Poema Para a Mulher de Malandro

Um segundo
ave assustada voando para longe.
Asas molhadas de vento
arrastando o peso
da surpresa e do susto.

Para longe
para bem longe do temporal.

Olhos enxutos respiram distância
coração de ave frágil
pequenino
pulsa pânico
irrompe do peito.

É preciso aguardar o retorno do sol.

O sol...

Luz infiltrando suave
da coroa dos montes.

A medo e a susto
o romper do vento a rota de retorno.
Não sou, não me torno
mas entendo
a mulher do malandro.

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