Al Berto

Al Berto

Al Berto foi um poeta português cuja obra se destaca pela exploração da sensualidade, do corpo, da morte e da identidade, num lirismo denso e imagético. A sua poesia, marcada por uma linguagem rigorosa e por uma busca constante pela palavra exata, reflete uma profunda inquietação existencial e uma profunda ligação com o Mediterrâneo. Al Berto é considerado uma das vozes mais singulares e importantes da poesia portuguesa contemporânea.

1948-01-11 Coimbra
1997-06-13 Lisboa
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As mãos pressentem

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
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Ana Macieira
Al Berto é um poeta quase mágico, entre a leveza das mãos que são aves doridas e o trágico da vida, uma folha tombada, «quase nada». A sua poesia eternizou-o pela emoção, pela beleza, pelo grito, pela vida de ser diferente...
29/agosto/2016

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