

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor e filósofo português, considerado um dos maiores expoentes da literatura em língua portuguesa e um dos mais relevantes poetas do século XX. A sua vasta obra, marcada pela criação de múltiplos heterónimos com personalidades e estilos distintos, explora temas como a identidade, a angústia existencial, a saudade e a busca por significado num mundo em constante transformação. Pessoa deixou um legado literário complexo e multifacetado, que continua a fascinar e a desafiar leitores e críticos.
1888-06-13 Lisboa
1935-11-30 Lisboa
5647657
196
2960
Vai redonda e alta
Vai redonda e alta
A lua. Que dor
É em mim um amor?...
Não sei que me falta...
Não sei o que quero.
Nem posso sonhá-lo...
Como o luar é ralo
No chão vago e austero!...
Ponho-me a sorrir
P'ra a ideia de mim...
E tão triste, assim
Como quem está a ouvir
Uma voz que o chama
Mas não sabe d'onde
(Voz que em si se esconde)
E Só a ela ama...
E tudo isto é o luar
E a minha dor
Tornado exterior
Ao meu meditar...
Que desassossego!
Que inquieta ilusão!
E esta sensação
Oca, de ser cego
No meu pensamento,
Na rainha vontade...
Ah, a suavidade
Do luar sem tormento
Batendo na alma
De quem só sentisse
O luar, e existisse
Só p'ra a sua calma.
A lua. Que dor
É em mim um amor?...
Não sei que me falta...
Não sei o que quero.
Nem posso sonhá-lo...
Como o luar é ralo
No chão vago e austero!...
Ponho-me a sorrir
P'ra a ideia de mim...
E tão triste, assim
Como quem está a ouvir
Uma voz que o chama
Mas não sabe d'onde
(Voz que em si se esconde)
E Só a ela ama...
E tudo isto é o luar
E a minha dor
Tornado exterior
Ao meu meditar...
Que desassossego!
Que inquieta ilusão!
E esta sensação
Oca, de ser cego
No meu pensamento,
Na rainha vontade...
Ah, a suavidade
Do luar sem tormento
Batendo na alma
De quem só sentisse
O luar, e existisse
Só p'ra a sua calma.
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