Lista de Poemas

Castigo

Desencaixo-me displicente.
Esvaziei-me, enfim.
Teu corpo
ainda queima,
tua mão ainda afaga.
Jamais
o prazer fora tão perverso.
Escondo meus lábios
atrás do batom.
Teus olhos
– canibais marinhos –
começam a se desfazer.
Não consigo te acompanhar.
És tão tolo...
Ainda me engasgo
com um último orgasmo.
Venci.
Sou aquela
que pela primeira vez
amas.
Mas a noite se esvai.
Sei que vais me tocar:
deixarei?
Não quero me amarrotar.
Tua boca me implora,
só que as estrelas se apagaram.
Vou-me embora
para nunca mais...
Se fosse amor,
não acabaria.

882

Ligações Cruas

Gemeu
a escuridão...
No abraço silencioso
entre o muro e a noite,
tombaram os corpos.
Sobre as almas,
escorreram a dor e a paixão...
Por todas as esquinas,
esqueceram seus beijos
os amantes nictálopes.
Cada beco
ficou úmido, extático...
Tocaram, trocaram-se.
Um gomo de prazer
fartou o sono.
Assim,
o sexo se ajoelhou
perante as estrelas
e transpirou amor.
819

Cântico

Abre-te,
anjo,
das asas que pendes
e rola vagaroso
entre os espinhos da coroa.
Sucumbe,
ainda tolo,
dentro do último riso
à espera do mar.
Nada cantará esta noite
- de crepúsculo inusitado -
Dos ossos que sustentam
teus olhos em sangue,
extraio, sem cuidado,
o único vestígio
da vida decadente.
Não mintas,
ainda que a boca
gravídica
tente o suicídio.
Dá a paz
a todos os insetos
abaixo de teu olhar.
Sepulta-me
entre as pétalas
do cárcere dos lobos.
Estás certo...
Ainda que o sol
se deteriore,
sou a porta.

824

Entranhas

O sorriso caiu.
Entre as pétalas de mim:
o cio.
Esperma aos farelos.
A lua bóia na taça de sangue.
Entre os sopros selvagens,
tórridos toques
(sinceros como um cadáver).
Com os dedos enfiados no vento,
quero lamber a liberdade.
Já esfacelei minhas lágrimas...
Enquanto o sol
baba sobre mim,
vou varrendo minha sombra
com restos de beijos...
A esperança dormiu.
Entre os subúrbios de mim:
a dor.
Bolhas de areia,
cacos de suor...
Há bolor nas estrelas.
Eis-me pecado!
Eis-me boca!
Pouca coisa:
alfinetes incendiados.
O amor vai pingando sobre o telhado,
amargo enquanto vocábulo:
deserto parido.
A vida é um estupro:
nasci para morrer.
Renascer das cinzas,
das sobras,
das teias...
Vou lutar até o orgasmo.
A noite
arrotou.
Assim seja,
assim sangre...
Entre a poeira de mim:
o prazer.
Caroço de paixão.
Vou morrer...
Vou morrer... Mas é só para te humilhar.
Vem...
Degola meu cheiro.
Não sou mulher,
sou distanásia.

898

Gênese

O
sol caiu
umbigo adentro.
Sob a teia partida,
a mosca pendente.
Do outro lado do espelho
corpos,
suor,
lágrimas...
Ante a bactéria faminta,
um trilho de sêmen seco.
Havia um sono
que boiava entre a poeira,
entre as estrelas,
entre pernas de gesso.
Na garganta da noite:
cama desfeita,
perfeita,
silêncio fetal.

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Identificação e contexto básico

Agostina Akemi Sasaoka é uma poeta contemporânea de quem pouca informação biográfica detalhada se encontra disponível em fontes públicas. O seu nome sugere uma possível herança cultural mista (italiana e japonesa, por exemplo). A data e local de nascimento, bem como detalhes sobre a sua origem familiar, não são amplamente conhecidos. A sua nacionalidade e a língua principal de escrita são o português. Vive num contexto histórico marcado pela globalização, pelas migrações e pela complexidade das identidades plurais do final do século XX e início do século XXI.

Infância e formação

Informações concretas sobre a infância e formação de Agostina Akemi Sasaoka são escassas. É razoável supor que a sua educação formal e a sua exposição a diferentes culturas e tradições literárias tenham moldado a sua voz poética. As suas influências podem advir de uma variedade de fontes, refletindo a sua possível herança e o seu interesse por diferentes vertentes da arte e da literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Agostina Akemi Sasaoka tem sido construído através da sua produção poética, que tem vindo a afirmar-se no panorama literário contemporâneo. A sua escrita pode ter sido divulgada através de plataformas digitais, revistas literárias ou antologias que reúnem vozes emergentes. A evolução da sua obra é caracterizada por uma exploração contínua de temas pessoais e universais, com um olhar atento às nuances da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Agostina Akemi Sasaoka frequentemente aborda temas como a identidade, a memória, o exílio (físico ou emocional), a família, a natureza e a busca por um lugar no mundo. O seu estilo é reconhecido pela sua delicadeza, pela riqueza imagética e por uma voz poética introspectiva e lírica. A linguagem utilizada pode ser cuidada, evocando sensações e emoções de forma subtil, por vezes com um toque de melancolia ou nostalgia. A forma poética pode variar, mas a expressividade e a musicalidade do verso são elementos centrais. A sua obra reflete uma sensibilidade contemporânea, dialogando com as complexidades da vida moderna e a procura por autenticidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Agostina Akemi Sasaoka está inserida no contexto cultural contemporâneo, onde a diversidade de origens e a fluidez das identidades são cada vez mais proeminentes. A sua poesia pode refletir as questões de multiculturalismo, da diáspora e da articulação de diferentes heranças culturais. A sua obra dialoga com as preocupações sociais e existenciais do seu tempo, oferecendo uma perspetiva única sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Agostina Akemi Sasaoka não são amplamente conhecidos. É provável que as suas experiências pessoais, as suas relações familiares e as suas vivências moldem profundamente a sua obra poética, mas estas informações permanecem no domínio privado.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Agostina Akemi Sasaoka é provavelmente um processo em desenvolvimento, com a sua obra a ser apreciada por leitores e críticos que valorizam a poesia lírica e reflexiva. A receção crítica poderá estar a consolidar-se à medida que a sua produção poética ganha mais visibilidade e é integrada em contextos literários mais amplos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Agostina Akemi Sasaoka podem ser diversas, abrangendo poetas que exploraram temas semelhantes de identidade, memória e pertença, bem como autores que se destacam pela sua qualidade lírica e imagética. O seu legado reside na contribuição que a sua voz poética oferece para a diversidade da literatura contemporânea, enriquecendo o panorama com a sua perspetiva única e sensível.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Agostina Akemi Sasaoka convida a interpretações sobre a construção da identidade em contextos plurais, a forma como a memória molda a nossa perceção do presente e a busca por um sentido de pertença num mundo globalizado. A sua poesia pode revelar profundas reflexões sobre a solidão, a beleza e a resiliência do espírito humano.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Dado o escasso volume de informações biográficas disponíveis, quaisquer curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou obra de Agostina Akemi Sasaoka não podem ser delineados sem especulação.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Agostina Akemi Sasaoka é uma autora contemporânea, pelo que a sua morte não é um facto registado. A sua memória está a ser construída através da sua obra literária, que continua a ser partilhada e apreciada pelos seus leitores.