

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor e filósofo português, considerado um dos maiores expoentes da literatura em língua portuguesa e um dos mais relevantes poetas do século XX. A sua vasta obra, marcada pela criação de múltiplos heterónimos com personalidades e estilos distintos, explora temas como a identidade, a angústia existencial, a saudade e a busca por significado num mundo em constante transformação. Pessoa deixou um legado literário complexo e multifacetado, que continua a fascinar e a desafiar leitores e críticos.
1888-06-13 Lisboa
1935-11-30 Lisboa
5642491
196
2960
Quase sem querer
Quase sem querer (se o soubéssemos!) os grandes homens saindo dos homens vulgares
O sargento acaba imperador por transições imperceptíveis
Em que se vai misturando
O conseguimento com o sonho do que se consegue a seguir
E o caminho vai por degraus visíveis, depressa.
Ai dos que desde o principio vêem o fim!
Ai dos que aspiram a saltar a escada!
O conquistador de todos os impérios foi sempre ajudante de guarda-livros
A amante de todos os reis — mesmo dos já mortos — é mãe séria e carinhosa,
Se assim como vejo os corpos por fora, visse as almas por dentro.
Ah, que penitenciaria os Anjos!
Que manicómio o sentido da vida!
O sargento acaba imperador por transições imperceptíveis
Em que se vai misturando
O conseguimento com o sonho do que se consegue a seguir
E o caminho vai por degraus visíveis, depressa.
Ai dos que desde o principio vêem o fim!
Ai dos que aspiram a saltar a escada!
O conquistador de todos os impérios foi sempre ajudante de guarda-livros
A amante de todos os reis — mesmo dos já mortos — é mãe séria e carinhosa,
Se assim como vejo os corpos por fora, visse as almas por dentro.
Ah, que penitenciaria os Anjos!
Que manicómio o sentido da vida!
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