

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor e filósofo português, considerado um dos maiores expoentes da literatura em língua portuguesa e um dos mais relevantes poetas do século XX. A sua vasta obra, marcada pela criação de múltiplos heterónimos com personalidades e estilos distintos, explora temas como a identidade, a angústia existencial, a saudade e a busca por significado num mundo em constante transformação. Pessoa deixou um legado literário complexo e multifacetado, que continua a fascinar e a desafiar leitores e críticos.
1888-06-13 Lisboa
1935-11-30 Lisboa
5647943
196
2960
Ó Juliano Apóstata, que laço
Ó Juliano Apóstata, que laço
É esse que me prende a quem tu foste,
Imperador sombrio e calmo, quem
É que em nós ambos é o mesmo alguém?
Porque sinto eu teu gesto no meu braço
Na m[inha] vida tua morte.
Quem foste tu, que hoje me sabes tanto
A eu ter sido tu. Porque é que lembro
Teu vulto sério, o mando teu augusto,
Teu peito de alma, calmo e (...) e justo,
Como o por Maio a Junho estéril pranto
Quando é Dezembro?
Imperador aceite pelas gentes
Do teu império em gritos [?] de te querer,
Sóbrio, vergado sobre os livros, (...)
Agora, renascido,
Quero outra vez erguer os deuses mortos.
É esse que me prende a quem tu foste,
Imperador sombrio e calmo, quem
É que em nós ambos é o mesmo alguém?
Porque sinto eu teu gesto no meu braço
Na m[inha] vida tua morte.
Quem foste tu, que hoje me sabes tanto
A eu ter sido tu. Porque é que lembro
Teu vulto sério, o mando teu augusto,
Teu peito de alma, calmo e (...) e justo,
Como o por Maio a Junho estéril pranto
Quando é Dezembro?
Imperador aceite pelas gentes
Do teu império em gritos [?] de te querer,
Sóbrio, vergado sobre os livros, (...)
Agora, renascido,
Quero outra vez erguer os deuses mortos.
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