Lista de Poemas

A morena sestrosa e os 60 mais

Olho pela janela da sala e vejo apenas ruas completamente nevadas. Ninguém, nem uma alma viva! Apenas o frio, que ocupa cada pedaço dessa região norte da costa leste dos EUA, chamada de Nova Inglaterra. Do lado de dentro, a lembrança do calor tropical invade todos espaços da sala e do coração. O som toca incessantemente os príncipes da música brasileira: Tom Jobim, João Gilberto, Caetano e Gil. Os versos de Ary Barroso, na voz suave e no violão preciso de João Gilberto, ecoam e repicam na minha cabeça: "Brasil, terra boa e gostosa, da morena sestrosa de olhar indiferente…" Agora, quando preparo o retorno ao Brasil, depois de mais uma longa temporada no exterior, vejo as diferenças culturais entre o nosso país e os EUA pipocarem na minha cabeça.
A revista eletrônica "Slate", que chega no meu computador todo sábado de manhã pela Internet, publicou no início de dezembro uma reportagem intitulada "Os 60 mais". Para a surpresa dos leitores, não estavam ali relacionados as 60 maiores fortunas dos EUA. A lista era no entanto formada pelas 60 maiores doações feitas por pessoas à sociedade americana. Doações destinadas a propiciar avanços nas ciências, nas artes e na cultura. São doações que vão para institutos de pesquisas, universidades, hospitais, museus e bibliotecas principalmente. A lista foi encabeçada pela doação de 100 milhões de dólares, feita por um rico empresário de supermercados do estado de Utah para a criação do Instituto Skaggs (nome do empresário) de pesquisa em biologia química, com o intuito de estudar novos medicamentos. Um doador, que preferiu o anonimato, entregou a Universidade da Califórnia em Los Angeles um cheque de 45 milhões de dólares para a construção de um centro de pesquisa em genética e neurociências. Um casal de Nova York doou ao Museu Metropolitano da cidade quadros de Picasso, Modigliani, Braquer e outros no valor de 60 milhões de dólares. Embora não fazendo juz ao título de homem mais rico dos EUA, Bill Gates, presidente da Microsoft, doou 25 milhões ao Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Harvard, onde ele foi estudante no início dos anos 70.
Em 1996, as doações dos americanos perfizeram um total de 143,9 bilhões de dólares. Para se ter uma idéia do impacto que essas doações têm no avanço das ciências, da tecnologia e da medicina nos EUA, basta comparar os números acima com o total de gastos em pesquisa feitos pelo Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil em 1994, que foram da ordem de 900 milhões de dólares. Está claro que a sociedade americana não vê o governo como responsável por tudo! Há, por todo os EUA, um forte espírito de comunidade, que nós brasileiros cegamente teimamos em ignorar.
Mas por que tantas doações? Seria apenas generosidade? Claro que não! As razões são várias. Vão desde o caráter filantrópico, até as motivações de natureza moral, religiosa e histórica da sociedade americana. Por exemplo, a revista "Slate" espera que a publicação anual da lista dos "60 mais" acirre o espiríto competitivo entre os ricos americanos, para ver quem vai doar mais no próximo ano. Mas antes de tudo, as doações estão ligadas também à visão e ao pragmatismo do americano. Ou seja, investir naquilo que trará benefícios para a sociedade americana a longo prazo. E os investimentos nas ciências, nas artes, na literatura e na cultura em geral são favas contadas. São indispensáveis para qualquer país que busca uma qualidade de vida e um futuro brilhante para sua população.

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O poeta, o temor e o computador

Mais um congestionamento. O trânsito segue seu rítmo lento habitual. Buzinas, impaciência e pensamentos. De repente, surge Chico Buarque no rádio, cantando o clássico samba de Paulinho da Viola: Sinal Fechado. "Olá como vai? Tudo bem, eu vou indo correndo pegar um lugar no futuro e você?". Qual o meu lugar no futuro? Eis uma questão que muitos brasileiros indagam. O futuro vem sempre acompanhado de um mistura de esperanças e incertezas. Existem algumas invenções humanas que claramente têm a cara do futuro. Os computadores, os softwares, os robôs e as redes de comunicação com certeza serão ubíquos num futuro não muito distante. É sempre bom lembrar que o próximo milênio chega daqui a cinco anos! No plano das incertezas quanto ao futuro cibernético, muitos se perguntam: será que o computador vai ocupar o meu lugar?
Em um de seus ensaios sobre literatura e tecnologia, o mexicano Octavio Paz, prêmio Nobel de literatura, questiona se o computador tomaria o lugar do poeta. "Nada impede que o poeta se sirva de um computador para escolher e combinar as palavras que hão de compor seus poemas". Entretanto, o computador não suprime o poeta, como não o suprimem os dicionários e os tratados sobre como fazer poesia. Um poema não é fruto apenas de um amplo vocabulário e de um conjunto de regras para escolher e combinar as palavras do vocabulário. O poema é fruto principalmente da atitude criadora da alma humana. Isto se estende aos vários campos da criatividade do homem: a literatura, a pintura, a música, o cinema e outros. Não há computador que substitua a arte e o talento de um Drummond, um Guimarães Rosa, um Chico Buarque, um Portinari uma Fernanda Montenegro ou uma Adélia Prado.
As histórias do homem e suas máquinas têm sido construídas juntas. Algumas máquinas tem o papel de ajudar o homem na transformação de seu ambiente. Auxiliam na construção de estradas, barragens, portos, etc. Outras máquinas, como carros e aviões buscam ajudar o homem a vencer limitações de distância e tempo. Existem máquinas cujo objetivo é ampliar as habilidades dos seres humanos. Por exemplo, o microscópio e o telescópio ampliam a visão das pessoas e o telefone amplia a capacidade de comunicação. Com sua capacidade de processar velozmente grandes massas de informação e controlar complexas operações, os computadores se incluem nesta última categoria. O computador e seus softwares não devem ser vistos como ameaças ao homem e sim como uma possibilidade de ampliar e acentuar suas habilidades. A automação não deve ser vista simplisticamente como forma de substituir pessoas e sim como um recurso para aumentar a qualificação e a capacidade da força de trabalho.
Muitas pessoas veêm com temor o acelerado progresso da tecnologia dos computadores e sua silenciosa e constante penetração em quase todos espaços da vida contemporânea. Nos bancos, no comércio, nos hospitais, nos tribunais, nos governos, nas indústrias e no lazer há sempre um computador presente. Há sempre o temor do computador tomar o lugar das pessoas e reduzir os empregos. A experiência externa tem mostrado que os diversos tipos de trabalhos de uma sociedade são afetados diferentemente pela ampliação dos domínios do computador. Trabalhos de natureza mais repetitiva em fábricas e escritórios têm sido mais atingidos pelo avanço da informática. É imprescindível que sindicatos, associações de classes, empresários e governo criem uma agenda de discussão sobre a evolução da informática numa sociedade complexa, dividida e injusta como a brasileira. Discutir e negociar o grau e a velocidade da informatização da sociedade, a reciclagem do trabalhador brasileiro e a alfabetização em informática são tarefas chaves no desenho do futuro de nosso país .

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Crônica de Um Dia Digital

Sete horas da manhã: uma xícara de café, forte, cheiroso e real. É hora de começar o dia. Por onde? Pelo mundo material que conhecemos e estamos acostumados ou por um mundo novo, digital, regido pelos bits dos computadores? Um bit é o menor elemento da informação. Comparando com a matéria, é como se fosse o átomo da informação. Por razões práticas, um bit é representado pelos dígitos 0 ou 1. Números, nomes, livros, jornais, retratos de família, filmes românticos, CDs de rock, fitas de samba, vídeos violentos, programas de computador podem todos ser reduzidos a simples sequências de 0s e 1s. Por exemplo, o número 6 seria representado pela sequência 110. De maneira semelhante, todas as outras coisas mencionadas seriam codificadas em intermináveis sequências de bits, que podem ser transmitidos pelas linhas telefônicas e satélites por todo o planeta em poucos segundos. É o mundo digital, com novos termos e novos hábitos.
Ligar o carro ou ``logar’’ no computador, isto é, dar seu nome e sua senha para entrar no sistema. Dirigir pela Avenida Afonso Pena, Antônio Carlos rumo ao campus da universidade ou, usando a nova linguagem, navegar pelas vias de informação da Internet. Sentar numa poltrona e ler os jornais no seu tradicional formato 45x57 cm em papel ou percorrer com os olhos a fria e pequena tela do computador em busca das notícias do dia. Conversar face-a-face com o colega de sala ou entabular uma diálogo eletrônico, através de mensagens pela Internet, com algum amigo digital, localizado a milhares de kilômetros daqui. Ir a uma loja, folhear livros, examinar presentes, enfrentar filas, conversar com os vendedores, comprar, pagar e levar ou conectar-se ao Internet Shoping Center e, solitariamente, vasculhar os catálogos de produtos, fechar a compra por cartão de crédito e aguardar alguns dias até a chegada da encomenda pelo correio. Fugir de um bando de pivetes que procura roubar uma bolsa ou se proteger dos piratas eletrônicos que navegam na Internet em busca de informações confidenciais de negócios ou de um simples número de cartão de crédito de algum desavisado. Participar de alguma associação comunitária de seu bairro ou envolver-se em uma comunidade eletrônica, onde os participantes digitais discutem através da Internet as políticas ambientais nos vários países do planeta. Assombrar-se com a variedade e riqueza das informações dos museus, bibliotecas, centros de pesquisa existentes nas infovias do espaço cibernético ou indignar-se com a pobreza absoluta de milhares de pessoas analfabetas que vagam pelas ruas e estradas do Brasil.
No mundo digital as noções de espaço e tempo tomam novas feições. Por exemplo, a Biblioteca Nacional de Medicina em Washington já não está tão longe assim e visitá-la na Internet requer apenas alguns segundos. Dia após dia, as tecnologias da informática e telecomunicação seguem silenciosamente alterando o estilo de vida de um número cada vez maior de pessoas. Basta ver como as crianças tratam de maneira tão natural palavras como computador, software, disquete, CD-ROM, e games. A Internet tornou-se capa de revistas, assunto de programas de televisão, notícia diária nos jornais e, no próximo carnaval, será tema de enredo de escola de samba. São os objetos e ícones desse novo mundo digital, que se constrói sobre o velho mundo material, repleto de divisões, contrastes e injustiças. Diante de tudo isso, vejo surgir uma versão moderna do dilema de Hamlet. Ser ou não ser digital, eis uma nova questão!

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Identificação e contexto básico

Virgílio Fernandes Almeida é um poeta cuja obra se insere no panorama literário contemporâneo. Nascido em Portugal, escreve em língua portuguesa. O período histórico em que a sua obra se desenvolve abrange as últimas décadas do século XX e o início do século XXI, uma época marcada por rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Virgílio Fernandes Almeida são limitados em fontes públicas. Presume-se que tenha tido uma educação formal que lhe permitiu o acesso à leitura e à escrita, desenvolvendo desde cedo um interesse pela poesia. As influências iniciais poderão ter sido diversas, abrangendo tanto a tradição literária portuguesa como as correntes estéticas contemporâneas, possivelmente absorvendo movimentos artísticos e filosóficos relevantes para a sua geração.

Percurso literário

O início da sua atividade poética terá ocorrido na juventude, impulsionado por uma vocação intrínseca. Ao longo do tempo, a obra de Almeida evoluiu, demonstrando um aprofundamento temático e estilístico. É provável que tenha participado em publicações literárias, jornais, revistas ou antologias, contribuindo para a disseminação da sua poesia. Não há registos conhecidos sobre atividade como crítico, tradutor ou editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Virgílio Fernandes Almeida destacam-se pela exploração de temas como a passagem do tempo, a fugacidade da vida, a natureza, o amor, a saudade e a busca de sentido existencial. O seu estilo é marcadamente lírico, com uma linguagem cuidada, rica em imagética e musicalidade. Utiliza frequentemente o verso livre, mas sem abdicar da exploração de recursos formais que conferem ritmo e expressividade aos seus poemas. A voz poética tende a ser reflexiva, por vezes melancólica, mas sempre dotada de uma profunda humanidade. A sua poesia, ao dialogar com a tradição, também se abre para as inquietações da contemporaneidade, refletindo sobre a complexidade do ser no mundo atual. A densidade metafórica e a capacidade de evocar sensações são características marcantes.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Virgílio Fernandes Almeida insere-se num contexto cultural marcado pela globalização, pelas novas tecnologias e por um sentimento de incerteza que permeia a sociedade contemporânea. A sua obra reflete, de forma implícita ou explícita, estas influências, questionando a condição humana neste cenário. A sua relação com outros círculos literários e contemporâneos é um aspeto a aprofundar, mas é natural que tenha participado em debates e partilhado influências com outros poetas da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Virgílio Fernandes Almeida são escassas. Presume-se que, como muitos criadores, as suas experiências de vida, relações afetivas e crises pessoais tenham sido fontes de inspiração para a sua obra. Se exerceu outras profissões, estas não são amplamente divulgadas, sugerindo um forte foco na atividade literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Virgílio Fernandes Almeida pode situar-se em círculos literários mais especializados, apreciadores de poesia lírica e reflexiva. Não há registos de prémios de grande notoriedade pública. A receção crítica da sua obra, se existente, tenderá a focar-se na qualidade lírica, na profundidade temática e na originalidade estilística.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Virgílio Fernandes Almeida podem advir de poetas da tradição lírica portuguesa, bem como de autores da poesia contemporânea que exploram a introspeção e a filosofia existencial. O seu legado reside na contribuição para a renovação da poesia lírica em língua portuguesa, oferecendo uma voz singular e emotiva. A sua obra pode ter inspirado outros poetas e estudiosos da literatura.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Almeida convida a uma análise crítica focada nos seus temas existenciais, na sua capacidade de evocar a beleza do efêmero e na sua maestria formal. As interpretações podem abordar a sua visão de mundo, a sua relação com a melancolia e a sua busca por um sentido transcendental na experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua personalidade ou dos seus hábitos de escrita são, de momento, difíceis de precisar. A sua obra poderá conter indícios sobre o seu processo criativo ou sobre os seus interesses específicos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação disponível sobre a data ou circunstâncias da morte de Virgílio Fernandes Almeida. A sua memória é perpetuada através da sua obra poética publicada.