

Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor, filósofo e professor português. É amplamente considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e um dos mais importantes representantes do modernismo em Portugal. Pessoa é conhecido pela sua vasta obra, escrita sob diversos heterónimos, cada um com personalidade, estilo e visão de mundo distintos.
1888-06-13 Lisboa, Portugal
1935-11-30 Lisboa
5540977
194
2959
No ouro sem fim da tarde morta,
No ouro sem fim da tarde morta,
Na poeira de ouro sem lugar
Da tarde que me passa à porta
Para não parar,
No silêncio dourado ainda
Dos arvoredos verde fim,
Recordo. Eras antiga e linda
E estás em mim...
Tua memória há sem que houvesses,
Teu gesto, sem que fosses alguém,
Como uma brisa me estremeces
E eu choro um bem...
Perdi-te. Não te tive. A hora
É suave para a minha dor.
Deixa meu ser que rememora
Sentir o amor,
Ainda que amar seja um receio,
Uma lembrança falsa e vã,
E a noite deste vago anseio
Não tenha manhã.
Na poeira de ouro sem lugar
Da tarde que me passa à porta
Para não parar,
No silêncio dourado ainda
Dos arvoredos verde fim,
Recordo. Eras antiga e linda
E estás em mim...
Tua memória há sem que houvesses,
Teu gesto, sem que fosses alguém,
Como uma brisa me estremeces
E eu choro um bem...
Perdi-te. Não te tive. A hora
É suave para a minha dor.
Deixa meu ser que rememora
Sentir o amor,
Ainda que amar seja um receio,
Uma lembrança falsa e vã,
E a noite deste vago anseio
Não tenha manhã.
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