

José Maria da Costa e Silva
José Maria da Costa e Silva foi uma figura multifacetada, com uma obra que abrangeu a poesia, a crítica literária e o ensaísmo. A sua poesia é frequentemente associada a um lirismo profundo e a uma reflexão sobre a identidade, a memória e a relação do indivíduo com o tempo. O seu percurso intelectual foi marcado por um agudo senso crítico e por uma busca constante pela expressão da alma humana nas suas mais diversas facetas.
1788-08-15 Lisboa
1854-04-25 Lisboa
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Soneto
A morte da ilustríssima senhora D. Maria
Constância Lima Barbosa
Aquele coração, em que eu reinava,
O rosto, em que meus olhos se reviam,
Os lábios, que a voz doce desprendiam,
Que de minha alma os seios penetrava:
O peito, que a meu peito eu apertava,
Os braços, que amorosos me cingiam,
Mil graças, prendas mil, que revestiam
O encantador objeto, que adorava.
Tudo ao sepulcro foi com Márcia, aquela
Que eu tanto celebrei na ebúrnea lira,
Na estação juvenil, jucunda, e bela.
Márcia! Márcia cedeu da morte à ira?...
Oh! como poderá viver sem ela,
O amante, que por ela em vão suspira?
Constância Lima Barbosa
Aquele coração, em que eu reinava,
O rosto, em que meus olhos se reviam,
Os lábios, que a voz doce desprendiam,
Que de minha alma os seios penetrava:
O peito, que a meu peito eu apertava,
Os braços, que amorosos me cingiam,
Mil graças, prendas mil, que revestiam
O encantador objeto, que adorava.
Tudo ao sepulcro foi com Márcia, aquela
Que eu tanto celebrei na ebúrnea lira,
Na estação juvenil, jucunda, e bela.
Márcia! Márcia cedeu da morte à ira?...
Oh! como poderá viver sem ela,
O amante, que por ela em vão suspira?
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