Colombina

Colombina

Colombina foi uma figura singular no cenário literário brasileiro, atuando como poeta, escritora e performer. Sua obra é caracterizada pela experimentação, pela transgressão de normas sociais e estéticas, e por uma forte carga de subjetividade e crítica social. Associada a movimentos de vanguarda, Colombina buscou romper com as convenções, explorando novas formas de expressão que incluíam a performance e a intervenção artística. Sua poesia é um reflexo de sua busca por autenticidade e de sua contestação ao status quo.

1882-05-26 São Paulo
1963-03-14 São Paulo
19420
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Intimidade

Toda alcova em penumbra. Em desalinho o leito,
onde, nus, o meu corpo e o teu corpo, estirados
na fadiga que vem do gozo satisfeito,
descansam do prazer, felizes, irmanados.

Tendo a minha cabeça encostada ao teu peito,
e, acariciando os meus cabelos desmanchados,
és tão meu... Sou tão tua. Ainda sob o efeito
da louca embriaguez dos momentos passados.

Porém, na tua carne insaciável, ardente,
o desejo reacende, estua... E, de repente,
dos meus seios em flor beijas a rósea ponta...

E se unem outra vez a lúbrica bacante
do meu ser e o teu sexo impávido, possante,
na comunhão sensual de delícias sem conta...


Publicado no livro Rapsódia rubra: poemas à carne (1961).

In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
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