Presos Livres, Livres Presos.

Livres fisicamente,
mas presos espiritualmente.

Aprisionados ao passado,
mentalmente escravos
de padrões de beleza
impostos pelo colono.

Presos à falsa liberdade,
escravos da futilidade,
da aparência,
da validação,
da necessidade de parecer
aquilo que não são.

Presos da imoralidade 
das redes, das imagens, dos likes,
escravos da futilidade.

Engravidam ainda menores de idade,
e a infância perde-se
antes de conhecer a maturidade.

Triste realidade.

Presos ao sexo, entregam o corpo, mas não entregam o coração 
Fazem filhos,
mas não lhes dão educação.

O esperma gera o filho,
mas não gera um pai.

Porque ser pai
é muito mais do que fecundar.
É estar.
É educar.
É proteger.
É dar atenção.
É ensinar o caminho
quando o mundo tenta desviá-lo.

E enquanto alguns procuram fama
vazando imagens íntimas,
a dignidade transforma-se em espetáculo.

A intimidade deixou de ser sagrada.
O escândalo virou conteúdo.
A vergonha virou entretenimento.
E a exposição tornou-se
um atalho para a fama.

Não há educação.
Não há escolaridade suficiente.
Não há formação para a liberdade.

E como pode um povo ser livre
se continua escravo
daquilo que lhe ensinaram a desejar?

Mudaram as correntes,
mas não acabaram os cativeiros.
O colono pode ter ido embora,
mas algumas prisões
ficaram dentro.

São livres para caminhar,
mas ainda não aprenderam 
a andar.

Presos livres.

Corpos libertos,
mentes acorrentadas.

Por: Sebastião Xirimbimbi 

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