansa,
leix’ as suas esperanças;
ca, pois nacem sem rezam,
nunca por ela lh’ esperes;
lembre-te que sam molheres.
Tuas mui grandes firmezas,
tuas grandes perdições,
suas desleais nações
causaram tuas tristezas,
Pois nam te mates em vão,
que, quanto mais as quiseres,
verás que sam as molheres.
Que te presta padecer,
que t’ aproveita chorar,
nunc’ outras ham de ser,
am nunca de mudar?
Deiza-as com sua naçam,
seu bem nunca lho esperes:
lembre-te que sam molheres.
Nam te mates cruamente
por quem fêz tam grande errada,
que quem de si nam sente,
por ti nam lhe dará nada.
Vive, lançando pregam
por u fores e vieres
que sam molheres, molheres!
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