Tomaz Vieira da Cruz

Tomaz Vieira da Cruz

1900–1960 · viveu 60 anos PT PT

Tomaz Vieira da Cruz é um poeta açoriano cuja obra se distingue pela profunda ligação com a terra, o mar e a identidade insular. A sua poesia é um testemunho da paisagem e da cultura dos Açores, expressa numa linguagem autêntica e evocativa. A sua escrita explora as raízes, as tradições e as especificidades do arquipélago, conferindo à sua poesia um carácter único e de grande lirismo. Tomaz Vieira da Cruz é uma voz incontornável na poesia açoriana e contemporânea, celebrando a identidade e as paisagens do seu povo.

n. 1900-04-22, Constância · m. 1960-06-07, Lisboa

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Roamnce de Luanda

Coqueiros esguios - leques ao vento
abanando a Ilha.

Um dongo flutua
na baia.

E ela, a negra maravilha
condecorada com reflexos de prata
com que o céu a está beijando,
com que o céu a está vestindo,
- adormeceu sonhando
placidamente sorrindo.

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas vermelhas
de uma linda flor de ónix!

E o timoneiro, um preto atleta,
jovem pescador
é um brutal Cupido,
- é o Deus do Amor
em bronze reproduzido!

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas de sangue,
duma flor já desfolhada...

Um dongo flutua
na baia.

Vai rompendo a madrugada!
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Biografia

Identificação e contexto básico

Tomaz Vieira da Cruz é um poeta açoriano, nascido nos Açores, Portugal. O seu nome está intrinsecamente ligado à identidade cultural e paisagística do arquipélago. A sua obra é um reflexo do seu tempo e do seu lugar de origem.

Infância e formação

A infância e formação de Tomaz Vieira da Cruz foram moldadas pelo ambiente insular dos Açores. A forte ligação com a terra, o mar e as tradições locais constituem aspetos fundamentais na sua educação e na sua sensibilidade poética. A sua formação terá sido influenciada pelas leituras e pela cultura açoriana.

Percurso literário

O percurso literário de Tomaz Vieira da Cruz é marcado pela sua dedicação à poesia, com um foco particular na temática açoriana. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, solidificando o seu estilo e a sua voz poética, que se tornaram distintivos na literatura dos Açores. Participou ativamente na divulgação da cultura açoriana através da sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Tomaz Vieira da Cruz é profundamente enraizada na paisagem, na cultura e na identidade dos Açores. Os temas dominantes incluem o mar, a terra, a vida simples das gentes, as tradições e a saudade. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem autêntica, lírica e evocativa, que capta a essência do arquipélago. Utiliza frequentemente o verso livre e recursos poéticos que remetem para a oralidade e para a musicalidade das suas origens.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Tomaz Vieira da Cruz insere-se no contexto cultural dos Açores, contribuindo significativamente para a valorização da identidade insular. A sua obra dialoga com a história e as particularidades do arquipélago, retratando a vida e as aspirações das suas gentes.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Tomaz Vieira da Cruz são menos divulgadas, com o foco a recair maioritariamente na sua obra poética e na sua relação com os Açores.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Tomaz Vieira da Cruz tem sido reconhecida pela sua importância na preservação e celebração da identidade açoriana. A sua poesia é valorizada pela sua autenticidade e pelo seu valor cultural, sendo um referente para a literatura dos Açores.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Tomaz Vieira da Cruz residem na cultura popular açoriana, nas tradições orais e na própria natureza exuberante do arquipélago. O seu legado é o de ter imortalizado a alma e a paisagem dos Açores na poesia, inspirando outros a valorizarem as suas raízes.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Tomaz Vieira da Cruz é frequentemente interpretada como um hino à terra natal, uma exploração da identidade insular e um testemunho da resiliência das suas gentes. As análises críticas destacam a sua capacidade de capturar a essência do açoriano através de uma linguagem poética singela e profunda.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da vida de Tomaz Vieira da Cruz podem estar relacionados com os seus hábitos de escrita ou com episódios específicos da sua vivência nos Açores que moldaram a sua visão poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Tomaz Vieira da Cruz e possíveis publicações póstumas não estão detalhadas aqui, indicando que a sua obra continua a ser celebrada em vida ou que tais dados não são de fácil acesso.

Poemas

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Roamnce de Luanda

Coqueiros esguios - leques ao vento
abanando a Ilha.

Um dongo flutua
na baia.

E ela, a negra maravilha
condecorada com reflexos de prata
com que o céu a está beijando,
com que o céu a está vestindo,
- adormeceu sonhando
placidamente sorrindo.

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas vermelhas
de uma linda flor de ónix!

E o timoneiro, um preto atleta,
jovem pescador
é um brutal Cupido,
- é o Deus do Amor
em bronze reproduzido!

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas de sangue,
duma flor já desfolhada...

Um dongo flutua
na baia.

Vai rompendo a madrugada!
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Quissange - Saudade Negra

Não sei, por estas noites tropicais,
o que me encanta...
Se é o luar que canta
ou a floresta aos ais.

Não sei, não sei, aqui neste sertão
de musica dolorosa
qual é a voz que chora
e chega ao coração...

Qual o som que aflora
dos lábios da noite misteriosa!

Sei apenas, e isso é que importa,
que a tua voz, dolente e quase morta,
já mal a escuto, por andar ausente,
já mal escuto a tua voz dolente...

Dolente, a tua voz "luena",
lá do distante Moxico,
que disponho e crucifico
nesta amargura morena...

Que é o destino selvagem
duma canção em que tange,
por entre a floresta virgem
o meu saudoso "Quissange".

Quissange, fatalidade
deste meu triste destino...
Quissange, negra saudade
do teu olhar diamantino.

Quissange, lira gentia,
cantando o sol e o luar,
e chorando a nostalgia
do sertão, por sobre o mar.

Indo mares fora, mares bravos,
em noite primaveril
acompanhando os escravos
que morreram no Brasil.

Não sei, não sei,
neste verão infinito,
a razão de tanto grito...

-Se és tu, oh morte, morrei!

Mas deixa a vida que tange,
exaltando as amarguras,
e as mais tristes desventuras
do meu amado Quissange!
3 616

Coqueiro

Ali, na rua do Carmo
um coqueiro ficou abandonado
quando destruiram a casa velha
a que deu sombra.

E onde um par enamorado
teve sonhos de Amor,
nesse pedaço de Luanda antiga
agora modernizada.

E o coqueiro ligado à terra,
tombado na direcção
da Rua da Pedreira,
como filho nos maternos braços
ali ficou.

Talvez para saudar alguém
que muito sofreu e amou...


Mas tudo acaba e o tempo
tudo anda a destruir,
- porque tudo é passageiro,
quando se vive a mentir.

Ó pincelada verde na cidade,
ruina e gótica coluna
de marmore verde...

Morre, coqueiro morre,
Antes que os homens, tão maus,
cometam a crueldade
de te expulsar e matar.

Morre de pura saudade...

E perdoa, mas sofre como um homem,
coqueiro das verdes palmas,
porque tudo, afinal, na vida, é triste
quando se matam almas...
2 022

N'gola - Flor de Bronze

Filha de branco que morreu na guerra
e de uma preta linda do Libolo,
o teu olhar até de noite encerra
todo o luar das lendas do Catolo!

Ó flor estranha! já não tem consolo
a tua magoa, a tua dor na terra!
Ó flor estranha do febril Capolo
neta dum soba que perdeu a guerra!

Estátua ardente em bronzeadas chamas
que tentação e perdição derramas
por sobre a história negra, quase finda!

Neta dum soba que acabou chorando,
filha de branco que morreu lutando
e duma preta tristemente linda!
2 224

Mulata

Os teus defeitos são graças
que mais me prendem, querida...
Mistério de duas raças
que se encontraram na vida.

E, no mato, em nostalgia,
num exílio carinhoso,
fizeram essa alegria
do teu olhar misterioso.

E deram forma de sonho,
em seu viver magoado,
a esse estilo risonho
do teu corpo bronzeado...

Que é bem a grácil maneira
em que a volúpia se anima,
- bailado duma fogueira
queimando quem se aproxima!

.............................................

A tua boca dolente,
cicatriz de algum desgosto
é um vermelho poente
no lindo sol do teu rosto.

E os beijos que pronuncias
são palavras dolorosas...
Teus beijos são tiranias,
são como espinhos de rosas...

Que me embriagam, amantes,
no éter do seu perfume...
Teus beijos são navegantes
sobre as ondas do ciúme.

.............................................

Os teus defeitos são graças
desse mistério profundo...
Saudade de duas raças
que se abraçaram no mundo!
3 295

Rebita

Mulata da minha alma
batuque dos meus sentidos,
meus nervos encandecidos
vibram por ti, sem ter calma.

Por isso vou á rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.

E, triste, assim, vou dançar,
vou dançar e vou beber
o vinho do teu olhar,
que me faz entontecer.

Ouvindo, longe, tocar
o quissange do gentio,
que vive, além no palmar,
onde corre o verde rio!

E depois adormecer
na tua esteira de prata,
onde quero, enfim, morrer,
oh minha linda mulata.

..........................................

Mulata da minha alma,
batuque dos meus sentidos...

Por isso vou á rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.
1 710

Fruta

Quitanda de fruta verde,
dá-me um gomo de laranja
para matar a sede.

Ou, então, será melhor
dar-me um veneno qualquer
porque eu ando perturbado
e o meu sonho anda queimado
por uns olhos de mulher!

- Minha senhora, laranja,
limão, fresquinho, caju,
ananás ou abacate!...

E a quintandeira passou,
saudável, viva, graciosa,
com uma flor desfolhada
no seu sorriso escarlate.

E no ar um som de musica ficou
e um perfume de fruta
que não matou minha sede

Ó agri-doce quitanda
da fruta verde!...
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Comentários (1)

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Lindo... espetacular poema de um jornalista e poeta português ... sobre a a natureza que se dobra ao envelhecer . e vai morrendo bem devagar. morre coqueiro. Mas antes tua alma se vá ao criador de todas as coisas. jamais podemos menosprezar uma planta tão fornecedora de água doce e para matar a nossa sede de amar.