
Moniz Bandeira
Manuel Bandeira foi um dos mais importantes poetas brasileiros, figura central do Modernismo. Sua obra é marcada por uma profunda sensibilidade lírica, pela exploração do cotidiano, da infância, da morte e da solidão, e por uma linguagem aparentemente simples que, no entanto, revela grande profundidade e rigor estético. Bandeira é celebrado por sua capacidade de encontrar a poesia nos aspetos mais banais da vida, transformando o prosaico em sublime. Sua poesia, que evoluiu do parnasianismo para o verso livre modernista, é um marco na literatura em língua portuguesa pela sua autenticidade e pela universalidade de seus temas.
1935-01-01 Salvador
2017-11-10 Heidelberg
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Canto do Outubro
Que ficou de teu mundo?
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
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