

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor e filósofo português, considerado um dos maiores expoentes da literatura em língua portuguesa e um dos mais relevantes poetas do século XX. A sua vasta obra, marcada pela criação de múltiplos heterónimos com personalidades e estilos distintos, explora temas como a identidade, a angústia existencial, a saudade e a busca por significado num mundo em constante transformação. Pessoa deixou um legado literário complexo e multifacetado, que continua a fascinar e a desafiar leitores e críticos.
1888-06-13 Lisboa
1935-11-30 Lisboa
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Teu perfil, teu olhar real ou feito,
Teu perfil, teu olhar real ou feito,
Lembra-me aquela eterna ocasião
Em que eu amei Semíramis, eleito
Daquela plácida visão.
Amei-a, é claro, sem que o tempo e espaço
Tivesse nada com o meu amor.
Por isso guardo desse amor escasso
O meu amor maior.
Mas, ao olhar-te, lembro, e reverbera
Quem fui em quem eu sou.
Quando eu amei Semíramis, já era
Tarde no Fado, e o amor passou.
Quanta perdida voz cantou também
Nos séculos perdidos que hoje são
Uma memória irreal do coração!
Quanta voz viva, hoje de ninguém!
21/07/1934
Lembra-me aquela eterna ocasião
Em que eu amei Semíramis, eleito
Daquela plácida visão.
Amei-a, é claro, sem que o tempo e espaço
Tivesse nada com o meu amor.
Por isso guardo desse amor escasso
O meu amor maior.
Mas, ao olhar-te, lembro, e reverbera
Quem fui em quem eu sou.
Quando eu amei Semíramis, já era
Tarde no Fado, e o amor passou.
Quanta perdida voz cantou também
Nos séculos perdidos que hoje são
Uma memória irreal do coração!
Quanta voz viva, hoje de ninguém!
21/07/1934
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