William Blake

William Blake

1757–1827 · viveu 69 anos GB GB

William Blake foi um poeta, pintor e gravador inglês, considerado uma figura ímpar na história da arte e da literatura. A sua obra, frequentemente marcada por visões místicas e espirituais, explora temas profundos como a inocência, a experiência, o bem e o mal. Blake desenvolveu um universo poético e visual único, que antecipou muitas das vanguardas artísticas do século XX.

n. 1757-11-28, Londres · m. 1827-08-12, Charing Cross

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O TIGRE

Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas ousou ele o Vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-lhe os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou imortal mão ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

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Biografia

Identificação e contexto básico

William Blake foi um poeta, pintor e gravador inglês. Nasceu em 7 de dezembro de 1757 e faleceu em 12 de agosto de 1827. Era filho de James Blake, um fabricante de meias, e de Catherine Wright.

Infância e formação

Blake teve uma educação formal limitada, mas desde cedo demonstrou um talento extraordinário para o desenho e a poesia. Foi aprendiz do gravador James Basire, onde aprofundou as suas habilidades técnicas e entrou em contato com a arte gótica, que viria a influenciar a sua obra. O seu ambiente familiar era de classe média e religiosa (dissidentes protestantes).

Percurso literário

Blake começou a escrever poesia desde jovem. A sua primeira coleção publicada foi "Poetic Sketches" (1783). No entanto, foi com as suas "Canções de Inocência" (1789) e "Canções de Experiência" (1794) que ele consolidou o seu estilo único e abordou temas universais. Desenvolveu técnicas de impressão iluminada para combinar texto e imagem, criando obras-primas visuais e literárias.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras mais conhecidas de Blake incluem "Songs of Innocence and of Experience", "The Marriage of Heaven and Hell", "Jerusalem" e "Milton". A sua poesia explora a dualidade da existência humana, a luta entre a razão e a imaginação, a opressão social e religiosa, e a busca pela redenção espiritual. O seu estilo é marcado por uma linguagem simbólica e visionária, com forte musicalidade e ritmo. Blake utilizou frequentemente o verso livre e formas poéticas próprias, combinando-as com ilustrações a cores que complementavam e expandiam o significado do texto.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Blake viveu num período de grandes transformações sociais, políticas e espirituais na Grã-Bretanha, incluindo a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Era um crítico da sociedade industrial emergente, da Igreja estabelecida e do racionalismo, advogando uma visão mais espiritual e imaginativa da realidade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Blake casou-se com Catherine Boucher em 1782. Eles formaram uma parceria artística e pessoal profunda. Blake trabalhou como gravador para sustentar a sua família e a sua arte, enfrentando dificuldades financeiras e, por vezes, incompreensão. Teve visões místicas que influenciaram grandemente a sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Durante a sua vida, Blake foi amplamente incompreendido e considerado excêntrico. O seu trabalho só começou a ser amplamente reconhecido e apreciado postumamente, especialmente no século XX, quando foi redescoberto por críticos e artistas que viram nele um precursor do modernismo e do surrealismo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Blake foi influenciado por textos bíblicos, pela mitologia clássica e por pensadores místicos. O seu legado é imenso, impactando poetas, artistas e pensadores de várias gerações. É considerado um dos maiores poetas visionários da língua inglesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Blake é complexa e aberta a múltiplas interpretações, frequentemente analisada sob perspetivas teológicas, psicológicas e políticas. A sua crítica à razão pura e a exaltação da imaginação são temas centrais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Blake afirmava ter visões de anjos e de outras entidades espirituais desde a infância. Desenvolveu um sistema de mitologia pessoal complexo, povoado por figuras como Urizen, Los e Orc.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória William Blake faleceu em sua casa em Londres, em 17 de agosto de 1827, e foi sepultado no cemitério de Bunhill Fields. A sua obra continua a inspirar e a desafiar leitores e artistas em todo o mundo.

Poemas

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O TIGRE

Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas ousou ele o Vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-lhe os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou imortal mão ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

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A Imagem Divina

Das Canções da inocência
(Tradução de Orlando Ferreira)

Ao Perdão, Piedade, Paz e Amor,
Todos clamam na aflição:
E para estas virtudes prazeirosas
Afirmam sua gratidão.

Pois Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É Deus nosso pai querido:
E Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É o homem, seu filho, a quem cuida.

Pois Perdão tem um coração humano,
Piedade, um rosto humano,
E Amor uma forma divina,
E Paz, as vestes humanas.

Então todo homem em todo lugar,
Que ora em sua tristeza
Está a orar para a forma humana divina.
Perdão, Piedade, Paz e Amor.

E todos devem amar a forma humana,
Seja em pagãos, turcos ou judeus.
Pois onde Perdão, Piedade, Paz e Amor habitam,
Deus lá habita também.

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O Preço da Experiência

Das Canções da experiência
(Tradução de Orlando Ferreira)

Qual é o preço da experiência? Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão.

É fácil triunfar sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça cheia de grão.
É fácil falar de prudência aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem teto,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir diante da ira da natureza
Ouvir o uivo do cão diante da porta no inverno, e o boi a mugir no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo;
Rejubilar-se diante do praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos
/filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, bem como o escravo que gira omoinho,
E o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos rompidos deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu não sou assim.
1797

2 175

Introdução

Das Canções da inocência
(Tradução de Orlando Ferreira)

Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,

"Toque aquela do cordeiro";
Então toquei com alegria;
"Toque, por favor, a canção de novo" -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.

"Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.

"Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam" -
Então ela desapareceu".
E eu catei um junco oco,

E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir.

2 420

A MOSCA

Pequena Mosca,
Teus jogos de estio
Minha irrefletida
Mão os destruiu.

Pois como tu,
Mosca não sou eu?
E não és tu
Homem como eu?

Eu canto e danço e
Bebo, até que vem
Mão cega arrancar-me
As asas também.

Se é o pensamento
Vida, sopro forte,
E a ausência do
Pensamento morte,

Então eu sou
Uma mosca travessa,
Mesmo que viva
Ou que pereça.

(Tradução
José Paulo Paes)

4 567

The Tyger

The Tyger

Tyger Tyger, burning bright

In the forests of the night,

What immortal hand or eye

Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies

Burnt the fire of thine eyes?

On what wings dare he aspire?

What the hand, dare sieze the fire?

And what shoulder, & what art,

Could twist the sinews of thy heart?

And when thy heart began to beat,

What dread hand? & what dread feet?

What the hammer? what the chain?

In what furnace was thy brain?

What the anvil? what dread grasp

Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears

And waterd heaven with their tears,

Did he smile his work to see?

Did he who made the Lamb make thee?

Tyger Tyger, burning bright

In the forests of the night,

What immortal hand or eye

Dare frame thy fearful symmetry?

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