

José Gomes Ferreira
José Gomes Ferreira foi um poeta, romancista e jornalista português, conhecido pela sua poesia de intervenção social e política, fortemente marcada pelo antifascismo e pela crítica às injustiças. Sua obra é caracterizada por uma linguagem vigorosa, irónica e por vezes coloquial, que busca aproximar a poesia da realidade do povo e das lutas sociais. Figura central do Modernismo português, especialmente da segunda geração, Gomes Ferreira foi também um cronista prolífico e um intelectual comprometido com os ideais de liberdade e progresso. Sua poesia, que abrange temas como a guerra, a exploração, a esperança e a resistência, consolidou-o como uma das vozes mais combativas e populares da literatura portuguesa do século XX.
1900-07-09 Porto, Portugal
1985-02-08 Lisboa
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Extrai Todos os Dias
Extrai do todos-os-dias
O hoje de todo-o-sempre
Até ao fim do mundo
Quando o sol gelar
A última eternidade.
Embala amanhã nos braços dos outros
A criança esquecida
Que foi agora atropelada
Por mil automóveis
Em todas as ruas do mundo.
Procura nas lágrimas recentes
Os olhos de hão-de chorá-las
Daqui a dez mil anos.
E se queres a glória
De ser ignorado
Pelo egoísmo do futuro
Ouve, poeta do desdém novo:
Canta os mortos das barricadas
E a volúpia das dores do tempo.
(Mas pede às rosas
que continuem a repetir-se
até o fim das pedras…
O hoje de todo-o-sempre
Até ao fim do mundo
Quando o sol gelar
A última eternidade.
Embala amanhã nos braços dos outros
A criança esquecida
Que foi agora atropelada
Por mil automóveis
Em todas as ruas do mundo.
Procura nas lágrimas recentes
Os olhos de hão-de chorá-las
Daqui a dez mil anos.
E se queres a glória
De ser ignorado
Pelo egoísmo do futuro
Ouve, poeta do desdém novo:
Canta os mortos das barricadas
E a volúpia das dores do tempo.
(Mas pede às rosas
que continuem a repetir-se
até o fim das pedras…
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